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Governo tcheco avança em direção a uma nova usina nuclear na central de Dukovany

Por David Dalton

(04/05/20) Segundo autoridades, unidade pode entrar em operação comercial em 2036

O Governo da República Tcheca aprovou acordos com a CEZ, estatal de geração de energia do país, os quais definem a estrutura para construção de uma nova usina nuclear na central de Dukovany, informaram autoridades governamentais e da companhia. O objetivo é que a planta entre em operação em 2036.

Detentor de 70% de participação na CEZ, o governo tcheco travou discussões com a companhia sobre como expandir a energia nuclear e substituir reatores comerciais antigos programados para serem fechados em definitivo nas próximas décadas.

O governo deseja propor um modelo de financiamento até o fim deste mês, antes de entrar em conversações com a Comissão Europeia a respeito do projeto.

No âmbito dos contratos aprovados, os quais o ministro da Indústria, Karel Havlícek, quer finalizar com a CEZ até o fim de junho, a empresa poderá vender partes do projeto ao Estado.

Um terceiro contrato ainda em elaboração estabeleceria condições em que o Estado poderia comprar eletricidade da CEZ e retirar o risco de preço de energia da concessionária.

O ministro da Indústria teria declarado à imprensa que o preço seria determinado de acordo com "custos justificados e lucro razoável" para a CEZ. Segundo ele, a discussão gira em torno de um "contrato de compra e venda". O Estado compraria a energia a um preço pré-estabelecido e depois venderia no câmbio de energia com lucro ou prejuízo.

Na estimativa do governo, uma nova usina nuclear com capacidade de 1.200 megawatts (MW) produzirá eletricidade suficiente para suprir um décimo do consumo anual do país a um custo entre 5,1 e 5,9 bilhões de euros.

Em março, a CEZ solicitou permissão ao órgão de segurança nuclear para construir dois novos reatores no sítio de Dukovany, localizado no sudeste da República Tcheca.

Tal solicitação ocorreu após aprovação, em setembro de 2019, pelo Ministério da Proteção Ambiental, de um estudo de impacto ambiental referente à construção de duas usinas. A pasta afirmou que o aval foi dado para até 2.400 MW de nova capacidade elétrica instalada.

Citado em reportagens locais no ano passado, o primeiro-ministro Andrej Babiš teria dito que um fornecedor de tecnologia deveria ser escolhido até o fim de 2022.

O diretor-executivo da CEZ, Daniel Benes, relatou em 2019 que a companhia deveria ter uma licitação pronta até junho de 2020 e que aguarda ofertas em 2021 de cinco empresas.

Contudo, a imprensa informou que seis instituições demonstraram interesse em construir a(s) nova(s) unidade(s): a chinesa CGN, a russa Rosatom, a sul-coreana KHNP, a francesa EDF, a estadunidense Westinghouse e a Atmea, uma joint venture entre Mitsubishi Heavy Industries e EDF.

A central nuclear de Dukovany abriga quatro usinas com reatores de tecnologia russa modelo VVER-440, do tipo de água pressurizada (PWR, na sigla em inglês), e o governo tcheco acredita que elas devem ser substituídas por novas plantas em cerca de 20 a 30 anos. De acordo com o Sistema de Informações de Reatores de Potência da Agência Internacional de Energia Atômica (Pris/IAEA, na sigla em inglês), elas foram conectadas à rede pela primeira vez em 1985 (unidade 1), 1986 (unidades 2 e 3) e 1987 (unidade 4). Cada uma possui capacidade elétrica instalada de 500 MW, totalizando, assim, 2 mil MW no sítio.

A República Tcheca ainda possui outras duas usinas nucleares em operação, na central de Temelín, as quais possuem o reator russo VVER-1000 e capacidade elétrica instalada de 1.082 MW (cada). Enquanto a primeira planta foi conectada à matriz elétrica no ano 2000, a segunda passou a operar em 2002, conforme informa o Pris/IAEA. De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em 2019 as seis usinas nucleares tchecas em funcionamento foram responsáveis por aproximadamente 35% da eletricidade produzida no país.

Foto: Central nuclear de Dukovany, na República Tcheca / Crédito: cortesia da AIEA

Fontes: NucNet (a matéria original, redigida em inglês e que data de 28/04/20, está disponível aqui) e Pris/IAEA (acesse aqui)

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