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Chinesa CNNC busca negócios no Brasil

(20/10/14) A disputa para fornecer os reatores das futuras usinas nucleares brasileiras ganhou mais um concorrente de peso. A China National Nuclear Corporation (CNNC) entrou na briga pelo mercado brasileiro, cobiçado principalmente pelo consórcio franco-japonês Areva/Mitsubishi, a americana Westinghouse e a russa Rosatom, que firmou em julho acordo de cooperação com a construtora Camargo Corrêa, para estudar oportunidades na América Latina.

O Valor apurou que representantes da estatal chinesa participaram recentemente de reuniões com o Ministério de Minas e Energia e com a Eletrobras, controladora da Eletronuclear, empresa responsável pela operação e comercialização de energia nuclear no país. Segundo fontes a par do assunto, a CNNC inclusive já mantém representantes no país.

O governo brasileiro prevê a necessidade de quatro novas nucleares, de 1 mil megawatts (MW) de capacidade cada, no país até 2030. Essa estimativa, porém, está defasada e uma nova projeção, com horizonte de 2050, deve ser divulgada pelo governo no início do próximo ano.

A CNNC possui quatro centrais nucleares instaladas na China, com um total de 6,5 mil megawatts (MW) de capacidade, e cinco centrais em construção, que agregarão 12,5 mil MW ao parque gerador da companhia. Além disso, a empresa tem projetadas outras cinco centrais nucleares naquele país.

A chinesa já tem atuação na América do Sul. Este ano, a companhia assinou contrato com o governo argentino para fornecer o reator da quarta usina nuclear do país vizinho. Segundo o presidente da Nucleoeléctrica Argentina SA (Nasa), Jose Luis Antunez, a nova usina tem investimento previsto de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões e deve entrar em operação dentro de aproximadamente oito anos.

"É uma experiência diferente, mas até agora tem sido uma boa experiência", disse o executivo sobre a relação com a CNNC. A chinesa propõe fornecer seu novo modelo ACP 1000, de água pressurizada e 1,1 mil megawatts (MW) de potência (o mesmo que tem apresentado no Brasil), mas a tendência é que o governo argentino opte pela tecnologia de água pesada e urânio natural. A decisão sobre o modelo do reator será tomada pelo governo argentino apenas no próximo ano.

Antunez disse ainda que a terceira usina nuclear argentina, Atucha II, deve alcançar a capacidade plena, de 740 MW, no fim deste ano. Com isso, a capacidade instalada de energia nuclear na Argentina saltará para 1.800 MW. O volume é pouco menor que o do parque de geração nuclear do Brasil, mas responderá por 10% da produção de energia do país vizinho.

A história de Atucha II é parecida com a da usina nuclear de Angra III, em implantação no litoral Sul do Estado do Rio de Janeiro. A usina argentina começou a ser construída no início dos anos 1980. Porém, em 1994, as obras foram interrompidas.

Apenas em 2006, sob o nome oficial de "Néstor Kirchner", em referência ao ex-presidente argentino, o projeto foi retomado. E iniciou a operação em junho deste ano. Segundo Antunez, é difícil calcular o valor total do investimento na usina, mas ele estima que tenham sido gastos entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões no empreendimento.

Antunez apresentou o projeto de Atucha II na 1ª Feira Mundial Nuclear (WNE, na sigla em inglês), na última semana, em Paris. Promovido pela Associação Francesa de Exportadores da Indústria Nuclear (Aifen, na sigla em francês) e a Reed Expositions, a feira reuniu 495 expositores e cerca de 7 mil participantes, para debater os rumos do setor nuclear três anos após o acidente da central nuclear de Fukushima, no Japão.

Segundo o presidente mundial da Rosatom, Sergey Kirienko, estão em construção no mundo hoje 72 reatores nucleares, dez a mais do que o observado no ano passado. Ele acredita que esse número deve dobrar em 2020. "A cada mês, um novo país demonstra o interesse na geração de energia nuclear. E o setor também continua crescendo em países onde a tecnologia já é tradicional, como a França", afirmou Kirienko.

Na avaliação de executivos do setor, um grande impulso foi dado no início do mês com o aval da Comissão Europeia ao governo Britânico para utilizar recursos públicos para subsidiar o preço da energia das duas usinas nucleares que serão construídas em Hinkley Point, no sul do Reino Unido. Com investimento previsto de € 20,3 bilhões, as usinas serão operadas por um consórcio liderado pela francesa EDF e que tem a participação minoritária das chinesas CNNC e China General Nuclear Power Corporation (CGNPC).

Segundo o presidente da Associação da Indústria Nuclear do Reino Unido, John Hutton, a decisão da Comissão Europeia "abriu as portas" não só para o Reino Unido, mas para vários países da União Europeia. De acordo com especialistas, a medida abriu precedente para países como Polônia, Lituânia e República Tcheca, que estão interessados na geração de energia nuclear.

A decisão da Comissão Europeia também deve influenciar a estratégia das grandes companhias energéticas. "O mundo está mudando rapidamente. Queremos ser líder na transição energética na Europa. E ter participação importante na expansão da energia nuclear", afirmou o presidente mundial da franco-belga GDF Suez, Gérard Mestrallet.

Com relação ao Brasil, o executivo reforçou que a companhia tem interesse em investir na implantação e operação de usinas nucleares no país. "Primeiro de tudo, o governo brasileiro precisa tomar uma decisão. Se a decisão for por abrir o setor para a construção de novas nucleares, com certeza vamos considerar a situação", afirmou o executivo.

De acordo com a Constituição brasileira, hoje, apenas o governo pode ser majoritário em projetos de geração de energia nuclear no Brasil. Há, no entanto, pleitos no mercado para que o segmento seja aberto à participação majoritária de investidores privados.

Mestrallet lembrou que a GDF Suez assinou há alguns anos um memorando de entendimentos com a Eletrobras e a Eletronuclear para estudar a evolução do setor de energia nuclear brasileiro. Ele afirmou também que a energia nuclear é a única fonte na qual a companhia "ainda não investe no Brasil".

"Temos alguma experiência no setor de energia nuclear, na construção de usinas nucleares. E temos alguma experiência no mercado brasileiro. E nós gostamos do Brasil", completou o executivo.

Fonte: Valor Econômico (matéria retirada do site Guia Oil & Gas Brasil)

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