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Estudo de agências da OCDE conclui que custos da energia nuclear são competitivos

(29/09/15) Um estudo elaborado em conjunto pela Agência de Energia Nuclear (Nuclear Energy Agency - NEA, em inglês) e Agência Internacional de Energia (International Energy Agency - IEA, em inglês), vinculadas à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE (Organisation for Economic Co-operation and Development - OECD, em inglês), conclui que os custos da energia nuclear "permanecem alinhados" com outros de tecnologias de geração de eletricidade de base. Intitulada "Projected Costs of Generating Electricity - 2015 Edition", a publicação estima que o custo médio nivelado de eletricidade (LCOE, na sigla em inglês) de uma usina nuclear é comparável ao de uma planta térmica movida a carvão e inferior ao de uma usina de gás natural. LCOE é um preço em longo prazo o qual a eletricidade produzida em uma usina nucleoelétrica terá que ser vendida pelo investidor para cobrir todos os custos.

O estudo utiliza dados de 181 usinas de 22 países, incluindo três que não fazem parte da OCDE (Brasil, China e África do Sul). Essas plantas são de vários tipos: gás natural, carvão, nuclear, solar fotovoltaica, eólica (onshore e offshore), hidrelétrica, geotérmica, biomassa e cogeração de eletricidade e calor (CHP, na sigla em inglês). A publicação calcula o LCOE usando taxas de descontos de 3%, 7% e 10%, com base em combinações de suposições genéricas, específicas de cada país e específicas de cada tecnologia, as quais foram fixadas por um grupo de especialistas designado a calcular os custos a nível de usinas.

Em relação à geração de eletricidade de base, a energia nuclear foi a opção de menor custo para todos os países, a uma taxa de desconto de 3%. Entretanto, o alto custo de capital inerente às usinas nucleares é refletido no aumento dos custos previstos para uma planta termonuclear nas taxas de desconto de 7% e 10%. O mais alto LCOE para uma central nuclear é na Hungria, de US$ 69,68 por megawatt-hora (MWh). Já o mais baixo LCOE está na Coreia do Sul, de US$ 22,20 por MWh. A média é estimada em torno de US$ 82 por MWh.

O LCOE da energia nuclear, a uma taxa de desconto de 3%, varia de US$ 29 por MWh (Coreia do Sul) a US$ 64 por MWh (Reino Unido). Já considerando uma taxa de desconto de 7%, a variação aumenta para US$ 40 a US$ 101 por MWh, e de US$ 51 a US$ 136 por MWh em uma taxa de desconto de 10%. Assumindo uma taxa de desconto de 10%, o documento informa que o LCOE médio para um central nuclear cresceu de cerca de US$ 90 por MWh em 2010 para US$ 115 por MWh em 2015.

O estudo informa que muitas centrais nucleares existentes estão atingindo seus prazos de vidas úteis previstos em projetos com renovações, aperfeiçoamentos na segurança e extensões de vidas úteis em um cenário que leva em conta os próximos 20 anos. Nesse contexto de referência, o relatório estima que o LCOE de uma usina nuclear a qual teve a vida útil estendida fica entre US$ 23 a US$ 26 por MWh.

Observando as perspectivas futuras de tecnologias energéticas, o documento declara que até 2030 o foco será em pequenos reatores nucleares modulares (Small Modular Reactors - SMRs, em inglês) e em protótipos de reatores da Geração IV. "SMRs podem atingir nichos de mercados e países com pequenas redes de eletricidade que requerem energia de base", enfatiza o estudo.

No melhor cenário, é esperado que os SMRs tenham o custo total de geração de eletricidade igual ao de usinas nucleares com maior capacidade elétrica instalada, se todas as vantagens competitivas dos SMRs forem concretizadas. Entre tais vantagens, estão a produção em série, otimização das cadeias de suprimento e menores custos diretos de financiamento. O estudo da NEA e IEA sugere que, para a abertura de mercado para os pequenos reatores modulares, os governos e a indústria deveriam trabalhar juntos a fim de identificar os mercados alvos e acelerar a implantação de protótipos de SMRs nesses mercados.

No caso das tecnologias da Geração IV, o relatório conclama aos governos que avaliem os benefícios em longo prazo do desenvolvimento de tais projetos. As parcerias público-privadas devem ser colocadas em prática entre os governos e a indústria para desenvolver projetos experimentais de aplicação de tecnologia de cogeração (eletricidade e calor) em centrais nucleares.

Os fatores de custo das diferentes tecnologias variam conforme o mercado e a tecnologia e o relatório recomenda cautela sobre extrair lições gerais de suas análises. "Não existe tecnologia única que pode ser considerada a mais barata no espectro de todas as circunstâncias". O estudo conclui que "os custos do sistema, estrutura de mercado, ambiente político e dotação de recursos continuam a desempenhar um importante papel na determinação do custo nivelado final de qualquer investimento determinado".

A matéria original, redigida em inglês, foi publicada no site Nuclear Engineering International (NEI Magazine), no dia 03/09/15, aqui.

O documento Projected Costs of Generating Electricity - 2015 Edition é vendido na íntegra aqui. Já o sumário do estudo pode ser conferido aqui.

Fonte: Nuclear Engineering International (NEI Magazine)

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