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EDIÇÃO Nº 41

Centro de Treinamento Técnico, o braço social da Nuclep

Vera Dantas

Muitas vezes, ao entrar no Centro de Treinamento Técnico (CTT) da Nuclebrás Equipamentos Pesados S/A (Nuclep), o professor Nelson Rodrigues da Costa é tomado por uma emoção especial: o sentimento é despertado pelo fato de, além de ter sido aluno da primeira turma do estabelecimento, ter participado de sua construção.

Na época, já contratado pela Nuclep como jovem aprendiz, ele e seus colegas de curso ajudaram a concluir a parte estrutural interna do CTT, o que incluía a construção das bancadas para aprendizagem. “Participar do processo de construção foi muito importante para nós, que ingressamos naquela época e continuamos na empresa. Nós nos sentimos fazendo parte da história”, diz ele.

Nelson Costa ingressou na Nuclep em 1978, com 16 anos. Oriundo de família humilde e estudante em uma escola municipal do subúrbio carioca de Paciência, participou do processo de seleção em 1977. Ele lembra que, como o parque fabril da empresa ainda estava em construção, assim como o CTT, o início do curso foi realizado na Escola Técnica da Marinha. Com a conclusão da obra, o curso foi instalado definitivamente no Centro. Em 1982, Costa terminou o curso de formação profissional na área de caldeiraria e passou a trabalhar na fábrica da Nuclep, em Itaguaí. Mas não deixou de estudar. Em 1986, tendo concluído o curso de licenciatura plena em matemática, ele tornou-se professor e posteriormente coordenador e diretor do Centro, onde trabalha até hoje. Para ele, estudar no CTT foi fundamental para o seu futuro profissional. “A Nuclep teve um papel muito importante para jovens como eu, que precisavam de um emprego e de oportunidade do mercado de trabalho”, afirma.

Um desses jovens é Sylvio Patapio Moreira, hoje colega de magistério de Nelson Costa, e que fez parte da segunda turma do CTT. “Eu não tinha nenhuma expectativa profissional antes de entrar na Nuclep. Aqui, tive meu primeiro emprego e pretendo me aposentar. Devo o que tenho à empresa e a minha família”, declara. Ele ingressou na Nuclep em 1979, com 15 anos, também como jovem aprendiz. No CTT, além da formação técnica em mecânica, cursou o segundo grau. Posteriormente, fez licenciatura em matemática, e pós-graduação em administração e supervisão escolar. Na fábrica, fez carreira na área de usinagem e posteriormente tornou-se supervisor de usinagem no CTT. Hoje, é o coordenador de Capacitação Profissional, Treinamento e Qualificação do CTT para as áreas de usinagem, soldagem, caldeiraria, desenho, mecânica e manutenção eletromecânica.

Inúmeros outros jovens – mesmo aqueles que, ao contrário de Patapio e Costa, não contavam com estrutura familiar forte –, conseguiram ser beneficiados pela ação da Nuclep, através do CTT. “Tive oportunidade de ver a salvação de muitos jovens, que saíram das ruas e ganharam uma formação profissional. Com isso, conseguiram dar um direcionamento não só às suas vidas como às de suas famílias”, lembra Patapio.

Indústria pesada

A Nuclep foi criada em 16 de dezembro de 1975, para ser o braço industrial do Programa Nuclear Brasileiro. Sua fábrica, no município de Itaguaí (RJ), foi inaugurada em 8 de maio de 1980. Por empregar tecnologia de fabricação então pioneira no país e devido à dificuldade de encontrar mão de obra qualificada na região, a empresa, numa decisão estratégica, criou o Centro de Treinamento Técnico para desenvolver e qualificar parte do seu pessoal, especialmente aquela cuja atividade requer o ensino fundamental como nível mínimo de escolaridade.
 

- O empreendimento da escola de fábrica garante à empresa 51,44% de mão de obra direta
Rodolfo Guedes

 

O objetivo inicial do Centro era oferecer formação profissional, somada ao ensino fundamental de qualidade. Assim, “a composição curricular do Curso de Aprendizagem Industrial privilegiava a formação integral do indivíduo no campo das ciências técnicas e humanas e dos valores éticos e morais”, explica o gerente de Treinamento Técnico da Nuclep, professor Rodolfo Barbosa Guedes. O CTT oferece 3.200 horas de qualificação profissional, em duas etapas. Na primeira, com a carga horária de 1.600 horas e regime de horário integral, os alunos têm aulas teóricas e práticas, manipulando máquinas, equipamentos e instrumentos das áreas de caldeiraria, usinagem, soldagem, manutenção mecânica, ajustagem mecânica e desenho técnico mecânico. A segunda etapa, também com duração de 1.600 horas, é realizada na própria fábrica Nuclep. Nessa fase, os jovens são contratados como aprendizes, recebendo um auxílio de um salário mínimo, além de alimentação e transporte.

“Acreditamos que se a empresa não tivesse investido na escola de formação profissional, hoje estaríamos com dificuldades para contratar mão de obra especializada tais como soldadores, caldeireiros, torneiros, fresadores, mecânicos de manutenção eletromecânica, desenhistas técnicos. Esse empreendimento da escola de fábrica garante hoje à empresa 51,44% de mão de obra direta”, informa Rodolfo Guedes.

O Centro mantém um convênio com a Associação Brasileira de Manutenção (Abraman), para o treinamento e qualificação de profissionais de manutenção de calderaria, nível 1.

O CTT tornou-se referência para a criação do programa “Escolas de Fábrica”, do governo federal, que mais tarde ganhou, por decreto, o nome de “Pró-Jovem Trabalhador”. Segundo o professor Rodolfo Guedes, isso aconteceu com uma visita do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva à Nuclep. “Quando nos visitou, o ex-presidente ficou tão encantado com o modelo da escola que quis usá-la como paradigma em todo país, iniciando o projeto Escola de Fábrica”, disse.

Diversificação como estratégia

A Nuclep foi criada no mesmo ano em que foi assinado o acordo nuclear Brasil-Alemanha. Seu objetivo era construir os equipamentos de reposição das usinas Angra 1 e Angra 2 e todos os componentes para as outras seis futuras plantas previstas para serem construídas pelo Programa Nuclear Brasileiro (PNB). Com a paralisação de várias obras de infraestrutura – incluindo a usina Angra 2 –, em função da crise econômica do final da década de 1970, e a desaceleração do PNB na década seguinte, o ritmo de encomendas diminuiu, deixando ociosa grande parte da capacidade industrial da empresa. Numa decisão estratégica, a Nuclep buscou novos mercados e passou a fabricar componentes para outros setores da indústria.

O setor naval foi uma das apostas da empresa, que iniciou, a partir de 1986, o desenvolvimento da tecnologia de fabricação de cascos resistentes para a produção de submarinos. Coube à Nuclep a fabricação do casco do Tamoio, o primeiro submarino de fabricação nacional, inaugurado pela Marinha em 1993. A empresa vai produzir para a Marinha os cascos para quatro submarinos convencionais e um a propulsão nuclear, da classe Scorpéne, com tecnologia francesa. O casco resistente do primeiro submarino fruto da parceria da Marinha brasileira com o governo francês já está sendo construído nas instalações da Nuclep, com previsão de entrega para 2017. Para o futuro submarino nuclear, além do casco, a Nuclep irá produzir também o vaso de pressão do reator e os dois geradores de vapor. Devido, em grande parte, à competência adquirida pela empresa, o Brasil entrou no seleto grupo de países construtores de submarinos, junto com Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, Alemanha e França.

A Nuclep conta com um portfólio variado de projetos, para indústrias de diversos setores, como o siderúrgico, petroquímico, de mineração, de energia e de petróleo. Competindo com estaleiros internacionais, a empresa produziu, pela primeira vez na América Latina, os cascos semissubmersíveis para as plataformas P-51 e P-56 da Petrobras.

O parque fabril da Nuclep ocupa uma área de 65 mil metros quadrados. A empresa também conta com um terminal marítimo privativo, com capacidade de até mil toneladas.

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