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REVISTA BRASIL NUCLEAR
Ano 15, NÚMERO 37, 27 de Dezembro de 2010

Areva investe para manter a liderança

A Areva está preparada para o renascimento da energia nuclear. Investimento em tecnologia, acordos estratégicos de cooperação e aumento da capacidade de fabricação estão entre as principais iniciativas da empresa nos últimos anos e já trazem dividendos. Além oferecer um modelo integrado, com todas as atividades da produção nuclear, a empresa está lançando uma nova geração de reatores, baseada na tecnologia EPR, que oferece mais segurança, eficiência, menor consumo de combustível, introduz flexibilidade ao ciclo de manutenção e reduz o tempo de construção das usinas. Em resumo, traz uma melhor relação custo/benefício para a energia nuclear. “Além de preservar o meio ambiente, a energia nuclear tem que ser competitiva com outras fontes de energia”, afirma o diretor-geral da Areva no Brasil, Johannes Hoebart.

Embora a atual estrutura seja recente, a Areva tem uma longa história na área de energia nuclear, iniciada com a Framatome, fabricante francesa de equipamentos para usinas nucleares. A Framatome adquiriu a KWU, braço nuclear da alemã Siemens. E, em 2000, foi criada a Framatome ANP (Advanced Nuclear Power), com 34% de participação da Siemens. Em seguida, foi criada a holding Areva, que reuniu a Framatome e a empresa Cogema, fabricante de combustível nuclear. “Há uma grande herança da Siemens, da Framatome e da Cogema”, ressalta o executivo.

A Areva ampliou sua área de atuação, passando a adotar como foco a oferta de energia limpa, sem emissões de CO2. Agora, além da energia nuclear, a empresa também trabalha com outras fontes renováveis de energia como eólica, solar térmica e biomassa. No Brasil, a empresa detém mais de 40% do mercado de biomassa, com a criação da Areva Koblitz, a partir da aquisição de 70% do capital da empresa brasileira Koblitz.

Indústria e tecnologia

Segundo o diretor, a liderança mundial da Areva em energia nuclear deve-se à sua capacidade única de atender todas as necessidades do mercado, seja na exploração, mineração e em todo o processo químico para processar e enriquecer o urânio, na fabricação do combustível para uma usina. A empresa tem tecnologia para construção de usinas novas e manutenção daquelas já em operação, para o tratamento do combustível utilizado, seja estocagem, transporte, depósitos de médio e longo prazo e, se for o caso, também a reciclagem. “Esse modelo é único no mundo. A grande vantagem é podermos oferecer qualquer atividade de energia nuclear aos países ou clientes. E cada país tem uma coisa. E, às vezes, não tem nada”, explica.

Um dos elementos-chave desse modelo é a capacidade de fabricação, que vem sendo reforçada nos últimos anos. Um exemplo foi a aquisição da Sfarsteel, indústria francesa de grandes forjados, utilizados na fabricação de geradores de vapor. A operação, realizada em 2006, reduziu consideravelmente a dependência dos fornecedores japoneses, os maiores do mercado. Outro importante investimento, desta vez nos EUA, é a construção de uma nova fábrica para componentes pesados, prevista para entrar em operação em 2012. E, na área do combustível nuclear, a Areva está construindo uma nova usina de enriquecimento na França.

Além de investir no aumento da capacidade de fabricação, a Areva uniu-se a outras empresas em projetos estratégicos de tecnologia. Com a japonesa Mitsubishi, por exemplo, desenvolveu uma parceria na área do combustível nuclear e uma associação no desenvolvimento do novo reator ATMEA 1. Os acordos de cooperação também envolvem operadoras de energia, como a francesa GDF Suez, a alemã E.ON e a norte-americana Duke Energy.

De 2005 para 2008 a Areva duplicou o investimento em pesquisa e desenvolvimento, em todas as áreas em que atua. Segundo Hoebart, em 2008, foram investidos 1,051 milhões de euros em tecnologia, correspondendo a 8% do faturamento da empresa.

Um dos resultados principais desse investimento são os reatores de terceira geração (G3+), que começam a chegar ao mercado. “Temos quatro reatores da G3+ em construção. Um em Olkiluoto, na Finlândia, que já está entrando em fase de comissionamento, um em Flamanville na França e dois em Taishan, na China. Estamos dentro do renascimento”, afirma o executivo.

Areva no Brasil

A presença da Areva no Brasil pode ser contada a partir de 1975, ano em que foi firmado o acordo nuclear entre o Brasil e Alemanha. Os contratos então firmados com a Siemens para a construção das usinas de Angra 2 e Angra 3 foram posteriormente assumidos pela Framatome e, depois, pela Areva. “Estava prevista a transferência de toda tecnologia desses dois projetos, ou seja, a engenharia, a fabricação dos componentes pesados como os geradores de vapor e o vaso do reator e a fabricação do combustível. E tudo isso foi realizado, com sucesso”, afirma o executivo.

Um exemplo de cooperação tecnológica foi a contratação da Nuclep para fabricar os novos geradores de vapor de Angra 1, que foram trocados em 2009. “Esse projeto foi um sucesso, porque a Areva deu um suporte técnico de engenharia, mas a fabricação foi toda feita aqui no Brasil”, diz o diretor da empresa. Outro exemplo foi a transferência de tecnologia, para a INB, do processo de fabricação de pastilhas de urânio e do elemento combustível. “A INB, além da fabricação do combustível, quer dominar o processo químico, ou seja, a conversão e o enriquecimento do urânio. Mas este é um projeto brasileiro e não envolve a Areva, neste momento”, completa.

 

Fonte Nuclear

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Documentos

A ABEN elaborou relatório que faz uma análise comparativa sobre a emissão de gases-estufa das principais fontes de geração de energia elétrica. O documento foi protocolado no Ibama como parte do dossiê das audiências públicas sobre Angra 3 realizadas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo


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