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CAPA DA EDIÇÃO Nº 49
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EDIÇÃO Nº 49

Tecnologia de enriquecimento de urânio une INB e Marinha

Bernardo Mendes Barata

Executado desde 1979, com o propósito de dominar o ciclo do combustível nuclear e desenvolver, projetar, construir, comissionar, operar e manter submarinos com propulsão nuclear, o Programa Nuclear da Marinha (PNM) conta com a contribuição da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a partir de uma parceria estabelecida em 2000, quando foi celebrado o contrato com o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) para implantação da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende/RJ.

"Ocorreu uma aproximação da INB com o CTMSP na década de 1990. Naquela época, a Marinha do Brasil, com o apoio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), já havia dominado a tecnologia de enriquecimento de urânio por ultracentrifugação e a empresa sabia que o processo de enriquecimento por jato centrífugo, transferido para a INB no âmbito do Acordo Brasil-Alemanha, não apresentaria resultados satisfatórios. Um Grupo de Trabalho Interministerial propôs à Presidência da República a implantação de uma usina de enriquecimento em escala industrial na FCN, visando dar autossuficiência à INB em relação à produção de UF6 enriquecido para a produção de combustível para as usinas em Angra. O contrato celebrado em 2000 contempla a 1ª Fase do projeto, ou seja, a implantação de dez cascatas de ultracentrífugas. A 2ª Fase, que está sendo negociada neste momento, prevê a instalação de mais 30 cascatas até meados de 2030. Ao final do empreendimento, a empresa terá capacidade instalada para atender à demanda por UF6 enriquecido, com autossuficiência, das usinas Angra 1, 2 e 3 e, também, do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB)", assinalou o Diretor Técnico de Enriquecimento Isotópico (DTE) da INB, Álvaro Luís de Souza Alves Pinto.

Exercendo o cargo de diretor desde 2 de maio de 2016, com o apoio de um corpo técnico-administrativo de cerca de 80 pessoas, o Contra-Almirante (EN) Álvaro Luís de Souza Alves Pinto é graduado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e tem mestrado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua experiência profissional abrange atividades de manutenção e construção naval, com ênfase em sistemas de combate, tendo, também, gerenciado uma Fábrica de Munições que a Marinha do Brasil tem em Campo Grande/RJ. O principal marco de sua gestão na INB foi a inauguração, em 30 de agosto do corrente ano, da Cascata 7 de ultracentrífugas, que apresenta um progresso importante na parceria com o CTMSP, por aumentar em 25% a capacidade de enriquecimento de urânio da FCN.

"Fazendo uma retrospectiva, a Cascata 7 tem uma simbologia formidável, porque representa uma série de resultados melhores que obtivemos até agora. Além disso, por termos concluído a infraestrutura necessária à instalação das Cascatas 8, 9 e 10, estamos em excelentes condições para concluir o empreendimento até 2021", comentou otimista Álvaro Luís Pinto, lembrando que a contratação, em novembro de 2016, da empreiteira responsável pela conclusão da infraestrutura para montagem das Cascatas 7, 8, 9 e 10 foi fundamental para atingir esse resultado. Segundo ele, cabe ao CTMSP fabricar as ultracentrífugas, fornecer, instalar e comissionar as cascatas. Cabe à INB, a partir de requisitos estabelecidos pelo CTMSP, especificar, contratar e fiscalizar a construção e instalação da infraestrutura necessária para a operação adequada das cascatas de ultracentrífugas. Tudo isso com recursos humanos próprios, em um esforço considerável que tem apresentado resultados excelentes.

As atividades do pessoal da INB são complementares àquelas executadas no CTMSP. "A INB já angariou, em um período relativamente curto de tempo, considerável experiência na operação, manutenção e segurança que tem proporcionado alta disponibilidade da instalação e tem possibilitado o aumento da produção de urânio enriquecido. Isso acabou contribuindo para a exportação de UO2 para a Argentina. O CTMSP, como detentor da tecnologia de desenvolvimento e fabricação, dá apoio técnico especializado a partir de solicitações da INB e das informações de acompanhamento fornecidas", explicou.

A implantação das Cascatas 8, 9 e 10 de ultracentrífugas, que concluirá a 1ª Fase da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio, está bem encaminhada, tendo em vista que depende exclusivamente da disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros. Já foram iniciados os processos de licenciamento nuclear e ambiental visando o início da 2ª Fase, antes do término da implantação da Cascata 10, de modo a ser evitada desmobilização de pessoal. "Esse é nosso planejamento, iniciar a próxima Fase antes de 2021. Demos entrada, na Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), em 2017, e, no Ibama, em 2018, dos documentos necessários aos licenciamentos. Os dois órgãos já estão trabalhando no assunto. Em 2019, deveremos detalhar o projeto visando sua precificação. Há muito a ser feito e o tempo passa rápido", comentou.

De acordo com Álvaro Luís Pinto, dificuldades recorrentemente enfrentadas pela INB são imprevisibilidade e inconstância orçamentária. Esse investimento, conforme é comprovável, resulta em economia imediata, pela redução da necessidade de contratação de serviços de enriquecimento no exterior. "Essa economia contribui para o esforço visando tornar a INB minimamente dependente do Tesouro Nacional, quiçá independente. Somos a empresa, dentre as 18 estatais dependentes do Tesouro Nacional, com menor índice de dependência (29%). Propusemos ao Ministério do Planejamento que houvesse investimentos na INB de modo a acelerar o processo de 'emancipação'. Isso poderia servir como um modelo a ser seguido por outras estatais", argumentou.

Como ocorre em outras organizações do setor nuclear brasileiro, entretanto, a INB também precisa lidar com dificuldades para preservar sua "massa intelectual". Por isso, tem investido em Gestão de Conhecimento. Recentemente, iniciou tratativas com a Amazul visando incrementar essa área, contemplada dentre os projetos considerados estratégicos pela empresa.

Nesse sentido, Álvaro Luís Pinto reiterou o estabelecimento de uma cultura de operação, manutenção e segurança resultante do treinamento e da experiência do pessoal. "Temos funcionários que foram formados a partir dessa empreitada. A Cascata 1 foi, inicialmente, operada pelo pessoal do CTMSP. Atualmente, fazemos tudo sozinhos. O conhecimento está internado na empresa. Contudo, temos que ampliar a equipe para atender à crescente demanda decorrente do maior número de equipamentos e sistemas em operação e manutenção. Superar as dificuldades, em especial a escassez de recursos, exige o replanejamento constante de atividades e grande esforço pessoal e, por isso, há satisfação muito grande quando conseguimos comissionar mais uma cascata", explicou.

No tocante ao Programa Nuclear da Marinha, não é possível executá-lo sem obter a autossuficiência. "Não haverá nenhum resultado sustentável se nós não tivermos condições de manter o programa em termos de combustível. Somos, aqui na INB, apenas um pequeno afloramento de um enorme iceberg de atividades e conhecimento a cargo da Marinha do Brasil. O esforço ora realizado pela Força é tremendo e envolve um grande número de especialistas em diferentes áreas", afirmou, acrescentando que a origem do projeto de enriquecimento de urânio, fruto de uma decisão presidencial, indica sua natureza estratégica e uma clara visão de Estado sobre o assunto.

A parceria da INB com a Marinha não se limita à Usina de Enriquecimento. Há, também, interação em relação a outras áreas do ciclo do combustível nuclear. "O grande e visível resultado é a usina de enriquecimento. Mas, nas outras etapas do ciclo, também existe colaboração. Há constante troca de informações e prestações de serviço, formalizados por contratos específicos", explicou.

Com relação à retomada da produção de urânio em Caetité, tratada como grande prioridade, Álvaro Luís Pinto a classificou como extremamente estratégica em um contexto que ultrapassa o âmbito da INB. "Sabemos que a mineração de urânio é fundamental tanto para nós quanto para o País. O Programa Nuclear da Marinha precisará do produto dessa atividade de modo a garantir o suprimento de combustível para o reator do submarino à propulsão nuclear", enfatizou, e lembrou que faz parte do planejamento futuro da INB a implantação de uma Usina de Conversão, para a produção de UF6 natural na FCN.

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