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Angra 3 fica inviável sem revisão de tarifa, segundo Eletronuclear

(29/05/18) Companhia pede remuneração de R$ 400/MWh e estima que cancelamento do projeto custaria R$ 12 bilhões, contra R$ 14 bilhões para conclusão

Por Matheus Gagliano

A viabilidade técnico-econômica de Angra 3 só se tornará realidade se o governo fizer a revisão da tarifa da usina, que hoje está em R$ 244 por MWh, defende o presidente da Eletronuclear, Leonam Guimarães. O pleito da companhia é que a tarifa seja reajustada para o patamar de R$ 400/MWh. Para o executivo, mesmo com esse aumento a operação da usina é mais competitiva do que o despacho de termelétricas.

Estudo da Eletronuclear levou em consideração todo o despacho térmico do ano passado e observou que foram utilizados 10 mil MW de térmicas para manter a oferta de energia no país e ajudar na recuperação dos reservatórios das hidrelétricas. Deste montante, 2 mil MW foi proveniente de Angra 1 e Angra 2.

Ao longo do ano, as térmicas efetivamente despachadas tiveram um custo de R$ 5,9 bilhões, estimou a companhia. Se Angra 3 tivesse operado em 2017 por 11 meses (considerando-se um mês de parada para reabastecimento), o custo total teria sido de R$ 5 bilhões, considerando uma tarifa de R$ 400/MWh. Ou seja, uma economia de R$ 900 milhões no custo total da energia gerada no sistema interligado pela substituição das térmicas mais caras pela geração nuclear, conforme o estudo.

Guimarães explicou à Brasil Energia que, dentro de um cenário hipotético, se Angra 3 já estivesse em operação, com seus 1.350 MW de potência instalada, o despacho de térmicas mais caras seria de apenas 6,6 mil MW. "Existem térmicas a óleo combustível, por exemplo, que deixariam de ser despachadas. São mais caras que Angra 3", comentou ele. O executivo disse ainda que a usina nuclear tem a vantagem de estar próximo ao mercado de consumo, diminuindo as perdas na transmissão.

O diretor da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Marcelo Gomes da Silva, avalia que a geração de Angra 3 pode ajudar as hidrelétricas a modular a variabilidade da geração das energias renováveis, como a eólica e solar. O preço de Angra 1 e Angra 2 hoje é definido pela Aneel, mas o valor da energia de Angra 3 é estabelecido pelo MME.

O reajuste da tarifa da usina era um dos temas previstos na MP 814, que também incluía solução para as dívidas das distribuidoras da Eletrobras. A medida, que vence na próxima sexta-feira (1/6), não deve ser pautada pela Câmara.

Retomada

A empresa defende uma solução para a retomada das obras de construção da usina ainda no governo do presidente Michel Temer. Para Leonam, quanto mais o tempo passa, mais difícil se torna retomar a usina. As obras de Angra 3 foram paralisadas em 2015 em função das investigações da operação Lava Jato. Guimarães disse que são necessários R$ 14 bilhões para a conclusão da usina enquanto o cancelamento demandará gastos de R$ 12 bilhões.

"Se cancelar, é uma decisão economicamente estranha, pois seriam gastos R$ 12 bilhões sem ter o retorno da operação da usina", frisou o presidente da estatal.

Guimarães disse ainda que as incertezas envolvendo Angra 3 atingem todo o setor termonuclear. Isso porque não haveria como discutir outros projetos enquanto a obra não avançar.

Há alguns anos, quando Angra 3 foi retomada, considerou-se a construção de novas usinas em outras partes do país. Entidades do setor chegaram a prospectar, por exemplo, a construção de uma central na região Nordeste.

Foto: Divulgação

Fonte: Brasil Energia (a matéria original está disponível aqui)

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