Ao elaborarmos a pauta desta edição da Brasil Nuclear, programamos como matéria de capa o novo ciclo mundial de crescimento da energia nuclear. Embora tenha sido várias vezes anunciado, o movimento de retomada da energia nuclear mostra desta vez uma consistência que o torna irreversível, como garante o economista e escritor Jonathan Tennenbaum, em matéria a partir da página 7. Mas, após entrevistarmos o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães Neto, e recebermos do economista Helder Queiroz Pinto Jr. o texto para a seção Opinião, constatamos a existência de um tema comum, cuja importância exigia que se tornasse a manchete desta edição: o futuro do setor nuclear depende somente de uma decisão política!
A falta de uma política de Estado tem sido a principal causa do problema crônico na história do setor nuclear. Desde a época do almirante Álvaro Alberto, o setor vive em um processo de “avança e para”, que trouxe, entre outras graves consequências, o atraso de 20 anos para o início da construção de Angra 3, a paralisação do projeto do submarino nuclear, a dependência externa no fornecimento de radioisótopos à medicina nuclear, a retração da indústria nuclear e o risco da perda de capacitação tecnológica, em virtude do envelhecimento do quadro de especialistas.
Os recursos para a construção de Angra 3 estão garantidos com o financiamento de R$ 6,1 bilhões, concedidos pelo BNDES, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas, diante do histórico nuclear brasileiro, a Aben considera vital a implantação de uma política de Estado para o setor, para que se evite interrupções nas mudanças de governo, a qual deve abranger a reestruturação do Programa Nuclear Brasileiro, preparando o setor para o desenvolvimento sustentável da tecnologia nuclear.
Esta política deverá, também, garantir verbas para os empreendimentos estratégicos para o país, como a conclusão da instalação de enriquecimento de urânio, a construção da fábrica de conversão do hexafluoreto de urânio e a construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). Além disso, deverá, principalmente, estabelecer uma política de formação de recursos humanos.
Lembramos que a manuntenção do cronograma de construção das usinas nucleares planejadas no PNE 2030 é crucial para o futuro da energia nuclear no Brasil.
A diretoria eleita para administrar a Aben no biênio 2010-2012 terá o desafio de reivindicar à presidente eleita e sua equipe a implementação desta política de Estado.
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A ABEN elaborou relatório que faz uma análise comparativa sobre a emissão de gases-estufa das principais fontes de geração de energia elétrica. O documento foi protocolado no Ibama como parte do dossiê das audiências públicas sobre Angra 3 realizadas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo