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Retomada de Angra 3 terá novo passo na semana que vem e Eletronuclear estuda ampliar os ciclos de suas usinas

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br)

(18/11/20) O projeto de Angra 3 terá um novo avanço no início da próxima semana. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fará os pedidos de proposta para contratação de estudos técnicos que definirão diversos aspectos sobre a obra - incluindo o valor de custo de finalização da usina. Enquanto isso, a Eletronuclear está avaliando mudanças no ciclo de recargas de combustíveis das usinas já em operação (Angra 1 e Angra 2), aumentando um pouco o período entre as recargas das plantas. Os anúncios foram feitos durante a abertura do seminário internacional World Nuclear University (WNU), organizado pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan) e a Associação Mundial Nuclear (WNA, na sigla em inglês).

O diretor de Novos Empreendimentos da Eletronuclear, Marcelo Gomes, afirmou durante o encontro que deve começar já no início da próxima semana o processo de contratação desses estudos (due diligence técnico e operacional) por parte do BNDES. A realização desses trabalhos está prevista para o início do próximo ano. "Os futuros investidores e o empreiteiro EPCista precisam ter uma visão clara e independente sobre o status da construção. Então, isso [o due diligence] deve acontecer no início do próximo ano. E esperamos ter a implementação da modelagem da retomada do empreendimento até o final de 2021", acrescentou Gomes.

Este novo passo estava sendo aguardado desde junho, quando o Conselho de Parcerias de Investimentos (CPPI) aprovou o relatório do comitê interministerial responsável por sugerir um modelo jurídico e operacional para a continuidade da construção da usina. Enquanto isso, a Eletronuclear trabalha também na aceleração da linha crítica das obras de Angra 3. A ideia é adiantar uma parte dos trabalhos para garantir a entrada em operação da planta em 2026. Segundo Gomes, a meta é assinar os primeiros contratos de atividades civis e eletromecânicas no primeiro semestre de 2021. O início destas atividades deve acontecer a partir do segundo semestre.

A retomada de Angra 3 é a prioridade, mas não é o único ponto de atenção da Eletronuclear. A empresa mantém também novos planos para as suas duas usinas já em operação - Angra 1 e Angra 2. O diretor de Operação e Comercialização, João Carlos Bastos, que também participou do evento da Abdan/WNA, revelou os estudos sobre uma possível prorrogação nos ciclos de troca de combustíveis das duas plantas. Segundo o executivo, a medida pode ser necessária olhando para o horizonte dos próximos anos, com o início da atividade de Angra 3.


Central Nuclear de Angra dos Reis

"Com Angra 3 entrando em operação, teremos que estender a duração desses ciclos de operação, para não acumularmos paradas de uma unidade junto com a outra. A intenção é que quando tivermos as três unidades operando no site, tenhamos uma ou - no máximo - duas paradas por ano", explicou Bastos. No caso de Angra 1, a usina teria uma parada para troca de combustível em cada 18 meses ao invés dos atuais 12 meses. "A experiência americana, que é o fabricante da nossa unidade 1, já tem esse conhecimento adquirido. Então, as especificações técnicas e todos os testes requeridos pelo Asme são próprios e estão perfeitamente conhecidos para que aumentemos o ciclo de 12 para 18 meses", declarou.

Já para Angra 2, Bastos explicou que a tecnologia alemã usada na usina não se baseia em ciclos muito longos. No máximo, as unidades com projetos germânicos operam com trocas a cada 14 meses. "O nosso ciclo de Angra 2 já está indo para 13 meses e meio. E existe um estudo para avançarmos para 14 meses", acrescentou.

O PAPEL DA ENERGIA NUCLEAR NA ECONOMIA DE BAIXO CARBONO


Celso Cunha

As discussões do evento de abertura do WNU 2020 foram além das usinas nucleares brasileiras. Os palestrantes convidados para abrir o seminário também abordaram o futuro da energia nuclear e seu papel na economia de baixo carbono. O diretor-geral do National Institute for Nuclear Research of Mexico, Javier Palacios, afirmou que se o mundo quer cumprir com as atuais metas climáticas, será preciso investir em novas usinas de geração nuclear ao redor do globo. "O compromisso mundial para reduzir o aquecimento global em 2°C não vai ser alcançado facilmente se a energia nuclear não desempenhar um papel importante no portfólio de geração de eletricidade", disse.

Para o chair da World Nuclear Association Economics Working Group, Milton Caplan, outro fator importante para a escolha da geração nuclear é o alto desempenho dos reatores, mesmo dos mais antigos. "Podemos ver a melhoria contínua do desempenho dos reatores em operação. Diante da necessidade de energia limpa para o futuro, podemos ver que as usinas nucleares funcionam muito bem. Mesmo as plantas com cinquenta anos funcionam de forma fantástica", declarou. A abertura da WNU também teve a apresentação do executivo Javier Palacios, que apresentou um panorama das atuais e futuras tecnologias de reatores para geração de energia nuclear. O debate foi moderado por Orpet Peixoto, vice-presidente do Conselho Curador da Abdan.

O segundo e último dia de palestras do WNU acontecerá amanhã (19). O evento já é considerado um sucesso pelos organizadores e recebeu 580 inscrições. O presidente da Abdan, Celso Cunha, relembrou a parceria duradoura entre a associação e a WNA e enalteceu os resultados obtidos durante o período. "Muito obrigado à WNU por estar conosco mais uma vez. Gostaria de agradecer também aos amigos da WNA por ter realizado a WNU nos últimos 10 anos aqui no Brasil. Esta edição de 2020 está reunindo os maiores especialistas em diversas áreas", afirmou.

Fotos: Divulgação Petronotícias - RJ

Fonte: Petronotícias - RJ (a matéria original está disponível aqui)

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