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REVISTA BRASIL NUCLEAR, ANO 15, NÚMERO 35,

Problemas comuns


Vera Dantas

Investir em transporte e energia é um dos principais requisitos para impulsionar e sustentar o crescimento econômico. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Guilherme Camargo, além de desenvolver hidrovias e a navegação de cabotagem – “o transporte aquaviário é, sem dúvida, o mais barato e precisa ser mais bem explorado”, diz - é importante que se recupere a indústria naval brasileira e se invista em infraestrutura portuária, pois os portos de Santos e Sepetiba não dão mais conta de escoar a produção agrícola e as exportações do país. Ele defende também a necessidade de investimentos para recuperar as malhas ferroviária e rodoviária do país.

O economista Helder Queiroz Pinto diz que, além de investimento, os setores de transporte e energia carecem de um planejamento mais integrado. “Nós nos habituamos nos últimos anos, e isso está na raiz do PAC, a ter projetos isolados, sem articulação, o que acaba provocando problemas de execução e o encarecimento das obras”, explica. No caso do setor de transporte, a ausência de planejamento se reflete na baixa integração intermodal, que impede um melhor aproveitamento das vias fluviais e, também, da capacidade portuária. E, no setor de energia, na falta de integração das diferentes tecnologias de geração e, também, das diversas instituições envolvidas. “Do ponto de vista de recursos energéticos, o país tem uma situação que causa inveja no mundo. Também temos tecnologia e capacidade de engenharia. O grande problema tem sido a articulação da política energética com as demais políticas públicas”, afirma.

Ele cita as interrupções nas obras das usinas hidrelétricas do rio Madeira – duas paradas em um período de três meses - como um exemplo das conseqüências negativas provocadas pela falta de coordenação entre diferentes políticas públicas. “Projetos de tal magnitude, de grande relevância para o desenvolvimento nacional, como também é o caso de Angra 3, não se restringem ao ministério das Minas e Energia. Eles precisam estar articulados com a política ambiental, a política industrial e de ciência e tecnologia, pelo menos, para que não sofram paradas indevidas, que resultarão no aumento do custo final da obra e, consequentemente, na tarifa que será repassada para o consumidor”, critica.

O economista também vê a necessidade de se reforçar os sistemas de interconexão com os países vizinhos, o que permitirá ao país vender a eletricidade excedente ou importar, caso necessite, em situações emergenciais. “O Brasil tem um potencial enorme de se tornar, em um horizonte de 10 a 15 anos, um grande exportador de energia. Isso vai acontecer com o petróleo, a partir da exploração do pré-sal, com o gás, e já está acontecendo com os biocombustíveis. Na eletricidade, por que não?”, conclui.




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