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Nota da Aben sobre incidente na central nuclear chinesa de Taishan

(18/06/21) Com respeito a informação veiculada em vários noticiários sobre um incidente na usina nuclear de Taishan na China, a Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN) gostaria de prestar os seguintes esclarecimentos.

A informação oficial recebida pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) segue abaixo em uma tradução livre:

"A Autoridade de Energia Atômica da China (CAEA) informou a IAEA ontem que uma pequena falha no revestimento do combustível ocorreu na Usina Nuclear de Taishan.

O que são falhas no revestimento de combustível e o que significam para a segurança? Leia nossa explicação para descobrir.

As usinas nucleares são projetadas com vários sistemas de backup e diversos sistemas de segurança como parte de uma abordagem de segurança, chamada de 'defesa em profundidade'. Isso significa que existem vários sistemas de segurança redundantes projetados para evitar qualquer liberação acidental de radioatividade. Além disso, existem várias barreiras, incluindo o sistema de refrigeração do reator primário ou circuito primário e um edifício de contenção simples ou duplo, que são projetados para evitar qualquer liberação radioativa para o meio ambiente.

Portanto, um aumento no nível de radioatividade no refrigerante do circuito primário do reator é diferente de um vazamento radioativo. O circuito primário fica dentro da contenção e existem várias barreiras adicionais para evitar a liberação de radioatividade para o meio ambiente.

O número de barras de combustível em um reator varia dependendo do projeto do reator. Alguns reatores podem conter até 60.000 barras de combustível.

Após a falha de um revestimento de combustível em uma usina nuclear, a radioatividade do refrigerante do circuito primário do reator aumenta mas, enquanto permanecer dentro da faixa normal de operação, conforme estipulado nas especificações técnicas, o reator pode continuar a operar com segurança.

Falhas no revestimento de combustível são ocorrências conhecidas e não incomum na operação de usinas nucleares. As usinas nucleares possuem procedimentos operacionais que permitem o monitoramento contínuo dos elementos combustíveis danificados e as operações podem continuar dentro dos parâmetros operacionais de segurança pré-definidos.

Existem estratégias operacionais disponíveis para minimizar o impacto de uma falha de combustível e, em última instância, se necessário, o reator poderia ser desligado com segurança antes que os limites das especificações técnicas fossem atingidos. Os elementos de combustível danificados seriam então inspecionados e substituídos, e o reator retornaria às operações."

Lembramos que falhas do revestimento do combustível nuclear se constituem em pequeno escape de material volátil causado pela fissura do revestimento. Esse evento já ocorreu na usina nuclear de Angra 1 no passado, causando um baixo desempenho devido à necessidade de desligamento, mas nunca comprometendo a segurança da usina, nem do meio ambiente e do público.

O importante é que o pequeno escape seja monitorado a fim de assegurar que está dentro dos limites das especificações técnicas que fazem parte da Autorização para Operação e que as causas do escape sejam identificadas por meio de inspeção do combustível após o desligamento, para evitar a repetição do evento.

Associação Brasileira de Energia Nuclear

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