Receba as newsletters da ABEN:
Imagem loading
English
Revista Brasil Nuclear Revista Brasil Nuclear

Pesquise uma Notícia

CAPA DA EDIÇÃO Nº 41
Ver Mais: EDIÇÃO Nº 48 : EDIÇÃO Nº 47 : EDIÇÃO Nº 46 : EDIÇÃO Nº 45 : EDIÇÃO Nº 44 : EDIÇÃO Nº 43 : EDIÇÃO Nº 42 : EDIÇÃO N° 40 : EDIÇÃO N° 39 : EDIÇÃO N° 38
Assinar a revista brasil nuclear ANUNCIE NA REVISTA BRASIL NUCLEAR
EDIÇÃO Nº 41

IEN: conhecimento, inovação e tecnologia para a sociedade

Com 51 anos de existência, o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) vem contribuindo para o domínio nacional de tecnologias e para a formação de recursos humanos na área nuclear.

Seu primeiro desafio, logo após ser criado, em 1962, foi a construção, instalação e operação do reator nuclear de pesquisa Argonauta, ainda em operação. Muitas aplicações desenvolvidas pelo IEN foram repassadas para a sociedade, através de licenciamento e transferência de tecnologia para empresas de vários setores, tais como equipamentos de radioproteção e medicina nuclear e técnicas de ultrassom para a avaliação de tensões residuais em vasos de contenção, dutos e soldas. O Instituto foi pioneiro no licenciamento de tecnologia com transferência de royalties, inclusive para os inventores, no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Atualmente vários projetos desenvolvidos pelo IEN, nas áreas de instrumentação, química e ensaio de materiais, têm pedidos de patente em andamento. Dentre os projetos desenvolvidos pelo serviço de Instrumentação da divisão de Engenharia Nuclear e que possuem pedidos de patentes já depositadas em fase de exame técnico e outros em fase inicial de solicitação de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) estão equipamentos voltados para a radioproteção e para a medicina nuclear. Os equipamentos de radioproteção têm, de maneira geral, sua maior aplicação na proteção radiológica tanto de indivíduos ocupacionalmente expostos que trabalham em instalações nucleares e radiativas, como plantas nucleares, clínicas e hospitais que lidam com radioterapia e radiodiagnóstico, como indivíduos do público em geral, na monitoração dos níveis de radiação nuclear a que porventura estejam expostos. Neste grupo estão: o monitor inteligente de radiação MIR7026 (patente depositada), o monitor de rejeitos hospitalares MRH7029 (patente depositada), o monitor de radiação MRA7027 (patente depositada) e o monitor modular remoto de radiação SMD7027 (solicitação de patente encaminhada).

Na área de medicina nuclear, o espectrômetro digital ESP13004 teve sua patente depositada. Em breve, será encaminhada a solicitação de patente da terceira geração do sistema portátil de captação para tireoide. De acordo com o engenheiro Carlos Borges da Silva, chefe substituto do serviço de Instrumentação, a segunda geração do Sistema de Captação para Tireoide 13S004, também conhecido por captador de tireoide, vem sendo utilizada frequentemente no Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Este sistema foi colocado em operação no ano de 2004 para realização dos exames preliminares de radiodiagnóstico da glândula tireoide por meio da medida do percentual de iodo radioativo absorvido após a administração do radiofármaco no paciente”, explica.

A terceira geração do captador de tireoide, que vem sendo desenvolvida pelo serviço de Instrumentação do IEN, apresenta características de maior portabilidade que proporcionam um alto grau de mobilidade mecânica ao sistema, favorecendo sua utilização tanto em salas de exames dos serviços de medicina nuclear como em leitos de quartos de hospital. “O objetivo é possibilitar ao usuário uma grande flexibilidade de operação, maior confiabilidade e rapidez nos exames”, informa Borges.

Radiofármacos

Desde junho, a carteira de clientes de radiofármacos do IEN triplicou, passando de seis para 18 clientes em seis estados e no Distrito Federal. O IEN produz iodo-123 na forma de iodeto de sódio (123I-Na), para o diagnóstico de disfunções da tireoide; meta-iodobenzilguanidina marcada com iodo-123 (123IMIBG), para diagnósticos em cardiologia; e flúor-desoxiglicose (18F-FDG), utilizados em tomógrafos de alta resolução PET para diagnósticos em cardiologia, oncologia, neurologia e neuropsiquiatria. Os radiofármacos são produzidos nos cíclotrons CV-28 e RDS-Eclipse, instalados, respectivamente, em 1974 e 2003. Apesar do tempo de vida de quase 40 anos, o CV-28 opera sem falhas, todos os dias úteis. Segundo o chefe da Divisão de Radiofármacos, Miguel Angelo Valle Bastos, isso se deve ao conhecimento do equipamento por parte dos técnicos do IEN. “Eles conhecem a máquina profundamente, e grande parte dela foi nacionalizada no decorrer desses anos todos”, afirma.

Futuramente, o IEN tem planos de investir no estudo da produção do iodo-124, um radiofármaco também voltado para o diagnóstico de disfunções da tireoide que, no entanto, apresenta duas vantagens sobre o iodo-123: pode ser utilizado em tomógrafos PET e dispõe de uma maior meia-vida (tempo em que a substância radioativa perde metade da sua atividade). Enquanto o iodo-123 tem meia-vida de 13,2 horas, o iodo-124 tem meia-vida de 4,18 dias, o que permite ser enviado com flexibilidade para regiões mais distantes do Rio de Janeiro.

Esforços estão sendo feitos no IEN para a implantação de dois novos radiofármacos, o 18F-Colina, para o diagnóstico de câncer de próstata, e 18F-FLT, para estudo de proliferação celular.

Segundo Miguel Angelo Bastos, a logística é um dos pontos críticos do processo de produção de radiofármacos. “Devido ao decaimento radioativo, travamos uma verdadeira briga contra o relógio desde o momento em que a substância deixa o instituto. Quanto mais longe é o destino, o processo é mais complexo. Nas entregas para outros estados, por exemplo, é preciso computar o tempo gasto no trajeto até o aeroporto (na origem e destino), o prazo de duas horas de antecedência exigido antes do embarque, além do tempo de voo e de desembaraço quando chega ao destino”, explica.

No caso do flúor-desoxiglicose (18F-FDG), que tem uma meia-vida em torno de 109 minutos, o tempo gasto na locomoção, mesmo sendo no Rio de Janeiro, demanda o envio de uma quantidade maior do radiofármaco. “A dose média aplicada no paciente é em média 10 milicuries (mCi). Mas, para que o médico possa dispor dessa dose para aplicar no paciente, após um trajeto de uma hora e meia a duas horas do Instituto até o hospital ou clínica, precisamos enviar em torno de 22 mCi, porque o elemento vai perdendo atividade durante o transporte”, diz Bastos. É necessário, ainda, computar no processo o tempo de duração do procedimento e o tempo de espera do paciente entre os exames. Portanto, se a realização de cinco exames teoricamente demandaria cinco doses (50 mCi), na realidade o IEN envia uma quantidade maior do radiofármaco. Bastos dá um exemplo: “Se o Instituto Nacional do Câncer (Inca) pede em torno de oito doses, não podemos enviar somente 80 mCi. Nós enviamos em torno de 460 mCi para termos certeza de que sejam injetados 10 mCi no último paciente a fazer o exame”.

O IEN está iniciando o processo de construção de uma nova unidade de produção de radiofármacos, que irá atender a todos os critérios de boa prática de fabricação que são exigidos pela nova legislação da Anvisa. A previsão é que o término das obras aconteça até o final de 2014.

Participação no RMB

Foi inaugurada, em maio passado, a expansão do laboratório de termo-hidráulica do IEN, que desenvolve pesquisas voltadas para estudos básicos do fluido do circuito primário de refrigeração de centrais nucleares do tipo PWR (como as usinas nucleares brasileiras), além de técnicas para medição de escoamentos bifásicos e circulação natural. O laboratório também dá suporte experimental ao desenvolvimento de programas computacionais para simulação termo-hidráulica de reatores nucleares.

A expansão do laboratório contribuirá para a participação do IEN no projeto conceitual do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). Um grupo de tecnologistas do Instituto faz parte da equipe responsável pelo projeto do sistema de refrigeração do reator. Nas novas instalações serão realizadas simulações em escala reduzida da circulação natural na piscina do sistema primário.

Associação Brasileira de Energia Nuclear

Av. Rio Branco, 53, 17º andar, sala 1.702 - Centro Rio de Janeiro (RJ) - CEP 20.090-004 Tel/Fax: (21) 2203-0577 / 2266-0480