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CAPA DA EDIÇÃO Nº 46
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EDIÇÃO Nº 46

Para não perder o que se conquistou

A matéria de capa desta edição da Brasil Nuclear aborda um tema que preocupa especialistas do setor elétrico: o crescimento da participação das fontes renováveis não convencionais na matriz elétrica, devido às suas características de forte intermitência e imprevisibilidade. Está prevista uma expansão expressiva da geração eólica nos próximos cinco anos e, para evitar impactos sistêmicos e locais da intermitência intrínseca dessa fonte no Sistema Interligado Nacional (SIN), o Plano de Operação Energética (PEN) 2016/2020 propõe algumas reflexões que deveriam ser consideradas na definição das diretrizes gerais da expansão do SIN. Além da inclusão, na medida do possível, de novos reservatórios de regularização e do aumento da participação de fontes térmicas convencionais (carvão mineral e gás natural) no médio prazo, o documento propõe a viabilidade da expansão do parque nuclear no longo prazo, por serem usinas tipicamente de base e poderem contribuir para atenuar a perda crescente de regularização do SIN.

A reflexão proposta no PEN 2016/2020 reflete a tendência mundial de emprego da geração nuclear na composição da base da matriz elétrica, como demonstram as 72 usinas nucleares em construção no mundo. Mas a realidade do setor nuclear brasileiro mostra o oposto: é preciso uma mudança radical para que essa reflexão se transforme em planejamento e em ações.

O setor nuclear vem lutando há décadas contra a falta de planejamento e de investimento. Por não ter recursos para investir na exploração das reservas de urânio e nas outras etapas da fabricação do elemento combustível nuclear, o país corre sério risco de perder a tecnologia do ciclo do combustível nuclear, que hoje domina. A situação beira o absurdo pelo fato de o Brasil ter a quinta maior reserva de urânio do mundo, comparável em termos energéticos às reservas de petróleo do pré-sal, e hoje importa urânio para abastecer as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2. Neste ritmo, perderemos a riqueza potencial devido à falta de uma política de Estado para o setor nuclear.

Uma política de Estado deve envolver um planejamento de longo prazo, com recursos específicos e sem o limite temporal de governo. No caso do setor nuclear, entre as medidas mais urgentes estão o investimentos no órgão licenciador para proporcionar condições de fiscalizar e licenciar as instalações nucleares em operação e as novas, a implantação, até 2025, do repositório definitivo dos rejeitos nucleares - sob o risco de interromper a operação das usinas Angra 1 e Angra 2 , a conclusão do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), o investimento no ciclo do combustível nuclear, investimento na formação de recursos humanos para repor os técnicos qualificados que estão se aposentando, a retomada da construção da usina nuclear Angra 3 e a conclusão do submarino nuclear.

O país vive um momento crítico no plano econômico e político, sem perspectiva de melhora a curto prazo. Mas as crises podem trazer oportunidades de reestruturação e de retomada que devem ser aproveitadas. No setor nuclear, é o caso de projetos estruturantes como o RMB e a conclusão do ciclo do combustível, visando a autossuficiência na geração nucleoelétrica, e que demandam menos investimento que alguns estádios (ou arenas) de futebol construídos apenas para a Copa do Mundo 2014 e que se tornaram verdadeiros "elefantes brancos", sem serventia, quando os jogos terminaram.

Este é mais um momento que se apresenta para rediscutir a condução do programa nuclear brasileiro e planejar a ampliação da geração nucleoelétrica na matriz energética de forma consistente e constante.

Associação Brasileira de Energia Nuclear

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