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Energias eólica e solar são ainda mais caras do que é comumente pensado

(06/08/14) Os subsídios concedidos para energias renováveis fazem parte de uma das políticas públicas mais contestadas. Bilhões são gastos para fomentar as novas indústrias de geração solar e eólica na esperança de que um dia elas cortarão os combustíveis fósseis e reduzirão drasticamente a quantidade de dióxido de carbono que é emitida na atmosfera.

Mas enquanto o custo de um painel solar é fácil de calcular, o custo geral da eletricidade produzida é muito mais difícil de mensurar. Ele depende não apenas do combustível utilizado, mas também do custo de capital (usinas elétricas demoram anos para serem construídas e duram décadas), quanto tempo uma planta opera e se ela gera energia nos momentos em que a demanda atinge o pico. Para conseguir contabilizar todos esses fatores, economistas utilizam o termo conhecido como "levelised costs" (algo como "custos nivelados", em português), que representa o atual valor líquido de todos os custos (capital e operacional) de uma unidade geradora de eletricidade por todo seu ciclo de vida, dividido pelo número de megawatts-hora (MWh) de eletricidade prevista que ela irá fornecer.

Há, contudo, um problema, segundo o especialista Paul Joskow, do Massachusetts Institute of Technology (MIT): os custos de intermitência, que não são levados em conta pelos "levelised costs". O fato de a energia eólica não ser gerada em um dia sem vento e de a solar não ser produzida à noite, o que permitiria que usinas convencionais fossem mantidas apenas em caráter de reserva, não são incluídos nos custos nivelados. Além disso, a demanda de eletricidade também oscila durante o dia de modo que a geração solar e a eólica não consegue atender.

Pensando nesse problema, o especialista Charles Frank, da Brookings Institution, utiliza uma análise de custo-benefício para classificar as várias formas de energia. Os custos incluem aspectos de construção e operação de usinas e aqueles associados a tecnologias particulares, como alternâncias no sistema elétrico quando plantas eólicas e solares são desligadas ou o armazenamento de rejeitos radioativos oriundos da geração nucleoelétrica. Os benefícios de energias renováveis incluem os valores dos combustíveis que seriam utilizados se usinas a carvão ou a gás produzissem a mesma quantidade de eletricidade e a quantidade de dióxido de carbono que deixam de liberar. A tabela - confira link abaixo - sintetiza esses custos e benefícios, demonstrando que as energias eólica e solar são mais caras do que aparentam com base nos "levelised costs".

Quatro fontes energéticas que não emitem carbono (solar, eólica, hidroelétrica e nuclear) e uma que emite muito pouco carbono (um tipo especialmente eficiente de gás que move uma usina térmica) foram comparadas com uma geração elétrica baseada no carvão, um combustível fóssil. As usinas nucleares, que têm fator de capacidade de 90% (período em que operam a plena carga), evitam a emissão de quase quatro vezes mais CO2 por unidade de capacidade do que turbinas eólicas, as quais funcionam em aproximadamente 25% do tempo. Na comparação com a fonte solar, a nuclear evita a emissão de seis vezes mais CO2. Em termos financeiros, considerando que uma tonelada de carbono custe 50 libras, a energia nuclear "poupa" 400 mil libras de emissões de carbono por megawatt (MW) de capacidade, comparada com as 69.500 libras da solar e as 107 mil libras da eólica.

Para determinar o custo e o benefício total, entretanto, é preciso levar em consideração o custo das usinas térmicas movidas a combustíveis fósseis que têm que operar nos momentos em que as eólicas e solares não produzem eletricidade. Se todos os custos e benefícios forem mensurados com base nos cálculos de Charles Frank, a energia solar é de longe a fonte mais cara para reduzir as emissões de carbono. A substituição de 1 MW por ano da energia produzida pelo carvão custa 189 mil libras. Eólica é a segunda energia mais cara, enquanto a hidrelétrica gera um benefício modesto à matriz. A energia nuclear é a mais eficiente no custo efetivo de não-emissão de carbono. Portanto, as energias renováveis são as mais caras formas de reduzir a emissão de gases de efeito estufa a partir de matrizes energéticas.

A conclusão dos estudos do especialista da Brookings Institution é clara: os governos deveriam mirar na redução da emissão de carbono a partir de qualquer fonte em vez de focar no estímulo a certos tipos de energia renovável.

O texto completo e um gráfico (em inglês) estão disponíveis aqui.

Fonte: The Economist

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