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EDIÇÃO N° 40

Contenção metálica de Angra 3 começa a tomar forma

Vera Dantas

Um marco importante na construção de Angra 3 foi atingido no final de outubro: a fixação da contenção metálica, que será uma das principais barreiras de proteção contra acidentes graves na usina, à base do edifício do reator. Esse procedimento é de grande importância para as obras, na medida em que permitiu o início da construção do prédio interno que abrigará os equipamentos nucleares da usina (reator, geradores de vapor, bombas, tubulações e pressurizador).

O edifício do reator da usina, que é onde ocorre a fissão nuclear, estará totalmente protegido contra impactos externos por duas esferas, que também atuarão como barreiras para evitar qualquer liberação de radioatividade para o meio ambiente: uma interna, de aço, e outra externa, de concreto. Quando estiver concluída, a contenção metálica interna pesará 3 mil toneladas, com 56 metros de diâmetro e 30 milímetros de espessura.

A contenção metálica é construída a partir de chapas de aço especial de alta resistência que são previamente conformadas em fábrica. No canteiro de obras, essas chapas são soldadas entre si, formando zonas. O processo de soldagem e montagem da esfera metálica será feito em três etapas. A montagem da primeira etapa, dividida em zonas de soldagem, foi iniciada em julho de 2011. As peças metálicas que formam as quatro primeiras zonas ficaram apoiadas sobre suportes circunferenciais até serem soldadas. Em outubro de 2012, com a conclusão da quarta zona de soldagem, um terço da esfera estava conformada. Nesse momento, teve início a operação para fixar a estrutura, que pesa 450 toneladas, na calota de concreto.

Ao final da montagem da quarta zona, os suportes temporários das zonas 1, 2 e 4 foram removidos e o espaço entre a estrutura de concreto foi preenchido com água, provocando a flutuação e elevação de cerca de 50 centímetros da enorme semiesfera de metal. Em seguida, foi feita a retirada dos suportes da zona 3 e a drenagem da água, de modo a permitir o pouso suave da semiesfera de contenção sobre calços de madeira. Finalmente, o espaço entre a semiesfera e a base foi preenchido com concreto. O processo inteiro durou quatro semanas. A partir desse momento, a construção do edifício interno pôde ser iniciada. E o trabalho de montagem da contenção de aço foi retomado.

Os processos de montagem da esfera metálica e de construção civil são realizados paralelamente. Após a soldagem das zonas 5, 6 e 7, a montagem da esfera é interrompida, enquanto a construção civil continua. Quando o edifício chegar à altura do “equador” da usina, a soldagem e o assentamento da esfera metálica de contenção serão retomados. “Como a esfera é uma estrutura sólida e fechada, é como se fôssemos construir um prédio dentro de uma panela”, ilustra o superintendente de Construção da Eletronuclear, José Eduardo Costa Mattos. “Depois que a construção civil estiver pronta, podemos fechar a contenção metálica e, posteriormente, a de concreto. Com isso, terminamos o prédio do reator”, completa.

Segundo o engenheiro Humberto Bon, responsável pelo projeto mecânico da contenção, embora a construção da esfera metálica e das estruturas dos prédios interno e externo do edifício do reator sejam independentes, as duas obras precisam manter uma interface contínua. “Antes da soldagem, é preciso alinhar e posicionar as zonas da contenção. Como as placas são muito pesadas, é preciso utilizar as estruturas dos prédios civis interno e externo para apoiá-las e mantê-las em posição”, explica. Bon participou da montagem e dos testes de aceitação da contenção de Angra 2. “A experiência dele está sendo extremamente valiosa para nós, agora”, afirma o superintendente de Engenharia para Angra 3, Lúcio Ferrari.

O prazo previsto para conclusão das obras de construção civil é de 18 meses, contados a partir de dezembro. Em janeiro último, foi colocada a armadura da primeira laje de concreto do edifício do reator. Já o fechamento da esfera metálica demandará mais nove meses de trabalho.

Angra 3 está com cerca de 40% das obras civis concluídas. A expectativa da Eletronuclear é que a unidade - que acrescentará 1.405 megawatts ao sistema elétrico nacional - comece a gerar energia em julho de 2016.

Testes rigorosos

Classificada como um equipamento de segurança, a contenção tem como função impedir a liberação de radiação para o meio ambiente na eventualidade de um acidente. O engenheiro Humberto Bon explica o seu funcionamento:

“Durante a operação do reator, o interior da esfera é mantido em pressão negativa, ou seja, uma pressão abaixo da pressão atmosférica. Isso é necessário para evitar que escape radioatividade em caso de algum defeito. Como a contenção trabalha com o que chamamos de subpressão, se houver defeito, o ar da parte externa passará para dentro e nunca o contrário. A pressão só fica elevada se houver um acidente e, nesse caso, a contenção resiste às condições mais severas desse acidente postulado.”

Baseado em requisitos técnicos e normas específicas a serem cumpridas ao longo de todo o período de construção e montagem, o projeto do vaso de contenção é previamente aprovado pela Eletronuclear e por um perito independente. “Ao final da construção, a contenção é submetida aos testes de aceitação, que comprovam a qualidade e o cumprimento de todos os requisitos de segurança. Um dos testes realizados é o de sobrepressão, que consiste em pressurizar a parte interna da contenção com uma pressão elevada, simulando os casos de acidentes”, explica Lúcio Ferrari.

Todas as atividades de construção da contenção metálica estão sob responsabilidade da Confab Montagens, com supervisão da Eletronuclear. A empresa possui competência nesse tipo de projeto, pois foi a responsável pela execução da contenção de Angra 2 e recebeu tecnologia de empresa alemã.

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