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EDIÇÃO Nº 46

INB prepara a segunda fase do enriquecimento

Início será em 2019, com prazo previsto de oito anos de duração

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) já está preparando a entrada na segunda fase do enriquecimento isotópico de urânio, prevista para 2019. A empresa espera encerrar até essa data a primeira fase do projeto de enriquecimento, atualmente em curso, quando serão atendidas 100% das necessidades de urânio enriquecido da usina nuclear Angra 1. Na segunda fase, que deverá ter oito anos de duração, o objetivo é atender também as necessidades das usinas Angra 2 e Angra 3 e, ainda, contar com uma produção adicional para exportação.

Atualmente, a usina de enriquecimento da INB, localizada no município de Resende (RJ), conta com uma planta de demonstração com seis cascatas de ultracentrífugas em operação, cuja produção permite atender cerca de 40% das necessidades da usina Angra 1. Até o fim da primeira fase, serão adicionadas mais quatro cascatas. Já na segunda fase, haverá o acréscimo de mais 11 módulos, que deverão ser instalados em 2022. Com isso, a produção de urânio enriquecido, hoje ainda em fase de demonstração, deverá ganhar escala industrial.

O Brasil já domina a tecnologia de enriquecimento de urânio, que foi desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). No entanto, a atividade demanda um processo constante de desenvolvimento tecnológico, como explica o presidente da INB, João Carlos Derzi Tupinambá. "Todo projeto de enriquecimento, seja de que nacionalidade for, está sempre evoluindo. Os equipamentos empregados são cada vez melhores, mais eficientes e econômicos. A Rússia está na 9ª geração de máquinas de enriquecimento. A China, que começou o seu projeto importando tecnologia da Rússia, conseguiu evoluir e tem, hoje, máquinas muito superiores às iniciais", diz.

Para garantir a viabilização da segunda fase do enriquecimento, a INB precisa investir cerca de US$ 600 milhões. Segundo a empresa, o investimento vai gerar uma economia anual de divisas de US$ 51 milhões, com o fim do serviço de enriquecimento no exterior. Os recursos virão do Tesouro Nacional, uma vez que a empresa é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Mas, em função dos cortes e restrições atuais no orçamento governamental, o início da segunda fase foi projetado para 2019, tempo necessário para uma esperada recuperação econômica do país. "Se fosse agora, a situação seria muito difícil", reconhece Tupinambá.

Para não depender exclusivamente do Tesouro, a INB busca alternativas de obtenção de recursos. Uma delas é a realização de uma nova parceria para ampliar a exploração de urânio, a exemplo da realizada na associação com o Grupo Galvani, do setor de fertilizantes, para a exploração de urânio e fosfato da jazida de Itataia, em Santa Quitéria (CE). Nesse sentido, a empresa encomendou à Fundação Getúlio Vargas a modelagem econômica para a futura parceria, que tanto pode ser com uma empresa nacional como estrangeira.

Na busca de recursos, uma comitiva da empresa visitou a China em dezembro, a convite da China National Nuclear Corporation (CNNC). "Inicialmente, vamos assinar uma carta de intenção para cooperação técnica na área do ciclo do combustível, mas já estamos conversando também sobre a possibilidade de parceria na área de produção de urânio", informou, em entrevista antes da viagem, o presidente da INB. A CNNC é uma empresa que atua em todos os segmentos da produção nuclear, operando reatores próprios e no desenvolvimento do ciclo do combustível. "A China tem um amplo programa de desenvolvimento na área nuclear e, para garantir o seu sucesso, adotou uma estratégia de parcerias internacionais", afirma Tupinambá.

Mineração

Em agosto de 2017 está prevista a retomada das atividades de mineração da INB no município baiano de Caetité, interrompidas há dois anos. A empresa vai começar a explorar a Anomalia 9 da Mina do Engenho, a céu aberto, e a previsão inicial é uma produção de 165 toneladas de concentrado de urânio já no ano que vem.

O projeto de mineração em Caetité começou no ano 2000 com a exploração da Mina da Cachoeira a céu aberto. Após 15 anos, os recursos a céu aberto se esgotaram e a empresa iniciou um projeto para a exploração subterrânea da Mina. O processo de licenciamento já foi iniciado junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e a previsão é que a lavra subterrânea tenha início em 2020/2021. Juntas, as duas unidades de Caetité devem fornecer 800 toneladas de concentrado de urânio por ano em 2022, quando as obras de ambas estiverem prontas. No total, o investimento será de R$ 571 milhões.

Em Santa Quitéria, no Ceará, a jazida de Itataia está em fase de licenciamento e deve começar a operar em 2021. A produção prevista para o primeiro ano é de 700 toneladas de concentrado de urânio; para o segundo ano, 1.200 toneladas e, no terceiro, 1.600 toneladas. Ao mesmo tempo, a INB já iniciou a pesquisa de uma nova rota tecnológica para extração do tório, também encontrado na região. A pesquisa será realizada em parceria com o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN).

Exportação

A INB forneceu quatro toneladas de urânio enriquecido para a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar). O contrato foi no valor de US$ 4,5 milhões. Embora seja um volume pequeno, o contrato é considerado representativo pelo presidente da INB, por causa das oportunidades que pode gerar. "Não só consolida a presença da INB, mas a nossa capacidade tecnológica e nossa presença no cenário internacional do enriquecimento de urânio para fins pacíficos", disse.

INB forneceu quatro toneladas de urânio enriquecido para a empresa estatal argentina Combustibles Argentinos

De acordo com Tupinambá, a INB tem como objetivo se tornar fornecedora regular da Argentina. No entanto, para que isso aconteça, é preciso remover as barreiras burocráticas, que dificultam o processo de exportação e geram insegurança no parceiro importador. "Foram necessários cerca de nove meses, entre os diversos trâmites burocráticos. Como era para um reator de pesquisa, esse prazo não impactou a compra. Mas, caso viermos a fornecer para Atucha 1 ou Atucha 2, que são usinas comerciais, essa demora não poderá acontecer. A entrega precisa ser no prazo certo", afirma o presidente da INB. Embora ressaltando ser compreensível que a legislação nuclear tenha sido elaborada nos anos 1970, "quando o mundo era outro, geopoliticamente", ele diz ser preciso que ela seja atualizada. "Se o Brasil quer formar players internacionais, é preciso ter normativa que facilite essa operação. Dentro do escopo do novo Programa Nuclear Brasileiro, precisamos tratar essas questões para dar agilidade para todos que estão nessa atividade. Precisamos obter mais fluidez nos processos para que possamos atuar no mercado internacional com mais tranquilidade e confiabilidade", afirma.

Associação Brasileira de Energia Nuclear

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