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BRASIL NUCLEAR, ANO 11, NÚMERO 29, FEVEREIRO 2006

Energia nuclear é vital para reduzir o aquecimento global

Reatores evitam a emissão de 2.5 bilhões de toneladas de CO2 no mundo

o protocolo de Kyoto seria impossível sem a energia nuclear”. Com esta afirmação, o representante da Areva, Rubens Lazlo, sintetizou para os participantes do Inac 2005 a importância da energia nuclear para a redução do aquecimento global. Garantindo que a energia nuclear evita a emissão de 2.5 bilhões de toneladas de CO2 no mundo, ele citou o exemplo da Alemanha, um país que mede com precisão o nível de emissões. “No ano passado, os 19 reatores evitaram 170 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde a toda emissão dos meios de transporte da Alemanha”, afirmou.

Um dos palestrantes da mesa-redonda “Energia Nuclear e Aquecimento Global”, realizada no segundo dia do Inac 2005, Lazlo apontou como um dos grandes desafios deste início de século conciliar a demanda crescente de energia no mundo com a questão ambiental. Explicou que o crescimento demográfico previsto para os próximos 50 anos, quando o planeta deverá ter entre 9 e 10 bilhões de habitantes, aliado ao crescimento econômico, aumentará drásticamente a demanda de energia. Para fazer frente a essa evolução, será necessário aumentar a oferta de energia. Segundo Lazlo, a energia nuclear é responsável por 16% da produção de eletricidade no mundo, sendo que nos países da OCDE, essa participação chega a 24%. “Hoje temos quase 438 reatores em funcionamento, em 31 países, 25 reatores em construção e 46 em planejamento. Isso significa que os países desenvolvidos sustentaram a evolução do crescimento industrial com a energia atômica. Ela foi um pilar do desenvolvimento industrial”, afirmou.

Vantagem dupla

Além de reduzir o nível de emissões de CO2, a energia nuclear apresenta, segundo o palestrante, vantagens econômicas em relação às demais fontes de energia, principalmente diante da inevitável escassez dos recursos naturais no mundo. Ele explicou que enquanto as reservas de petróleo garantem de 50 a 60 anos de consumo, o gás natural tem reservas para 160 anos. E que, à medida que essas reservas vão sendo consumidas, o preço delas cresce em proporção direta. Já o urânio, matéria- prima da energia nuclear, possui reservas ilimitadas e, mesmo que seu preço venha a aumentar, essa evolução terá um impacto muito baixo no custo de produção nuclear. “Mesmo que o preço do urânio triplique, o custo de produção numa usina nuclear fica praticamente inalterado”, garantiu.

SAo abordar as conseqüências do aquecimento global, o representante da Areva citou algumas das das mudanças climáticas que vêm ocorrendo no mundo. “O nível dos mares aumentou, o gelo da cordilheira dos Andes está diminuindo, os ciclones que atacam os Estados Unidos estão mudando de freqüência, as geleiras foram reduzidas à metade nos Alpes europeus, no último século, o Himalaia está perdendo 15 metros de gelo por ano”, disse.

Ele advertiu para o risco de catástrofes naturais de maior envergadura se a temperatura do planeta continuar aumentando. “Vamos ter mais extremos, secas e inundações. As ondas climáticas vão se deslocar. Londres, em 2080, vai ter a temperatura do sul da França. Um exemplo de como o aumento da temperatura pode impactar a evolução do planeta é o seu efeito na agricultura. A mudança já está influindo fortemente na produção de arroz, o que afeta diretamente 50% da população do planeta, que dependem desse alimento”, afirmou.

Rubens Lazlo fez questão de enfatizar que não postula que a energia nuclear é a solução para o problema do aquecimento global, mas que ela pode ajudar a resolvêlo. “Compreendemos que os países devam fazer um mix de energia, que deve contemplar a geração nuclear”, explicou. Ele informou que as previsões da Areva são que em 2030 a energia nuclear possa alcançar uma capacidade instalada de 500 mil MW a 600 mil MW.

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