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Estudante brasileira usa dados imprecisos para criticar Angra 3 no exterior

É isso que dá o tradicional Bulletin of Atomic Scientists dar espaço para qualquer um para falar sobre temas técnicos e específicos que exigem um mínimo de conhecimento. O periódico, de 75 anos, deu espaço para a estudante paulista Carolina Basso (foto), que está se formando em Relações Internacionais e Sociologia na University of British Columbia, no Canadá, para falar sobre o Programa Nuclear Brasileiro, especificamente sobre a construção da Usina Nuclear de Angra 3. O texto é um retalho de notícias antigas que busca requentar informações para dar um toque de sensacionalismo com um sabor de militância. Como diria os antigos, está mais por fora do que umbigo de vedete. Ou seja, o texto parece extraído de uma história sobre um cachorro caído de um caminhão de mudança. Ela erra na mosca ao fazer uma análise sobre um assunto o qual não conhece e nem tem qualquer intimidade. Demonstra apenas que, possivelmente, o mais perto que ela chegou da energia nuclear deva ter saído um tomógrafo. Denegrir a imagem do país no exterior em uma publicação especializada e formadora de opinião sem se ter qualquer embasamento técnico, tem um peso. É preciso responsabilidade.

Em seu texto ela diz que “O Brasil tem atualmente duas usinas nucleares em operação, Angra 1 e 2, que geraram menos de três por cento da eletricidade do país desde o seu lançamento comercial. Então, por que o Brasil quer retomar a construção de um terceiro reator nuclear? Angra 3 é questionável em termos econômicos e energéticos. Estudos têm mostrado que o país pode gerar eletricidade muito mais barato integrando a energia eólica com os consideráveis recursos hidrelétricos do Brasil. Os analistas sugerem que esse sistema combinado poderia fornecer toda a eletricidade que a população demanda, tornando desnecessária e onerosa qualquer expansão do setor da indústria nuclear.”

A estudante de sociologia desconhece uma questão básica do sistema elétrico brasileiro e repete como um papagaio treinado os mesmos velhos discursos de quem se opõe ao óbvio.  Para alguns críticos da geração nuclear de energia, o valor de R$ 480,00 por MW/hora é muito alto e prejudicaria o consumidor. Mas isto foi desmistificado pela realidade de que o valor da eletricidade depende da característica da fonte, do local e da hora em que é produzida. Se a estudante Carolina Basso tivesse frequentado as aulas sobre energia nuclear ou pelo menos ter o cuidado da leitura sobre o assunto, saberia que no sistema elétrico as fontes que geram energia de base, geram energia durante todo o tempo.

Há também fontes de natureza intermitente, como a energia eólica e solar, que ela afirma que os “analistas” dizem que esses sistemas combinados poderiam suprir toda necessidade de energia que o país precisa. Mas sua natureza é claramente intermitente. E ainda existem fontes com uma sazonalidade de prazos mais longos, como é o caso da hidroeletricidade. Por fim, as fontes de energia térmica convencional, geradas por energia fóssil, que são extremamente sensíveis à volatilidade dos preços desses combustíveis. Na realidade, não se pode fazer comparações diretas por preço unitário das fontes. O que importa para o consumidor é o custo total do sistema, valor que será rateado por todos eles.

A estudante insiste em passar para os leitores da publicação americana outras falácias, que parece baseado em ativismo político: “A decisão de retomar a construção do terceiro reator brasileiro foi tomada pelo presidente Jair Bolsonaro… Mas esse fator sozinho não pode explicar a decisão. É imperativo examinar quem se beneficiará com o projeto, principalmente por meio dos tipos de corrupção endêmicos no Brasil.  Visto sob essa luz, o impulso político para a construção de Angra 3 parece ter mais a ver com dinheiro e política do que com prover um bem público.”

Carolina Basso também perde um longo tempo ao tentar requentar um modelo de corrupção apurado no governo petista de Lula e de Dilma Rousseff. E tenta confundir as informações com o governo Bolsonaro embolando imprecisões de cunho pessoal. E faz uma acusação leviana  (sabe-se lá o que a inspirou) ao afirmar que “Angra 3 foi e provavelmente continuará a ser usada como uma ferramenta política para a lavagem de dinheiro e um veículo para que autoridades públicas recebam dinheiro de impostos.” Isso parece ser bastante sério e grave, capaz da Eletronuclear, se quiser, processá-la no Canadá, onde provavelmente reside, já que está se formando na University of British Columbia. E estende sua rede de acusações, sem provas: “Mas a realidade do reinado de Bolsonaro como presidente não cumpriu suas promessas de campanha, e a corrupção continua”.

O cume de seu desconhecimento, além de  acusações infundadas, repete panfletos da esquerda brasileira, “É à luz dessa corrupção duradoura no Brasil que os leitores devem considerar a decisão de retomar a construção de Angra 3. A combinação de custos elevados, intenções políticas duvidosas e melhores opções de energia tornam irracional a expansão da capacidade nuclear no Brasil. Se os tomadores de decisão estivessem realmente preocupados com as demandas de energia das pessoas, eles teriam investido em sistemas alternativos mais econômicos e sustentáveis. O fato de não terem feito isso provavelmente tem algo a ver com a oposição dos lobbies de indústrias de energia concorrentes e os interesses das elites políticas que esperam se beneficiar financeiramente de projetos caros como Angra 3.”

Esta última afirmação só corrobora que ela ouviu o galo cantar, mas não sabe onde. No Brasil, as bandeiras sinalizam os despachos da energia térmica que estão cada vez mais cara, bem superior ao valor de R$ 480 de Angra 3. Isso significa que o impacto de Angra 3 é deixar de ser necessário o despacho de energias térmicas mais caras do que R$ 480 ao longo de um ano. A análise do que está sendo repassado para o consumidor não pode ser o valor unitário do preço de produção de uma fonte. O que deve ser avaliado é o custo do sistema como um todo – com e sem Angra 3. Em uma simulação feita pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), a pedido do Ministério de Minas e Energia e apresentada em audiência pública a pedido do IBAMA, ficou claro que, em 2020, o custo do sistema iria cair se Angra 3 estivesse operando. Na realidade, não está passando custo para o consumidor, mas sim reduzindo o custo total do sistema e, portanto, reduzindo o custo individual de cada consumidor.

Em seu perfil do Linkedin, a paulista Carolina Basso, se autoelogia e diz, entre outras qualidades, que “Sou apaixonada por conhecimento. Desde idiomas até conversas interculturais, história a eventos atuais, eu busco sempre expandir minha percepção de mundo. Tenho experiência em gestão de diversidade e cultura organizacional, sou boa ouvinte, e me esforço para criar um ambiente de trabalho positivo. Planejamento e organização detalhada fazem parte da minha essência.” Depois do texto que escreveu para o Bulletin of Atomic Scientists, talvez fosse interessante ela buscar reencontrar duas de suas ótimas qualificações: ser apaixonada pelo conhecimento e ser uma boa ouvinte. No caso do tema nuclear, isso lhe cairia muito bem.

Fonte: Petronotícias

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