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EDIÇÃO Nº 49

CTMSP amplia estrutura do Centro Experimental de Aramar

Vera Dantas

Com a presença do presidente da República, Michel Temer, foi realizada, no dia 8 de junho passado, no Centro Experimental de Aramar (CEA), em Iperó (SP), a solenidade de lançamento da pedra fundamental do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) e de início dos testes de integração dos turbogeradores do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), onde está sendo construído o protótipo terrestre do submarino com propulsão nuclear. Projeto sob a responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) que tornará o Brasil autossuficiente na produção de radiofármacos, o RMB será construído em uma área cedida pela Marinha do Brasil.

A solenidade comemorou também os 30 anos de inauguração, em 8 de abril de 1988, da Usina de Enriquecimento Isotópico Almirante Álvaro Alberto pelo presidente José Sarney e com a presença do presidente da Argentina, Raul Alfonsin. O CEA é parte da estrutura do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), organização executora do Programa Nuclear da Marinha, que conta também com instalação na cidade de São Paulo.

Com 32 anos de atividades, o CTMSP é uma Organização Militar (OM) responsável pela coordenação do Programa Nuclear da Marinha (PNM). Criado pelo Decreto 93.439, de 17 de outubro de 1986, sob o nome de Coordenadoria para Projetos Especiais (Copesp) - denominação alterada em 1995 para CTMSP – foi reestruturado em 2017, a fim de permitir melhor gerenciamento e condução das atividades de implementação do Programa. A partir da estrutura já existente, foram criadas novas OMs, diretamente subordinadas ao CTMSP, que são: a Diretoria de Desenvolvimento Nuclear da Marinha (DDNM), responsável pelo projeto, desenvolvimento e implementação do Programa Nuclear da Marinha; o Centro de Desenvolvimento de Submarinos (CDS), responsável pelo projeto do Submarino Nuclear Brasileiro (SN-BR); e o Centro Industrial Nuclear de Aramar (Cina), responsável pela operação das unidades industriais, laboratórios e demais instalações atinentes ao PNM.

Basicamente, na cidade São Paulo, estão situadas o CTMSP, a DDNM e o CDS, e em Iperó, na região denominada pela Marinha de Aramar, estão situados o Cina e o Batalhão de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica de Aramar (BtlDefNBQR-Aramar). Esse Batalhão provê a segurança física das instalações e apoia ações de controle de emergências de natureza Nuclear, Biológica, Química e Radiológica, potenciais ou reais, na área de Aramar. Nas instalações do Cina, há, ainda, o Centro de Instrução e Adestramento Nuclear de Aramar (Ciana), que tem como objetivo principal formar os futuros operadores do Labgene e do SN-BR, "uma capacitação bastante específica e não encontrada em universidades", informa o diretor do CTMSP, vice-almirante Sydney dos Santos Neves.

O Labgene é o protótipo em terra da planta de propulsão nuclear. Ele terá 11MW de potência elétrica, providos por um reator nuclear do tipo Pressurized Water Reactor (PWR) e quatro turbogeradores que alimentarão um Motor Elétrico de Propulsão (MEP) e demais sistemas da referida planta. "Essa instalação servirá de base e de laboratório para qualquer outro projeto de reator nuclear no Brasil, e permitirá a obtenção da capacitação necessária para incorporá-la ao SN-BR", afirma o vice-almirante Neves. Segundo ele, a principal diferença em relação a um reator comercial está na potência desenvolvida, que para o Labgene será variável e inferior, pois atenderá à simulação das condições operativas e a demanda de um submarino. "Em uma instalação nuclear comercial, cujo foco é a geração de energia elétrica para alimentar diversos consumidores, a potência é contínua e superior. Outra diferença importante está associada à limitação de espaço, que foi considerada no protótipo em terra, refletindo as dimensões do casco resistente do SN-BR", explica.

De acordo com o diretor do CTMSP, para conquistar a autonomia do ciclo do combustível nuclear, objetivo perseguido pela Marinha do Brasil, uma enorme infraestrutura é necessária, e avança sobretudo com a implantação das instalações nucleares e não-nucleares em Iperó/SP, destinadas ao desenvolvimento e à produção de elemento combustível e à operação de planta nucleoelétrica. "No final da década de 80, dominou a tecnologia de enriquecimento de urânio por meio do desenvolvimento dos sistemas de separação isotópica, barreira de elevado conteúdo tecnológico e de domínio de poucos países (Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Japão, Rússia, China, Índia, Paquistão, Irã e Brasil). Uma vez dominada essa tecnologia, o aprimoramento das ultracentrífugas prossegue, visando a obtenção de versões mais eficientes a fim de atender ao PNM/Prosub e também ao setor de enriquecimento de urânio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB)".

O diretor do CTMSP informa que existem, atualmente, diversas atividades simultâneas em andamento no PNM, que compreendem a conclusão de projetos de alguns sistemas, a realização de obras civis dos prédios e de infraestrutura, a aquisição/fabricação de equipamentos e a execução de montagens eletromecânicas. Além das atividades associadas ao Labgene, há ações que vêm sendo empreendidas para conclusão da Unidade Piloto de Hexafluoreto de Urânio (Usexa) e do Laboratório de Materiais Nucleares (Labmat).

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