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Recife: CVA abrigará incubadora para Aedes

(18/07/17) Imóvel passará por adequações de infraestrutura para receber milhões de mosquitos que serão armazenados e triados para posterior esterilização e soltura

Por Renata Coutinho, da Folha de Pernambuco

O Centro de Vigilância Ambiental (CVA) do Recife servirá de incubadora para reprodução de Aedes aegypti a serem utilizados na estratégia de combate ao vetor da dengue, zika e chikungunya. O espaço funcionará como centro de emergência de mosquitos, ou seja, é lá que a larva se transformará na forma alada do mosquito.

Para tanto, o CVA passará por intervenções de infraestrutura necessárias para a segurança. O laboratório municipal será responsável por abrigar milhares de Aedes e separar os machos, que serão esterilizados por radiação. A expectativa é que os machos estéreis sejam liberados em áreas pilotos da Capital até o final deste ano.

O coordenador do CVA, Jurandir Almeida, contou que a instituição funcionará como um entreposto nessa cadeia. Amostras de mosquitos daqui foram enviados para a sede da Moscamed, em Juazeiro, na Bahia, onde será criada uma colônia específica da espécie local. "Os ovos virão de lá para cá e aqui serão colocados para eclodir. Na fase de pupa (larva) vamos separar machos de fêmeas e ficar só com os machos, que serão irradiados (no Departamento de Energia Nuclear) e retornarão para cá", explicou.

A expectativa é que a soltura ocorra na proporção de dez irradiados para cada macho selvagem, ampliando, assim, a vantagem de competição dos estéreis na fecundação das fêmeas. "Como ele está estéril, vai produzir ovos com esperma inviável", completou.

Os valores e os prazos para deixar o CVA apto ainda não foram apresentados, mas a segurança será o principal ponto, uma vez que ele estará numa posição crucial de proliferação de mosquitos virgens. Além dos cuidados de produção, as comunidades que receberem os três projetos pilotos de soltura dos machos irradiados serão sensibilizadas sobre a importância e cuidados dos testes. "Vamos soltar os machos. E eles não picam", frisou.

O anúncio do CVA na engrenagem contra o vetor traz à tona outras necessidades do centro, que precisa de reparos. Entidades ligadas ao direito animal reclamam constantemente do sucateamento do espaço, que em março foi alvo de várias recomendações do MPPE. O projeto dos Aedes estéreis do Recife tem investimentos de R$ 3,1 milhões em recursos do Fundo Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde.

Jurandir Almeida aponta que a estratégia é de interesse mundial e, por isso, deve ser iniciada ainda este ano. "É estratégico para a nação controlar Aedes por vários motivos: por doença, por custos. E outros países estão nessa expectativa porque também têm seus problemas, e dando certo aqui vão replicar", avaliou, exemplificando que outras nações sofrem com casos de febre do Nilo, mayaro e febre amarela, que também podem ser carreados pelo mosquito.

Fiocruz

Esta não é a primeira experiência em Pernambuco de uso de Aedes aegypti irradiados para redução populacional do insetos e combate a arboviroses. A Fiocruz Pernambuco também conduz uma pesquisa com machos esterilizados por radiação em Fernando de Noronha. No piloto na Vila da Praia de Conceição a inviabilidade dos ovos foi de 35%, numa avaliação em outubro de 2016, mas o percentual dos testes em laboratório foi de 80%. Para Almeida, a situação do arquipélago tem suas especificidades que diferem do Recife.

Fonte: Folha PE (a matéria original está disponível aqui)

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