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EDIÇÃO Nº 41

Eletronuclear: sustentabilidade na Costa Verde

Vera Dantas

Desde o início de suas atividades, com a construção e operação da usina nuclear Angra 1, a Eletrobras Eletronuclear vem investindo na melhoria das condições e da qualidade de vida das comunidades dos municípios em que atua.

Esse investimento é feito através do apoio, desenvolvimento e da implantação de programas voltados para a saúde, educação, geração de emprego e renda, conservação de estradas, restauração do patrimônio histórico, aparelhamento dos órgãos de segurança como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e polícias, entre outros. Essas ações se intensificaram a partir do processo de licenciamento ambiental da usina de Angra 3, que envolveu a realização de 17 reuniões prévias com comunidades, nove audiências públicas e negociações com as prefeituras do entorno da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA). Isso originou um portfólio com cerca 180 projetos, no valor de R$ 484 milhões, que deverão estar assinados e em atividade até o início das operações de Angra 3, previsto para 2018. Até março de 2013, já tinham sido firmados 25 convênios, no valor de R$ 180 milhões, envolvendo uma população de 150 mil pessoas.
 

- O Hospital Praia Brava é o nosso maior braço de inserção social dentro da área da saúde
Paulo Gonçalves

 

A maioria dos convênios está focada no esporte, na educação, na saúde, no meio ambiente, na cultura e na promoção de novas atividades econômicas para comunidades da região. Um dos programas de maior abrangência social destina-se à reforma, ampliação e compra de novos equipamentos para o Hospital de Praia Brava (HPB), que atende desde 1999 tanto os funcionários da empresa como a população do entorno da central nuclear. Coordenado pela Fundação Eletronuclear de Assistência Médica (Feam), o hospital é referência na região, realizando mais de 300 mil atendimentos por ano, incluindo emergência, prontoatendimento, exames de imagem e de laboratório, além de consultas. A Feam também atende a população nos ambulatórios de Mambucaba e Itaorna.

“O Hospital Praia Brava é o nosso maior braço de inserção social dentro da área de saúde, pois atende mensalmente quase 5 mil pessoas”, afirma o coordenador de Responsabilidade Socioambiental e Comunicação da Eletrobras Eletronuclear, Paulo Gonçalves. Localizado entre os municípios de Angra dos Reis e Paraty, o Hospital de Praia Brava conta, desde 2012, com um Centro de Tratamento Intensivo e dispõe de equipamentos modernos para diagnósticos, como aparelhos de ultrassonografia e de tomografia computadorizada, o que lhe permite disponibilizar para a população um número variado de especialidades médicas e diversos tipos de procedimentos cirúrgicos. Os recursos de manutenção e para investimento são obtidos, majoritariamente, através de convênio com a Eletrobras Eletronuclear, sendo uma pequena parte proveniente de seguros de saúde. O hospital também mantém convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), através da Prefeitura de Angra dos Reis.

Outras ações da Eletrobras Eletronuclear na área da saúde são os convênios firmados com a prefeitura de Angra dos Reis para o aparelhamento do Hospital de Japuíba e da Santa Casa de Misericórdia de Angra. Recentemente, a empresa adquiriu uma UTI móvel, totalmente equipada, para realizar atendimentos de emergência do Hospital Público Municipal de Rio Claro.

Fazendas marinhas

Um dos focos do Programa de Responsabilidade Social da Eletrobras Eletronuclear é a promoção de novas atividades econômicas para as comunidades da região do entorno da CNAAA. Nesse sentido, a empresa participa de dois programas. O primeiro, desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal de Angra dos Reis e com a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, tem como objetivo a monitoração e a manutenção das fazendas marinhas existentes na Baía da Ilha Grande.

O segundo programa é o apoio ao Projeto de Repovoamento Marinho da Baía da Ilha Grande (Pomar), empreendido pelo Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande (IED-BIG). Esse apoio é viabilizado por convênio no valor de R$ 2,250 milhões, assinado em julho de 2010, com a duração de cinco anos. O objetivo do Projeto Pomar é desenvolver a maricultura na região de Angra, gerando renda para os pescadores locais e, especificamente, evitar a extinção da vieira, molusco comum na região e que estava quase extinto no início da década de 1990, devido à pesca de arrastão. Também conhecida pelo nome de coquille de Saint-Jacques, a vieira é um alimento refinado e bastante apreciado na Europa, Japão e América do Norte.

As vieiras são fecundadas e suas “sementes” (nome dado aos filhotes do molusco) cultivadas no laboratório do projeto, localizado em Jacuecanga. Com um mês de vida – quando sua dimensão já permite serem visualizadas a olho nu –, as sementes são transferidas para um tanque, onde se fixam em pedacinhos de garrafas PET, inseridos previamente. As garrafas PET são adquiridas pelo laboratório de catadores de vasilhames usados. “Esta é a primeira dimensão social de envolvimento da população”, explica Gonçalves.

A segunda dimensão social dada pelo projeto é o emprego de alunos da Fundação Pestalozzi, portadores de necessidades especiais, e da Associação de Surdos e Mudos. Eles dedicam-se a uma tarefa que exige grande precisão, que é a limpeza das sementes, ao atingirem três meses de idade, das intempéries e das algas que ficam nos tanques.

Os alunos da Fundação Pestalozzi também confeccionam as chamadas “lanternas japonesas”, que são viveiros de filó que irão abrigar as pequenas vieiras durante o período de cerca de oito meses subsequentes em que ficarão submersas nas fazendas marinhas, até atingir o tamanho ideal para serem comercializadas. Uma fazenda marinha é formada por várias lanternas japonesas, fixadas no fundo do mar por linhas com bóias, para facilitar a sua localização. Anteriormente importadas do Chile, as lanternas japonesas protegem os moluscos, filtrando a água do mar e assimilando as microalgas existentes. O material é fornecido pelo laboratório e o trabalho, remunerado através um convênio entre a Eletronuclear e a Fundação Pestalozzi.

A Eletrobras Eletronuclear já doou diversas fazendas marinhas para associações locais de maricultores. A última doação, de três fazendas marinhas, beneficiou a Associação de Maricultura de Paraty. A empresa também tem a sua própria fazenda marinha, localizada na Ilha Comprida, em frente à CNAAA. Toda a produção da unidade é doada para a comunidade.

Segundo Paulo Gonçalves, além de proporcionar ganhos para a população local e contribuir para evitar a extinção da espécie, a cultura da vieira demonstra a qualidade da água na região das usinas. “O coquille é um indicador biológico, pois não sobrevive onde tem poluição. Ele é primeiro a morrer”, explica Gonçalves. “Eles agem como fiscais da natureza, já que a qualidade do produto depende diretamente da qualidade da água”, complementa Ruth Alves, coordenadora técnica do Comitê de Sustentabilidade da Eletronuclear. O projeto ganhou prêmio do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (CREA-RJ), como um dos principais projetos de sustentabilidade na região, em 2009.

Educação e cultura

A Eletrobras Eletronuclear investiu, em 2012, mais de R$ 4,8 milhões em educação na região. Entre os programas contemplados está o convênio estabelecido com a ONG Semear, para a execução do Projeto Malê de Alfabetização de Adultos com Qualificação em Confecção de Artesanato e Costura. Válido até 2016, o convênio tem o objetivo de atender aproximadamente 1,8 mil jovens e adultos de Angra dos Reis e Paraty, além de qualificá-los para trabalhar com artesanato para turismo. O projeto já formou mais de mil alunos.

A empresa também tem investido na qualidade de ensino das escolas municipais de Angra dos Reis e Paraty, através de convênios com as prefeituras para a realização de reformas e ampliação dos colégios, além da compra de equipamentos e apoio a projetos pedagógicos. A empresa também firmou uma parceria com o governo do estado do Rio de Janeiro para o desenvolvimento de atividades educacionais nas escolas estaduais Almirante Álvaro Alberto e Roberto Montenegro, envolvendo 3 mil alunos. Renovado em 2009 por mais cinco anos, o convênio ajuda na manutenção das escolas Em 2012, a Eletrobras Eletronuclear investiu mais de R$ 4,8 milhões em educação na região para que continuem entre as primeiras do estado e inclui o reforço escolar para os alunos. “Essas duas escolas estaduais, localizadas nas vilas residenciais de Praia Brava (Angra dos Reis) e Mambucaba (Paraty), têm ótimo desempenho e conquistam, sempre, os primeiros lugares no ranking das escolas estaduais do Rio de Janeiro”, ressalta Gonçalves.

Na área de educação ambiental, a empresa desenvolve um projeto de trabalho contínuo voltado para estudantes. Além de conhecer o Centro de Informação da CNAAA, os jovens percorrem a Trilha Ecológica Porã, de propriedade da Eletrobras Eletronuclear. No local, eles têm a oportunidade de identificar e receber informações detalhadas sobre a vegetação da Mata Atlântica.
 

Em 2012, a Eletrobras Eletronuclear investiu mais de R$ 4,8 milhões em educação na região
 

Além do conhecimento ambiental, a Eletrobras Eletronuclear procura estimular a educação patrimonial. Através do projeto Arqueologia Educação Patrimonial, a empresa contribui para difundir informações sobre o potencial arqueológico de Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Lídice, objetivando valorizar a pesquisa e a preservação do patrimônio arqueológico. Realizado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o projeto é voltado para alunos da rede estadual de ensino secundário daqueles municípios, além de alunos da escola indígena Guarani do Bracuhy. A atividade tem a duração de dois anos, período em que os alunos recebem aulas teóricas e práticas, fazem o mapeamento da área onde moram e realizam uma pesquisa pré-científica. Durante o projeto, contam com uma bolsa de estudos patrocinada pela Faperj.

Levar cultura à população jovem da região é um dos objetivos do projeto desenvolvido em Paraty pela ONG Silo Cultural, com o apoio da Eletrobras Eletronuclear. Com duração prevista de cinco anos, o projeto promove aulas de teatro, dança e música. Também são realizadas gravações de ritmos regionais como a ciranda e de tradições negras (jongo) e indígenas.

Usina de compostagem

Uma das ações voltadas para o meio ambiente é a usina de compostagem criada pela Eletrobras Eletronuclear para reciclar os resíduos de jardinagem de suas áreas verdes. Todos os dias, a usina recebe cinco caminhões com material resultante da manutenção contínua de corte de gramas e podas de árvores na CNAAA e nas vilas e demais propriedades da empresa. Esse material deixa de ser despejado no aterro municipal de Angra dos Reis e o adubo orgânico dele resultante após a compostagem é utilizado na manutenção das áreas verdes das vilas residenciais e da central em programas socioambientais com a comunidade.

O êxito do projeto-piloto levou a Prefeitura de Angra dos Reis a criar uma usina de compostagem municipal, com a assessoria da Eletrobras Eletronuclear.

Estrada

A pavimentação da estrada Paraty-Cunha é um dos condicionantes para a concessão da licença ambiental de Angra 3. A obra beneficiará os pequenos agricultores da região, que terão mais facilidade para escoar sua produção, e também para o turismo, uma vez que encurtará o trajeto entre o norte paulista e o litoral sul do Rio de Janeiro. Por estar localizada dentro do Parque da Serra da Bocaina, com 1.800 metros de altitude, a estrada se caracteriza por um grande número de aclives e declives, o que demandará uma obra de engenharia de grande porte, com a construção de contenções e pontes. Os custos serão divididos entre o governo do estado e a Eletrobras Eletronuclear e a assinatura do convênio está prevista para ser realizada ainda em 2013.

Temas de Políticas Públicas com os 3 Municípios

Meio ambiente                                                 106,4 milhões

Defesa civil                                                       15,4 milhões

Ação social                                                       13,0 milhões

Educação                                                          75,5 milhões

Obras/serviços públicos                                25,2 milhões

Atividades econômicas                                  31,8 milhões

Saúde                                                                154,4 milhões

Saneamento                                                     51,4 milhões

Cultura                                                               10,9 milhões

Total                                                                   484 milhões

Associação Brasileira de Energia Nuclear

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