Receba as newsletters da ABEN:
Imagem loading
English

Pesquise uma Notícia

Por Data:

Ver Mais: 1 : 2 : 3 : 4 : 5 : 6 : 7 : 8 : 9 : 10

INAC 2021 discute o porquê de viabilizar o Reator Multipropósito Brasileiro

(02/12/21) A aprovação da PEC 517, da Câmara dos Deputados, realizada ontem (01/12/21), permitindo a produção de radioisótopos (substância radioativa que serve de base para a fabricação de radiofármacos) por empresas privadas, foi um dos temas da palestra Multipurpose Research Reactor - Past, Presente and Future, do coordenador técnico do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), José Augusto Perrotta, dentro do programa da Internacional Nuclear Atlantic Conference (INAC) 2021, promovida pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben).

A proposta era promover a flexibilização do monopólio da União na fabricação de radiofármacos (medicamentos compostos por substâncias radioativas, usadas para diagnóstico e tratamento de doenças, em especial, diferentes tipos de câncer).

"Para produzir radioisótopos é necessário um reator de pesquisa e o setor privado precisará continuar a importar os insumos. Logo, mesmo com a PEC aprovada, o RMB continua fundamental" - falou Perrotta.

O que justifica viabilizar esse empreendimento da ordem de U$ 500 milhões?

* ser o principal empreendimento de base científica e tecnológica da área nuclear do País e permitir dobrar imediatamente o número de procedimentos anuais realizados em medicina nuclear;

* garantir a estabilidade no fornecimento de radioisótopos;

* contribuir para ampliação do número de clínicas e hospitais que oferecem serviços de medicina nuclear;

* e promover economia de mais de U$15 milhões/ano com custos de importação de insumos.

Hoje, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN/CNEN-SP produz mais de 30 diferentes tipos de radiofármacos. Cerca de 2 milhões de procedimentos são realizados, por ano, para atender a mais de 400 clínicas atuando em medicina nuclear, sendo 1,5 milhão para a área privada e somente 500 mil para o SUS.

"A medicina nuclear per capita oferecida no SUS é 1/10 do que é disponibilizado na área privada" - calcula Perrotta.

O IPEN/CNEN-SP arrecada, com essa venda, cerca de R$ 120 milhões/ano, que são depositados no caixa único do Governo Federal.

Perrotta aponta que a situação atual do setor é de muita preocupação: "O IPEN/CNEN-SP já teve mais de 1.600 funcionários e hoje são menos que 600 por falta de reposição das vagas. Os laboratórios estão encerrando atividades e a manutenção e transferência do conhecimento estão comprometidas. O desenvolvimento do RMB sente por demais essa perda das equipes técnicas. Por sua vez, o interesse do setor privado é comercial. Não vai se interessar na pesquisa ampla”.

O empreendimento RMB terá, além do reator nuclear de pesquisa, toda uma infraestrutura de laboratórios para realizar as finalidades propostas, localizada em Iperó (SP) em 2 milhões de metros quadrados. Os principais laboratórios associados são: laboratório de processamento e manuseio de radioisótopos; laboratório de feixe de nêutrons; laboratório de análise pós-irradiação; laboratório de radioquímica e análise por ativação, além de instalações suporte para pesquisadores. Na forma concebida, será o catalisador para um grande centro de pesquisa nacional de aplicação de radiações para benefício da sociedade e da manutenção do conhecimento da tecnologia nuclear.

Essa tecnologia está presente em diversas aplicações para a sociedade, com ênfase em aplicações em especialidades médicas como a cardiologia, oncologia, hematologia e a neurologia. Com ela, é possível realizar diagnósticos precisos de doenças e complicações como embolia pulmonar, infecções agudas, infarto do miocárdio, obstruções renais, demências. É uma das melhores e mais eficientes maneiras de detectar o câncer, pois define o tipo e extensão de um tumor no organismo, o que ajuda na decisão sobre qual o tratamento mais adequado para cada caso.

O RMB também será usado para testar combustíveis nucleares para os reatores de potência utilizados no Brasil, e promover pesquisas básicas e tecnológicas em aplicações das mais diversas, como na indústria, na agricultura e no meio ambiente, dentre outras.

Hoje o empreendimento possui as condições técnicas de iniciar a construção, mas não dispõe de recursos financeiros e humanos para sua realização.

Acompanhe a programação completa da INAC2021 em www.inac2021.com.br

Contato imprensa: WhatsApp (21) 979368737 (Gloria Alvarez)

Associação Brasileira de Energia Nuclear

Rua Candelária, nº 65, 14º andar - Centro, Rio de Janeiro (RJ) - CEP 20.091-906 / Tel: (21) 2266-0480 / (21) 2588-7000 - ramal 4721