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EDIÇÃO Nº 46

Finep libera recursos para projetos de seis institutos da Cnen

Bernardo Mendes Barata e Vera Dantas

Em meio à crise econômica que o Brasil atravessou em 2016, uma boa notícia para o setor de ciência e tecnologia surgiu no fim de agosto, quando saiu o resultado final de um edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) destinado a liberar mais de R$ 190 milhões para 21 institutos de pesquisa vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Esses recursos, não reembolsáveis, são do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e devem ser liberados durante cinco anos. Seis instituições vinculadas à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) foram contempladas no edital: Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), Centro de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE), Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) e Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD).

Os recursos serão destinados a ampliar as atividades multiusuárias dos institutos e o desenvolvimento de projetos inovadores e que atendem às demandas de diversas áreas da sociedade, como é o caso de uma unidade móvel com um acelerador de feixe de elétrons voltada para aplicações como o tratamento e reciclagem de efluentes industriais, que está sendo desenvolvida pelo Ipen. Existem apenas cinco unidades semelhantes em operação no mundo. Outro projeto inovador é o da implantação, pelo CRCN-NE, do primeiro laboratório do Nordeste dedicado à obtenção de imagens moleculares em cobaias por meio da tecnologia PET-CT.

CDTN

Dos institutos vinculados à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o CDTN é o que vai receber a maior parcela de recursos do edital da Finep, com um montante de R$ 15,7 milhões. Os recursos serão aplicados na modernização de vários laboratórios multiusuários voltados para pesquisa nas áreas de saúde, meio ambiente, nanotecnologia, radiações e proteção radiológica. O projeto, que chegou à casa dos R$ 20 milhões, objetiva garantir a manutenção destes laboratórios pelos próximos cinco anos, tanto adquirindo novos equipamentos e sistemas acessórios para modernizar a competência técnica, como contratando pessoal especializado e bolsistas para operá-los. Está previsto o envolvimento de 43 pesquisadores e 15 pessoas de apoio técnico do CDTN, além da contratação de três profissionais e sete bolsistas.

"O projeto vem em boa hora. Uma ótima notícia nesse cenário de restrições orçamentárias", avalia o diretor do CDTN, Waldemar Macedo. Ele reforça que, para alguns laboratórios, os recursos são vitais. "O Laboratório de Radiação Gama tem uma fonte de cobalto-60 que precisa ser renovada a cada cinco anos e custa cerca de R$ 3,5 milhões. Não tínhamos a menor possibilidade de fazer isso. Esse projeto vai dar uma sobrevida a esse laboratório, que vai ter sua capacidade produtiva restaurada", afirma.

O laboratório é utilizado em várias aplicações, como no tratamento de sangue e hemoderivados. Além da nova fonte de cobalto-60 para o Laboratório de Radiação Gama, serão adquiridos monitores de radiação diversos para a proteção radiológica, de forma a aumentar a capacidade de atendimento às demandas internas e externas ao CDTN e sistemas acessórios para aumentar a capacidade de dosimetria interna e para modernização da metodologia de avaliação da qualidade de imagem em mamografia. Outros equipamentos e sistemas, além de capacitação de pessoas, permitirão a consolidação das técnicas nucleares aplicadas ao meio ambiente e a modernização e fortalecimento dos laboratórios de nanotecnologia e materiais avançados, de integridade estrutural e de caracterização de minerais.

Sediado em Minas Gerais, o CDTN é uma instituição multidisciplinar com quatro grandes áreas de competência (Materiais e Minerais, Saúde, Meio Ambiente e Tecnologia de Reatores), que mantém um programa de pós-graduação abrangente, com 130 alunos ativos.

Ipen

O Ipen foi contemplado com o total de R$ 13,5 milhões no edital da Finep, que serão destinados à aquisição e à manutenção de equipamentos e contratação de pessoal para fortalecimento e operacionalização de seus laboratórios multiusuários. O Ipen já possui quatro Laboratórios de Equipamentos Multiusuários (LEM) de Pesquisa e outros dois em estruturação, que proporcionam acesso garantido para pesquisadores entre os centros de pesquisa e de outras instituições.

Um dos principais subprojetos aprovados pelo edital, no valor de R$ 2,38 milhões, destina-se ao projeto, desenvolvimento e construção de um acelerador de elétrons móvel com energia de 700keV para ser utilizado no tratamento de resíduos líquidos (degradação de compostos orgânicos e redução de carga microbiana), sólidos (redução de carga microbiana em lodo proveniente de ETE) e gasosos (tratamento de gases de combustão provenientes de termoelétricas a carvão mineral ou óleo). Segundo o diretor da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino (DPDE) do Ipen, Marcelo Linardi, o objetivo do projeto é levar a tecnologia do uso da radiação ionizante, por meio da unidade móvel, para desenvolvimentos, testes e uso específico industrial. "A unidade serve também para demonstrar a viabilidade técnico-econômica, possibilitando à empresa a instalação de um acelerador de elétrons in house, integrado à produção. Esta técnica é altamente competitiva às tecnologias convencionais do mercado, mas carece de desenvolvimento e comprovação para cada caso específico. Unidades móveis com este equipamento são de alta tecnologia, havendo no mundo apenas cinco unidades, nos EUA, Alemanha, França, Coréia do Sul e Japão", explica ele.

As unidades móveis vão levar o caráter multiusuário do projeto para além das fronteiras do Ipen, tanto no que se refere à atividade de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) como à prestação de serviços. "Oferecemos, com estes subprojetos, nossa expertise de mais de 30 anos nesta área à sociedade e a qualquer instituição no Brasil, que queira fazer P&D com um irradiador de elétrons, equipamento não óbvio e nem de fácil acesso, de uma maneira geral", afirma Linardi.

Aceleradores de elétrons móveis são de alta tecnologia, havendo no mundo apenas cinco unidades, nos EUA, Alemanha, França, Coreia do Sul e Japão

O Centro de Tecnologia das Radiações (CTR) do Ipen desenvolve trabalhos de P&D em tratamento de resíduos sólidos, líquidos e gasosos utilizando a radiação ionizante (raios gama e feixe de elétrons) desde 1992. Após vários experimentos em escala de laboratório, foi construída uma planta piloto com capacidade para tratamento de resíduos líquidos de 3 m³/h, no Acelerador Industrial de Elétrons de 1,5MeV do Centro. Em função da necessidade da demonstração da tecnologia e prestação de serviço tecnológico na própria indústria, o Centro iniciou, em 2004, estudo de viabilidade técnica e econômica da unidade móvel para tratamento de efluentes industriais com feixe de elétrons. Hoje, em função das aprovações do Projeto Finep e da AIEA, a unidade móvel com tecnologia nacional deverá iniciar operações em 2018.

O projeto aprovado pelo edital da Finep também contempla a aquisição de uma plataforma de imagem digital por laser voltada para avaliar, através da análise da fisiologia celular, os efeitos de qualquer substância (dosimetria biológica, pesquisa de radiofármacos, biofármacos e nanocompostos, por exemplo) em sistemas in vitro. Com custo previsto de R$ 2 milhões, o equipamento pode ser usado para a avaliação de trabalhadores expostos à radiação ou em estudos ambientais. Pode, em alguns casos, ser utilizado também em substituição a estudos in vivo que utiliza animais.

Também foi aprovada a aquisição de um espectrômetro de fotoelétrons excitados por raios-X, no valor de R$ 2,5 milhões. O equipamento, de alta tecnologia, possui alto caráter multiusuário, uma vez que fornece informações fundamentais para apoio às pesquisas que envolvem diretamente as tecnologias de troca e crescimento superficial.

CRCN-NE

O CRCN-NE foi contemplado com pouco mais de R$ 8 milhões para o projeto do Centro Nuclear Multiusuários para Atividades Estratégicas e Inovadoras do Nordeste (Cenuno). Além de continuar as atividades multiusuários do CRCN-NE com relação aos ensaios metrológicos em feixes de raios-X, às dosimetrias individual e biológica e às análises químicas e radiométricas, o projeto Cenuno contemplará a implantação do primeiro laboratório de calibração de medidores de ultrabaixas correntes elétricas, disponibilizará infraestrutura para novas tecnologias de imagens PET e proverá estrutura inovadora para avaliação de biomarcadores e radioprotetores.

Uma grande inovação do projeto Cenuno é a implantação de um laboratório dedicado à obtenção de imagens moleculares em cobaias por meio da tecnologia PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons). Para tanto, será adquirido um tomógrafo PET de pequeno porte, com custo estimado em R$ 1,7 milhão. O sistema, integrado pelo equipamento de imagens, workstations, softwares e sistema de anestesia, "será indispensável para a realização de experimentação com pequenos animais, no desenvolvimento de novos radiofármacos, novas estratégias de vetorização de radiofármacos, estudos de neurociência, estudos farmacofisiológicos, entre outros", informa o diretor do CRCN-NE, Fernando Roberto de Andrade Lima.

A aquisição do micro PET-CT, que será o primeiro da região Nordeste, faz parte de um projeto do CRCN-NE de ampliar a sua produção de radiofármacos de meia-vida curta. Hoje, o Centro produz o radiofármaco FDG-18, que é fornecido para hospitais e clínicas da região. Mas, para obter o registro de novos radiofármacos, será preciso realizar testes clínicos em animais e, depois, em pessoas, uma das exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "O micro PET-CT vai permitir estabelecer a taxa de dose adequada que pode ser aplicada sem afetar a saúde das pessoas", explica o coordenador do projeto, Elvis Joacir de França.

Outra área beneficiada com os recursos do edital da Finep é a de radioproteção. "Os nossos equipamentos, com quase 20 anos de atividade, estão obsoletos, o que dificulta a manutenção", explica o pesquisador Clayton Augusto Benevides. A área de dosimetria termoluminescente será equipada com uma nova leitora de TLD, "mais dinâmica com relação à diversidade de materiais e à capacidade de aumentar o número de usuários, uma vez que as antigas leitoras do CRCN-NE não conseguem suprir a demanda de usuários", completa.

O também pesquisador Fernando Roberto de Andrade Lima está bastante satisfeito com o volume de recursos destinado pela Finep ao CRCN-NE. "Estamos satisfeitos com a captação destes recursos não só em função do pequeno número de doutores que possuímos quando comparado ao que foi destinado aos demais institutos, mas, principalmente, porque essa verba, se dividida pelo prazo de cinco anos, ultrapassa o nosso orçamento anual. Portanto, foi um resultado muito satisfatório para nós, em um ano difícil, como foi 2016", comemora.

IEN

O IEN, do Rio de Janeiro, vai receber R$ 8,9 milhões para a modernização e adequação das instalações do Reator Argonauta e de laboratórios associados. Com 50 anos de atividades, o reator Argonauta ganhará novos sistemas operacionais, de instrumentação de segurança e controle de proteção radiológica. O responsável pelo projeto, Francisco Ferreira, que trabalha com o Argonauta há 30 anos, prevê que, com os melhoramentos e a aplicação de um bom plano de manutenção preventiva, o reator terá ainda uma longa vida útil pela frente.

O reator Argonauta foi projetado no Laboratório de Argonne nos EUA, cuja finalidade foi desenvolver um reator de baixa potência e bastante seguro, de modo que pudesse ser instalado em centros universitários, visando principalmente o treinamento de alunos na área tecnológica, e assim disseminar a energia nuclear e seus benefícios. Em seus primeiros 15 anos, o Argonauta foi utilizado para coleta de parâmetros nucleares, que alimentavam um banco de dados internacional, e principalmente, para treinamento e formação de pessoal, com cursos práticos e pesquisas acadêmicas. A espectrometria era uma das técnicas empregadas. A partir da década de 1980, na busca por novos usos do feixe de nêutrons térmicos do reator, vieram as pesquisas usando técnicas como neutrongrafia com filmes radiológicos e análise por ativação.

Da década de 1990 em diante, as atividades do reator foram ampliadas com o desenvolvimento de técnicas nucleares para análises não destrutivas de materiais, com aplicações diversas. Além das metodologias já utilizadas, criaram-se linhas de pesquisa com produção de radioisótopos e tomografia com nêutrons. Recentemente, segundo Francisco Ferreira, o Argonauta tem sido utilizado como laboratório de validação de simulações computacionais realizadas com código de transporte de partículas (MCNP) e ambientes de realidade virtual.

Nos 50 anos de operação, foram desenvolvidas nas instalações do reator mais de 80 pesquisas para dissertações de mestrado e teses de doutorado, nas áreas de técnicas nucleares e física experimental de reatores.

O Argonauta também é utilizado no desenvolvimento de técnicas nucleares para análises não destrutivas na indústria, agricultura, segurança, meio ambiente, ciências biológicas e outras áreas como: ensaios não destrutivos aplicando a técnica neutrongráfica na inspeção de controle de qualidade de componentes usados na indústria aeroespacial; detecção de drogas ilícitas e explosivos aplicando a tomografia computadorizada com nêutrons; detecção de microbactérias aplicando a neutrongrafia com detectores de traços; determinação de nutrientes em leite materno aplicado à técnica de Análise por Ativação Neutrônica; análise de poluentes em sistemas de tratamento e ecológicos.

A radiação produzida pelo Argonauta é utilizada no desenvolvimento de técnicas nucleares para análises não destrutivas na indústria, agricultura, segurança, meio ambiente, ciências biológicas e outras áreas.

IRD

O Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), no Rio de Janeiro, receberá R$ 8,8 milhões para o projeto "Ampliação e modernização da Infraestrutura de análise instrumental e de dados computacionais dos laboratórios de pesquisa do IRD". Esses recursos são voltados para a compra de equipamentos, modernização de laboratórios multiusuários e contratação de pessoal qualificado.

O diretor do IRD, José Ubiratan Delgado, explicou que o projeto abrange cinco linhas de pesquisa da instituição: metrologia científica, monitoração individual, radiobiologia e radioecologia, física médica e rede de armazenamento de dados para simulação. "O nosso foco na qualidade e na excelência da pesquisa científica, dos serviços, e da formação de pessoal de alto nível é fundamental e esses recursos são de extrema importância nesse momento", exalta Delgado.

Enquanto no campo da metrologia científica o IRD desenvolve um trabalho multiusuário na rede brasileira de calibração e medição, o objetivo da monitoração individual é fazer um controle ocupacional no país inteiro para quem utiliza radiação ionizante - trabalhadores e pacientes.

"Esse projeto vai trazer tudo que sonhamos, mas que não conseguíamos ter até então, em virtude de verbas limitadas"
José Ubiratan Delgado

O trabalho de radiobiologia e radioecologia, desenvolvido há cerca de três décadas no IRD, engloba pesquisas no campo da hidrologia isotópica, fluxo de rios e águas fluviais, com a aplicação de radioisótopos e realização de estudos radiométricos a fim de observar e propor soluções para problemas ambientais. O diretor do IRD explica que há a ideia de juntar diferentes grupos de produção científica e inovação tecnológica para aumentar a "sinergia entre instituições em todo o país".

Já na área de física médica, o IRD atua na melhoria de metodologias nos campos da dosimetria e proteção radiológica para profissionais e pacientes. Segundo José Delgado, há um grupo na instituição com mais de 30 anos de experiência que faz trabalhos junto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aperfeiçoar critérios e práticas de radiodiagnósticos.

Por fim, a parte de rede de armazenamento de dados para simulação está inserida no setor de tecnologia da informação. Há modelos matemáticos, programas e estudos avançados tocados em conjunto com importantes entidades como o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), o CDTN e o IEN.

"Os recursos da Finep vão reforçar a infraestrutura, as equipes multiusuárias e as redes de colaboração com outras instituições. Sou um profundo entusiasta do projeto. Ele vai trazer tudo que sonhamos, mas que não conseguíamos ter até então, em virtude de verbas limitadas. Esses recursos aumentarão a inserção do IRD na sociedade, consolidando cada vez mais sua missão de promover o uso seguro da radiação no país", comemora Delgado.

Os quase R$ 9 milhões destinados ao IRD serão desembolsados durante meia década, mas o diretor acredita que parte da verba apareça já este ano. "A expectativa é de receber recursos em 2017. Vai ser muito difícil manter o IRD sem esses investimentos, pois a ideia é ter alguns equipamentos em breve. As cinco linhas de pesquisa estão no mesmo grau de relevância, mas cada uma tem sua dificuldade. Outro fator que nos afeta é a variação cambial, pois muitos materiais são importados", comenta. E frisa: "Estou muito satisfeito com a expectativa de poder usar recursos em 2017, formar equipes, colocar projetos à frente e estabelecer parcerias. Todas essas áreas fazem parte da tradição do IRD".

Assim como outras instituições públicas, o IRD sofre com a perda de pessoal experiente em decorrência de aposentadorias, assinala José Delgado. De acordo com ele, é uma tarefa muito difícil repor mão de obra altamente qualificada durante 20 ou 30 anos sem passar pelo mecanismo de gestão e transmissão do conhecimento. Dos 249 funcionários que o IRD tinha no início de 2016, restam cerca de 200. Com o aporte financeiro da Finep, esse problema vai ser amenizado, pois o IRD poderá contratar alguns temporários que, futuramente, poderão ingressar definitivamente nos quadros do instituto, quando forem realizados concursos públicos para a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). "Desse modo, receberemos pessoal com alguma experiência. Será ótimo", finaliza o diretor do IRD.

CRCN-CO

O projeto do CRCN-CO aprovado no edital da Finep, no valor de R$ 1,2 milhões, tem como objetivo equipar e adequar seus laboratórios de Radioproteção e Radioecologia para atender às demandas de pesquisa e formação de recursos humanos na área de radioproteção no meio ambiente e na saúde do Estado de Goiás. Sua finalidade também será a de permitir o uso de equipamentos por usuários externos, de instituições de pesquisa e órgãos ambientais. Atualmente, muitas demandas de desenvolvimento técnico-científico que chegam aos laboratórios do CRCN-CO não podem ser atendidas, devido à falta de equipamentos, recursos humanos e implementação de algumas metodologias.

Hoje, os laboratórios do CRCN-CO têm como principal missão, em termos de análises rotineiras, determinar os teores de Cs-137 em água, solo, sedimento, vegetação e ar, nas áreas impactadas da cidade de Goiânia e seu entorno, e no Parque Telma Ortegal, que abriga os depósitos definitivos do acidente radiológico ocorrido em Goiânia, em 1987. Os laboratórios desenvolvem, também, pesquisas voltadas para as análises de radionuclídeos, mediante o desenvolvimento de um projeto de pesquisa em parceria com a Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa) e Saneamento de Goiás (Saneago), sobre a potabilidade da água quanto à radioatividade. Desenvolve, ainda, na área da saúde, pesquisa de avaliação de risco de câncer radioinduzido em exames de radiodiagnóstico, projeto realizado em parceria com a Suvisa e a Universidade Federal de Goiás (UFG). Além de realizar em suas instalações pesquisas e programas sobre gestão de rejeitos radioativos oriundos de atividades associadas à indústria, medicina, pesquisa, etc.

Alguns dos laboratórios do CRCN-CO utilizam os mesmos equipamentos desde 1997. Devido à sua obsolescência, demandam uma grande quantidade de paradas de manutenção, atualizações e reposições de peças, além de não apresentarem condições competitivas para publicações nacionais e internacionais.

Um equipamento fundamental nos trabalhos rotineiros do CRCN-CO é o Espectrômetro Gamma, que faz análises de Césio-137 no depósito definitivo e nas áreas remediadas do acidente radiológico ocorrido em Goiânia, em 1987. O que está em uso, tanto a sua eficiência quanto a sua resolução são consideradas baixas em relação aos equipamentos usados no mercado atual. A aquisição de um novo aparelho, viabilizada pelo edital da Finep, permitirá a ampliação da pesquisa nessa área.

Os novos serão utilizados para ampliar as análises de isótopos radiativos e/ou metais pesados nas matrizes ambientais e possibilitar aos multiusuários (CRCN-CO, Saneago, Suvisa, UFG) desenvolver projetos de pesquisas, em radioproteção e dosimetria, voltados para as áreas do agronegócio, indústrias, mineradoras, saúde e meio ambiente.

No CRCN-CO, na área de saúde, os equipamentos propiciarão a otimização de técnicas em radiodiagnóstico e estudos epidemiológicos dos efeitos do uso das radiações ionizantes no indivíduo do público e indivíduo ocupacionalmente exposto.

Na área do meio ambiente, os equipamentos auxiliarão o desenvolvimento de metodologias para implantação de técnicas analíticas que possibilitem a caracterização de radionuclídeos e metais pesados em matrizes ambientais (águas, radônio, alimentos, solo). Também permitirão desenvolver projeto para avaliação dos níveis de radiação gama no meio ambiente, em municípios goianos, subsidiando estudos do agronegócio, sustentabilidade ambiental, recursos hídricos e segurança radiológica da população goiana.

Será substituído o equipamento Espectrometria Gama, do laboratório de Radioecologia, utilizado nas análises de amostras ambientais (solo, sedimento, água e vegetação), em que alguns dos resultados são usados para elaboração do Programa de Monitoração Radiológico Ambiental (PMRA) do Repositório Definitivo de Abadia de Goiás e das áreas remediadas após o acidente radiológico com o Césio-137, no município de Goiânia. O atual equipamento está obsoleto, não atendendo a outros tipos de análises devido à baixa eficiência e resolução em relação a outros mais modernos.

Também será adquirido um Monitor de Área Simples com um detector gama incorporado, para gerenciamento de rejeitos em instalação radiativa do tipo depósito intermediário (instalação de pesquisa). O equipamento será usado em cursos e treinamentos na área de radioproteção, para formação de pessoal qualificado na área de gerenciamento de rejeitos radioativos. Geralmente, solicitam tal treinamento, o pessoal da vigilância sanitária, exército, bombeiros e defesa civil. Todos os equipamentos serão usados por uma comissão de usuários, parceiras do CRCN-CO.

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