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EDIÇÃO N° 40

INB avança no enriquecimento

Bernardo Mendes Barata

A expectativa da empresa é, até 2016, atender a 100% da demanda de Angra 1 e a 20% de Angra 2 e, em 2020, às necessidades das três usinas

Em outubro do ano passado, quando foi inaugurado o primeiro dos quatro módulos da primeira fase da Unidade de Enriquecimento de Urânio da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Resende, município do interior do Estado do Rio de Janeiro, o Brasil deu um importante passo na busca da autossuficiência da geração nuclear. As quatro cascatas de ultracentrífugas que formam esse módulo fazem parte de um investimento total de R$ 580 milhões, estimado para a primeira fase da Unidade de Enriquecimento da FCN.

A estimativa é que a implantação dos próximos módulos da primeira fase obedeça ao seguinte cronograma: módulo 2 em meados de 2014; módulo 3 em 2015; e módulo 4 em 2016. A primeira fase terá, no total, dez cascatas de ultracentrífugas, sendo quatro do módulo 1, duas do módulo 2, duas do módulo 3 e duas do módulo 4. “Essa fase será capaz de atender a 100% da demanda da usina de Angra 1 e a 20% de Angra 2”, afirma o diretor técnico de Enriquecimento da INB, Arthur Paraizo Campos.

Como o Brasil deverá contar com uma terceira usina nuclear (Angra 3), prevista para entrar em operação em 2016, a INB já se mobiliza para atender ao aumento de demanda de urânio enriquecido. A Unidade de Enriquecimento da FCN terá uma segunda fase para complementar os 80% restantes das necessidades de Angra 2 e 100% das demandas de Angra 3. Campos informa que o planejamento das atividades industriais da INB prevê a conclusão da segunda fase em 2020, “em função da alocação dos recursos previstos para a implantação dos módulos, incluindo a expansão da capacidade de fabricação e o desenvolvimento tecnológico das ultracentrífugas”. Segundo ele, estima-se que a segunda fase envolverá a implantação de mais oito módulos, com duas cascatas em cada um, de modo a atender às necessidades das três usinas.

De acordo com Campos, considerando a autossuficiência para atendimento das necessidades das centrais nucleares de Angra 1, 2 e 3, os recursos do Tesouro previstos para investimento na infraestrutura da segunda fase (projetos, obras e maquinários) são da ordem de R$ 1,8 bilhão. Já os recursos estimados para a construção da Unidade Tecnológica de Separação Isotópica (UTSI), destinada à fabricação de ultracentrífugas, são da ordem de R$ 135 milhões. “Outras fases de expansão dependerão exclusivamente da quantidade de urânio enriquecido demandada pelas centrais nucleares futuras e da efetiva alocação dos recursos financeiros necessários”, complementa.

O desafio da regularidade de recursos

Para o diretor da INB, o domínio da tecnologia de enriquecimento do urânio tem valor estratégico, econômico e tecnológico para o país. “Em termos estratégicos e tecnológicos, a produção de urânio enriquecido na INB envolve a aplicação de tecnologias sofisticadas, de domínio por poucos países, que não transferem esse conhecimento. Esse desenvolvimento abrange consideráveis investimentos, representando cerca de 35% do custo total de fabricação do combustível nuclear”, assinala.

Campos crê que o domínio, pelo Brasil, do conhecimento de todas as etapas do ciclo do combustível nuclear, associado à produção de energia nucleoelétrica, angariou o respeito da comunidade científica internacional. E que “a implantação de instalações nucleares para processamento de todas as etapas do ciclo do combustível, associada à disponibilidade de reservas de urânio existentes em nosso território, proporcionará ao Brasil a almejada independência tecnológica e comercial no uso pacífico da energia nuclear”. Mas, “considera-se como desafio principal a obtenção de um fluxo regular de recursos federais de investimento, de forma a propiciar a continuidade de contratação de serviços de engenharia e fornecimento de equipamentos e materiais necessários à expansão da atual infraestrutura, em conformidade com o planejamento realizado pela INB”, afirma.

Parceria com CTMSP

A INB, subordinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), subordinado ao Ministério da Defesa (MD), são parceiros de longa data no desenvolvimento de uma planta industrial de enriquecimento, em Resende. Atualmente, estão trabalhando na futura construção da Unidade Tecnológica de Separação Isotópica para fabricar ultracentrífugas, o que acelerará o processo de implantação de módulos de cascatas na FCN. Na visão de Arthur Paraizo Campos, “essa parceria estratégica entre INB e CTMSP continuará propiciando economia de divisas para o país”.

Em relação às reservas geológicas de urânio, o Brasil possui a sexta maior do mundo (aproximadamente 309 mil toneladas) com apenas 30% do território prospectado. Embora esse quantitativo permita o suprimento das necessidades dos reatores nacionais em longo prazo, o diretor técnico de Enriquecimento da INB defende a retomada da prospecção. “Associados ao crescimento da demanda que a potencial construção de novas centrais nucleares certamente vai impor, os trabalhos de prospecção e de mineração de novas jazidas precisarão ser intensificados”, frisa.

Necessidade estratégica

Na cerimônia de inauguração do primeiro módulo da primeira fase da Unidade de Enriquecimento da FCN, que também marcou o trigésimo aniversário de operação da FCN Componentes e Montagem, o titular do MCTI, Marco Antonio Raupp, defendeu o uso da energia nuclear, por sua aplicação em várias áreas. “Precisamos da energia nuclear estrategicamente. Os reatores não só produzem energia, mas também medicamentos. Nenhuma população hoje vive sem medicamentos nucleares para a cura do câncer. A energia nuclear também é limpa e o Programa Nuclear Brasileiro é um sucesso”, afirmou na ocasião.

Como funciona uma cascata de ultracentrífugas

Uma unidade de enriquecimento industrial é composta de várias cascatas, que são configurações com inúmeras ultracentrífugas interligadas em paralelo e série, para processar grandes quantidades de urânio natural, na forma de hexafluoreto de urânio (UF6), e multiplicar o efeito diminuto de enriquecimento em uma única centrífuga, de modo a atingir a necessária concentração de 4% do isótopo urânio-235, para fabricar os elementos combustíveis dos reatores que são usados em Angra dos Reis.

Nova diretoria da INB toma posse

Em solenidade presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e que contou com a presença de autoridades, empresários e personalidades do setor nuclear e do meio acadêmico, tomou posse no dia 12 de abril a nova diretoria das Indústrias Nucleares do Brasil. O novo presidente da empresa é o físico e engenheiro nuclear Aquilino Senra. Também integram a diretoria Flávio da Cunha (diretor de Finanças e Administração), Marcos Antonio de Oliveira (diretor de Recursos Minerais) e Renato Vieira da Costa (diretor de Produção do Combustível Nuclear).

Em seu discurso, Aquilino Senra afirmou que a sua responsabilidade maior à frente da INB é preservar as conquistas do passado e promover as transformações necessárias para que a empresa esteja preparada para enfrentar os desafios que tem pela frente nos próximos anos. “Vivemos em um mundo de mudanças, um mundo em que a única convicção é a de que a transformação atual apenas precede à próxima”, disse. Ele classificou como “inaceitável” o fato de o Brasil atualmente importar urânio natural, quando possui a sétima maior reserva do minério no planeta. “É uma situação que necessita ser revertida urgentemente, mesmo sabendo-se da demora no licenciamento e execução de novos projetos de produção de urânio”.

O ministro Marco Antonio Raupp encerrou a cerimônia afirmando que “precisamos dar à energia nuclear a importância correspondente à sua imensa capacidade de contribuir para o desenvolvimento do Brasil”.

Graduado em Física, Aquilino Senra possui mestrado e doutorado em Engenharia Nuclear pela Coppe/UFRJ, instituição da qual foi vice-diretor por dois mandatos (2007 a 2013). Senra presidiu a Comissão de Pesquisa e Tecnologia da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) no período 1984-1985 e também foi membro da Comissão Consultiva de Radioproteção e Segurança Nuclear do Conselho Superior de Política Nuclear (1988-1990) e do Grupo de Trabalho de Avaliação do Programa Nacional de Energia Nuclear (1991-1992), ambos ligados à Presidência da República.

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