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Eletronuclear implantará depósito para armazenar combustível usado de Angra 1 e 2

(28/11/18) A capacidade de armazenamento das piscinas de combustível usado de Angra 1 e 2 se esgotará em 2021. Por isso, a Eletronuclear já iniciou processo de construção de uma instalação, denominada Unidade de Armazenamento Complementar a Seco de Combustível Irradiado (UAS), que abrigará esse material até que o governo federal decida pela construção de um depósito definitivo.

Essa solução técnica permitirá que Angra 1 e 2 continuem operando, na medida em que a UAS ampliará a capacidade de armazenamento de combustíveis usados. O presidente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirma que o empreendimento está entre as prioridades da Eletronuclear. "A UAS garantirá um prazo longo de operação para as nossas usinas", frisa.

A instalação

Angra 1 e 2 utilizam elementos combustíveis no interior do reator para gerar calor e, consequentemente, produzir energia. Após um período de três a quatro anos, os elementos combustíveis são retirados do reator e armazenados em piscinas localizadas dentro das próprias unidades. À medida que a estocagem atinge a capacidade máxima, há necessidade de construir um novo repositório, de forma a permitir a continuidade da operação das usinas.

A UAS ficará localizada dentro da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), fora das áreas das usinas, com fundação sobre rocha sã. Inicialmente, serão instalados 15 módulos. Na primeira transferência, que acontecerá em 2021, 288 elementos combustíveis serão retirados de Angra 2 e 222, de Angra 1, o que abrirá espaço nas piscinas das usinas para mais cinco anos de operação. No total, a UAS poderá comportar até 72 módulos, com capacidade para armazenar o combustível usado de Angra 1 e 2 até 2045.

É importante ressaltar que combustível usado não é sinônimo de rejeito. Num elemento usado, como os que serão armazenados na UAS, apenas 5% da massa de combustível são considerados rejeitos de alta atividade. O restante pode ser reprocessado, como já é feito em diversos países. Trata-se de uma tecnologia em franco desenvolvimento, e o Brasil tem plenas condições de guardar seu combustível nuclear usado com segurança antes que seja necessário tomar uma decisão definitiva sobre a destinação desse material.

Tecnologia

O sistema a seco utilizado na UAS é baseado em cânisters (cascos). A empresa optou por esse tipo de tecnologia como solução para o armazenamento complementar dos combustíveis irradiados de Angra 1 e 2. Para chegar a essa definição, a Eletronuclear considerou os seguintes fatores: tecnologia segura, utilização em escala mundial, processo de licenciamento consolidado, prazo de implantação e custos compatíveis com a necessidade da empresa.

A instalação confina os elementos combustíveis dentro de um casco cilíndrico em aço inoxidável fechado hermeticamente, com gás hélio em seu interior. A refrigeração é feita de forma passiva, sem utilização de energia elétrica, pela movimentação do ar exterior. Esse casco fica protegido por um módulo de armazenamento construído com dois cilindros de aço preenchidos com concreto de alta densidade. O módulo mede cerca de 6,0 m de altura x 3,6 m de diâmetro e tem a função estrutural de resistir aos eventos externos.

A tecnologia da UAS é segura e amplamente utilizada há mais de 30 anos nos Estados Unidos e em outros países. No mundo todo, já existem cerca de 100 mil elementos usados guardados em mais de 2.400 cascos.

Como será a operação de transferência

Um cânister colocado na piscina de combustível recebe os elementos combustíveis que serão transferidos. O recipiente é colocado em uma blindagem especial e levado para fora do edifício da contenção. Em seguida, é transferido para o módulo de armazenamento. Uma meticulosa operação de transporte leva o módulo carregado até a UAS. Lá, esse material é mantido sob vigilância e monitoração permanentes.

Investimento e prazos

A estimativa de gastos para a construção da UAS é de R$ 246 milhões. Para tocar o empreendimento, foi feita uma licitação internacional, cuja vencedora foi a empresa americana Holtec International, com larga experiência internacional neste tipo de obra. A licitação também contempla a transferência dos elementos combustíveis irradiados para a instalação. A previsão é de que as obras comecem no início de 2019 e durem aproximadamente 18 meses.

Licenciamento

O licenciamento nuclear do empreendimento está a cargo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que emitirá a Licença de Construção e a Autorização de Operação da UAS. Para obtenção da licença de local, a Eletronuclear preparou uma extensa documentação, conforme a norma CNEN NE 1.04 – Licenciamento de Instalações Nucleares, com informações sobre as características físicas da área, incluindo sismologia, meteorologia, geologia e hidrologia.

Para elaboração do Relatório de Análise de Segurança do empreendimento está sendo utilizada a metodologia adotada pela Nuclear Regulatory Commission (NRC), órgão regulador do setor nuclear americano. Foi requerido, inclusive, que os proponentes da licitação já tivessem uma solução de armazenamento a seco aprovada e licenciada pela NRC.

Já o licenciamento ambiental está sendo conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Eletronuclear já elaborou o Relatório Ambiental Simplificado da unidade, e a Licença Prévia deve ser emitida em breve.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da Eletrobras Eletronuclear

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