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Energia nuclear, uma necessidade

(04/04/19) É muito importante quando se discute algum assunto técnico que as afirmativas venham embasadas de dados concretos, de preferência de instituições conceituadas. Só assim pode-se dar credibilidade a quem fala. Em se tratando de energia elétrica e especialmente energia nuclear percebe-se um grande interesse de alguns veículos da mídia e de alguns pseudo ambientalistas em desinformar a sociedade com meias verdades e informações incorretas. Cabe deixar no ar a pergunta: por que razão?

Um conceito básico em sistemas elétricos é que a produção de eletricidade deve vir acompanhada de segurança energética, menor custo tarifário e o mais baixo impacto ambiental possível. Na concepção de uma matriz energética, busca-se combinar as diversas fontes de produção de eletricidade de tal forma a compor um programa de expansão, no curto, médio e longo prazo, que atenda essas premissas. Um bom sistema elétrico é fundamental para o desenvolvimento de qualquer país e particularmente o Brasil.

As renováveis, hidrelétricas, eólica e solar terão sempre um papel importante na formação dessa matriz. Porém seria ingênuo pensar que seriam suficientes. Quando falta vento, água ou sol como fica o atendimento das cargas? Um país não pode depender unicamente do clima para suprir seu mercado de energia elétrica sob pena de sofrer apagões sucessivos, e não poder garantir segurança energética e baixo custo a seus consumidores presentes e futuros. Eis a questão! Não é por outra razão que o mundo gera eletricidade com uma matriz com pouco menos de 80% de termelétricas (aí incluída as nucleares) combinadas com pouco mais de 20% de outras formas de energia, aí incluídas as renováveis (IEA - 2015 - Agência Internacional de Energia). Essa grande quantidade de termelétricas tem causado problemas ambientais severos, sobretudo as movidas a carvão (as maiores poluidoras) e as movidas a óleo e a gás.

Recentemente, o maior ambientalista da Europa, o alemão Michael Shellenberger, defendeu a energia nuclear dizendo que apenas ela poderá evitar o aquecimento global. No passado, ele foi um ferrenho ativista antinuclear, mudando de opinião após conhecer, com maior profundidade, os aspectos relacionados com a produção de eletricidade com base nucleoelétrica. Certamente o grupo Greenpeace, pelo radicalismo ambiental e irracional que exerce, vai vê-lo com outros olhos. Ele explica porque deixou de ser um ativista antinuclear por anos para se tornar pró-nuclear: "Um dia eu percebi que a energia nuclear não era o que eu pensava. As pessoas precisam saber a verdade sobre a energia nuclear".

Na sua opinião, só a energia nuclear pode tirar todos os seres humanos da pobreza e, ao mesmo tempo, evitar níveis perigosos de aquecimento global. Ele explica porque deixou de ser um ativista antinuclear por anos para se tornar um defensor das usinas nucleares: em primeiro lugar porque Stewart Brand, um famoso fundador do ambientalismo nos Estados Unidos, declarou-se um cientista pró-nuclear em 2005; alguns anos depois percebeu que não poderia fornecer energia suficiente para o mundo apenas com energia eólica e solar porque, além de serem energia intermitente, tornam a energia mais cara. Por fim os relatórios das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde sobre Chernobyl, relatando o pequeno número de pessoas que morreram.

Cita ainda os exemplos da França e da Suécia. Nos anos setenta e oitenta esses dois países construíram usinas nucleares suficientes para atingir as metas climáticas do Green New Deal. Ele faz um comparativo com a Alemanha, que deverá gastar até 2025 US$ 580 bilhões em energia renovável e infraestrutura enquanto fecha suas usinas nucleares. Tudo o que a Alemanha terá alcançado com sua transição energética é aumentar os preços da eletricidade em 50% e ter uma oferta com dez vezes mais emissões de carbono do que a França.

Todos os estudos realizados nos últimos quarenta anos mostram que a energia nuclear é o caminho mais seguro para gerar eletricidade. A razão é simples: as usinas nucleares não produzem fumaça, o que causa a morte prematura de sete milhões de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. Quando a energia nuclear é usada em vez de biomassa ou carvão, vidas são salvas. O climatologista James Hansen descobriu que a energia nuclear salvou 1,8 milhões de vidas até hoje, evitando o uso dos combustíveis fósseis.

Para um mundo mais limpo e com menos emissões de gases de efeito estufa, é fundamental o aumento da participação das usinas nucleares na matriz de energia elétrica.do planeta.

O Brasil, que possui grandes reservas de urânio e domina o ciclo do combustível nuclear, caminha para acelerar a construção de novas usinas nucleares, e formar, junto com as hidrelétricas, as eólicas e a solar, um sistema elétrico de baixo impacto ambiental e grande segurança energética, e econômica.

Engº Carlos Henrique Mariz
Membro da Academia Pernambucana de Engenharia

Associação Brasileira de Energia Nuclear

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