Enquanto nos últimos anos, novos e ambiciosos programas nucleares são lançados por diversos países, especialmente em economias emergentes, no Brasil, temos um planejamento tímido de construção de quatro novas usinas nucleares e, ainda, com o risco de alterações, na revisão do PNE 2030.
Este impasse não deveria existir, pois cria um ambiente instável que interfere negativamente no desenvolvimento do setor, uma vez que interrompe o investimento das indústrias brasileiras e impossibilita a implementação de um programa de formação de recursos humanos, causando a perda de capacitação tecnológica adquirida nos últimos 30 anos. E isto poderia ser evitado se a construção dessas usinas fosse resultado de uma política de Estado.
Além da questão citada acima, o diretorgeral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, criticou a ausência da complementação térmica, em sua opinião fundamental para a sustentação do sistema elétrico, pois as térmicas são despachadas sempre que o nível dos reservatórios das hidrelétricas está baixo. É importante lembrar que as novas usinas que serão construídas na Amazônia são usinas a fio d’água, sem capacidade de acumulação. Sem as térmicas para assegurar o fornecimento, está traçado, portanto, o cenário de risco de falta de energia elétrica em períodos de seca.
Segundo o professor Helder Queiroz Pinto Jr., em seu artigo na seção Opinião, o PNE 2030, no que tange às usinas nucleares, foi basicamente jogado para 2035, num planejamento que ainda sequer foi elaborado. Isso denota, segundo ele, uma falta de prioridade para a geração nucleoelétrica.
Mais uma vez, o crônico processo de “avanço e para” impede o desenvolvimento sustentável da tecnologia nuclear no Brasil.
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A ABEN elaborou relatório que faz uma análise comparativa sobre a emissão de gases-estufa das principais fontes de geração de energia elétrica. O documento foi protocolado no Ibama como parte do dossiê das audiências públicas sobre Angra 3 realizadas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo