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Preservar o conhecimento gerado pelo Ipen/Cnen é uma 'questão de Estado', diz subsecretário do MCTI

(21/12/20) Em visita ao Instituto, Darcton Damião assumiu o compromisso de se empenhar para resolver os problemas mais críticos, como RH e modelo de gestão


O subsecretário Darcton Damião (terceiro, da esquerda para a direita), em
visita ao Reator Nuclear de Pesquisas Ipen/MB-01 / Foto: Walkíria Santos

Preservar e expandir o conhecimento gerado ao longo de décadas pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen/Cnen) visando ao futuro das próximas gerações é uma "questão de Estado", e haverá dedicação plena da Subsecretaria de Unidades Vinculadas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) para que esse patrimônio não se perca. A declaração é do titular da pasta, Darcton Policarpo Damião, após visita às instalações do Instituto, na última quinta-feira, dia 17.

O Ipen é a maior unidade técnico-científica da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), autarquia vinculada ao MCTI. Foi a primeira vez que o subsecretário visitou o Instituto, onde foi recebido pelo superintendente Wilson Calvo e por Madison Coelho de Almeida, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD) da Cnen. Dizendo-se "impressionado", Damião assegurou que vai atuar para que o Ipen/Cnen possa continuar "vivo", apesar do momento difícil no País.

"Estamos num momento de desinvestimento no governo, por questões fiscais, mas o Brasil não pode parar. O que a gente fizer hoje, vai se refletir no futuro das próximas gerações. Então, haverá dedicação plena para preservar a pesquisa na área nuclear. Eu vou realmente trabalhar pelo Ipen, pela Cnen, que está vinculada à minha Subsecretaria, e não poderia ser diferente porque faço isso por missão. Se já tinha motivação, agora, tenho muito mais", afirmou Damião.

Antes da visita aos dois reatores nucleares de pesquisa, o IEA-R1 e o Ipen/MB-01, o subsecretário assistiu às apresentações de Almeida, Calvo e José Augusto Perrotta, coordenador técnico do projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), respectivamente. Egresso do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), Instituição Científica e Tecnológica do Comando da Aeronáutica, Damião reafirmou seu interesse pela área nuclear e quis se inteirar sobre cada tema apresentado.

Protagonismo

O titular da DPD/Cnen apresentou a importância do setor nuclear no âmbito do MCTI, com destaque à atuação do Instituto, na condição de autarquia estadual gerida pela União através da Cnen. Mencionou a perda de servidores nos últimos 20 anos - hoje o Ipen/Cnen conta com 616 ativos, boa parte com tempo para aposentadoria - e o desafio de recomposição de quadros. O modelo de gestão da Cnen também foi um dos temas abordados por Almeida.

Dos R$ 145 milhões em recursos orçamentários destinados anualmente ao Ipen/Cnen, praticamente R$ 100 milhões são atribuídos à compra de insumos nacionais e internacionais, para a produção de radiofármacos. A comercialização dos produtos e serviços pelo Instituto arrecada em torno de R$ 120 milhões, que são devolvidos à União como superávit primário, sem garantia de retorno, no ano seguinte.

"O Ipen/Cnen sobrevive com R$ 40 milhões para manter as instalações e somente R$ 5 milhões para investimentos em laboratórios e equipamentos. No atual modelo, todo ano temos que buscar orçamento via Cnen no MCTI, não somente para se manter a produção, mas para P&D e inovação em Agências e Órgãos de Fomento", comentou o superintendente Wilson Calvo.

Segundo ele, o fato de o Instituto estar vinculado também ao Governo de São Paulo, via Secretaria de Desenvolvimento Econômico, é o que tem dado fôlego às pesquisas. "Diferentemente de Institutos e Centros do MCTI no Estado de São Paulo, nós podemos participar das chamadas da Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] que se destinam à modernização de instituições estaduais. Em 2018, fomos contemplados com R$ 13,6 milhões no edital 'Desenvolvimento Institucional de Pesquisa dos Institutos Estaduais de São Paulo'", acrescentou.

Almeida ressaltou que o Ipen/Cnen é o maior instituto nuclear da América Latina, com seus mais de 600 servidores, além de colaboradores, bolsistas e voluntários, uma área física de 500 mil m², 11 Centros de Pesquisa e mais de 250 laboratórios. "Quando se fala em instalações nucleares e radioativas da Cnen, bem como os projetos estruturantes, novamente destaca-se a representatividade do Ipen", disse, enfatizando também as importantes entregas em 2020.

Gestão estratégica

Ao apresentar o Ipen/Cnen, seus Centros de Pesquisa, missão e valores, Wilson Calvo destacou a gestão de melhoria contínua no âmbito do Plano Diretor e do PDCA (da sigla em inglês Plan-Do-Check-Act, que significa Planejar-Fazer-Monitorar-Agir) e os principais resultados e avanços do Instituto, sobretudo neste ano de pandemia da COVID-19. "O Ipen conseguiu se superar neste ano difícil, e isso se deve grande parte à dedicação de seus servidores, colaboradores e alunos", afirmou.

O superintendente falou das conquistas na área de ensino, mencionando a marca de três mil titulações no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Nuclear com a USP, o novo Mestrado Profissional em Tecnologia das Radiações em Ciências da Saúde e o curso de graduação em Engenharia Nuclear, da Poli-USP, Cnen e Ipen, além das 14 disciplinas eletivas já ministradas pelo Ipen/Cnen na USP. Citou ainda o Convênio de Dupla Titulação firmado recentemente com a Universidade de Houston.

Para Calvo, a palavra que melhor resume o Ipen/Cnen neste ano é superação. O superintendente ressaltou, porém, que ainda há muitos desafios pela frente, citando a modernização do Centro de Radiofarmácia visando as Boas Práticas de Fabricação (BPF), a obtenção de registros para seus produtos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a continuidade dos projetos de arraste, tal como o RMB, apresentando uma visão de futuro do Instituto.

Além da autonomia na produção de radioisótopos, o RMB, na condição de "multipropósito", possibilitará testes de combustíveis para reatores e análise de materiais após irradiação, dentre outras atividades. Reivindicando apoio do MCTI, Perrotta discorreu sobre a importância desse megaempreendimento, suas entregas futuras à sociedade e seu potencial de nucleação de um novo Instituto, futuramente, em volta do empreendimento "reator mais infraestrutura laboratorial associada".

"Sensibilizado"

Após as apresentações, o subsecretário Darcton Damião visitou os reatores nucleares de pesquisa Ipen/MB-01 e o IEA-R1, onde foi recebido por Ulysses D'Utra Bitelli e Frederico Genezini, respectivamente gerente adjunto de Operação do Reator Ipen/MB-01e gerente do Centro do Reator de Pesquisas (CERPq). Ambos discorreram sobre variados aspectos das reações de fissão nuclear, bem como barreiras de proteção a acidentes.

Damião falou do acompanhamento da governança das 26 Unidades do MCTI, realizado por sua subsecretaria, e da intenção de conhecimento presencial de todas. Disse ainda da intenção futura de retorno seu ao Ipen/Cnen, possibilitando o conhecimento de mais Centros de Pesquisas e Laboratórios. O subsecretário reiterou a sua boa impressão e o seu empenho em defender a manutenção e até uma eventual expansão do Instituto, cuja "sabedoria adquirida não podemos deixar morrer".

"Saio daqui muito impressionado com o tamanho e as atribuições do Ipen, e o grau de dedicação de todas as pessoas com quem eu tive o prazer de conversar. Foi investido aqui muito tempo, dinheiro e capital humano, que se traduz no conhecimento de décadas. Nós temos que preservar esse Instituto, não podemos pestanejar e perder tudo isso, deixar morrer esse conhecimento, essa sabedoria adquirida", disse Damião.

Para Calvo, o apoio do MCTI é fundamental na missão de democratizar a medicina nuclear do Brasil. "É um compromisso nosso com a saúde da população brasileira. Precisamos do MCTI e do MS [Ministério da Saúde] para modernizar o nosso Centro de Radiofarmácia e também garantir a execução do RMB. O subsecretário ficou bastante sensibilizado em ajudar a resolver os problemas mais críticos, como a recomposição de RH e a busca de um modelo de gestão que possa internalizar e reinvestir os recursos da produção e prestação de serviços tecnológicos", concluiu o superintendente.

Também participaram da reunião os diretores Isolda Costa (Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino), Jair Mengatti (Produtos e Serviços), Celso Huertas (Planejamento e Gestão) e Katia Iunes Minasian Santos (Administração), além dos gerentes Efrain Perini (Centro de Radiofarmácia), Leslie Molnary (Centro de Engenharia Nuclear), Frederico Genezini (Centro do Reator de Pesquisa) e Hélio Akira Furusaw (Centro de Química e Meio Ambiente).

Por Ana Paula Freire, da Assessoria de Comunicação Institucional (colaborou Walkíria Santos)

Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen/Cnen)

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