Entre os fatores aos quais se credita uma parcela de contribuição para a retomada da energia nuclear está o surgimento de uma nova geração de reatores que incorpora conceitos voltados para o aumento de segurança na operação das usinas, a redução do consumo de combustível nuclear e do volume de rejeitos radioativos. Para ilustrar a evolução representada pela chamada Geração 3, o físico Aquilino Senra costuma utilizar o exemplo da indústria automobilística. “Há 40 anos, os automóveis sequer tinham cinto de segurança. Os primeiros modelos foram os cintos abdominais. A versão seguinte também envolvia o peito. O próximo passo foi incorporar o airbag à proteção; e projetos mais recentes já contam com sensores de aproximação, que fazem com que o carro reduza a velocidade se ficar muito próximo de outro. Na área nuclear acontece o mesmo. O desenvolvimento tecnológico é incorporado ao projeto, que se torna mais seguro e econômico”, explica.
Dois modelos de terceira geração estão chegando ao mercado: o reator AP1000, da Westinghouse, e o EPR, da Areva. A Westinghouse está construindo quatro AP1000 na China, e o primeiro deve estar concluído em 2013. Há previsão de que outro reator entre em operação comercial nos EUA em 2016.
O AP1000 é um reator de água pressurizada (PWR - tecnologia de segunda geração que é a base da maioria dos reatores hoje em atividade), cujo projeto foi modificado para reforçar a segurança no interior do vaso de contenção.
O EPR é uma terceira geração de reatores PWR e foi projetado e desenvolvido principalmente pela Framatome (hoje Areva), Electricité de France (EdF) na França, e Siemens AG, na Alemanha. Três reatores EPR estão sendo construídos, um na Finlândia e dois na China.
Uma das vantagens do EPR é a possibilidade de se fazer manutenção em uma das turbinas sem interromper a operação do reator, o que reduz o tempo de inatividade. Além disso, a vida útil já é de 60 anos desde o início da operação, 50% a mais do que os reatores atuais.
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A ABEN elaborou relatório que faz uma análise comparativa sobre a emissão de gases-estufa das principais fontes de geração de energia elétrica. O documento foi protocolado no Ibama como parte do dossiê das audiências públicas sobre Angra 3 realizadas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo