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O governo do Estado do Rio de Janeiro também vem se esforçando para viabilizar a construção de Angra 3, principalmente junto ao governo federal. Em abril, o secretário de Energia, da Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, enviou uma carta ao Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, destacando os pontos favoráveis à conclusão da obra. Além do incremento da atividade de enriquecimento de urânio no país, Victer argumenta que o Brasil tem a sexta maior reserva mundial de urânio do mundo e os insumos operacionais de Angra 3 não estão, em sua maioria, vinculados a moeda estrangeira ou a importação de recursos naturais, como o gás boliviano.
“Uma usina a gás natural equivalente a Angra 3 consumiria cerca de 7 milhões m3/ dia. Este volume de combustível pode não existir no futuro, até por que o Brasil não é auto-suficiente na produção do gás. O urânio é uma opção de menor incerteza financeira”, defende.
O secretário diz que não podemos abrir mão da tecnologia que, no futuro, poderá ser necessária para expandir o parque nuclear nacional. “Existe uma situação bizarra que se coloca. Não consigo entender que o Brasil defenda o enriquecimento de urânio, a produção de combustível, nosso segredos tecnológicos e não venha defender a usina onde se usa este combustível e que dará economicidade a sua produção”, ressalta.
Para Victer, Angra 3 possui uma vantagem em relação a Angra 2: o valor de investimento para a conclusão das obras está definido. “Os custos complementares de Angra 3 são da ordem de US$ 1,8 bilhão e o montante já foi auditado por entidades internacionais de renome como Iberdrola e EDF. A possibilidade de o orçamento fugir dessa faixa é reduzida”, comenta o secretário.
Ele comenta ainda que os US$ 700 milhões comprados em equipamentos serão descartados, pois foram projetados especificamente para o projeto de Angra 3 e não teriam outra aplicação. Victer ressalta ainda que o condicionamento adequado dos equipamentos gera um gasto anual de US$ 20 milhões e a não construção de Angra 3 seria um grande desperdício de recursos públicos.
A diversificação da matriz energética brasileira também é apontada por Victer como um ponto favorável à implantação de Angra 3. Embora o valor da energia nuclear seja mais alto do que o da hidroeletricidade, Victer ressalta que a geração hídrica está sujeita a períodos de seca. O secretário lembra que o governo federal está incentivando, por meio do Proinfa (Programa de Incentivo a Fontes Alternativas), energia de origem solar, eólica e de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), que têm custo maior do que a nuclear.
A preocupação com a estocagem final dos rejeitos nucleares é pertinente, do ponto de vista de Victer. Ele ressalta que o problema não será criado com a implantação de Angra 3, já que o país precisa buscar uma solução para os rejeitos de Angra 1e 2. O secretário defende ainda que, diferentemente da geração termoelétricas a gás natural ou carvão, a nuclear não emite gases para a atmosfera e é considerada “limpa”, além de ser coerente com os princípios do Protocolo de Kyoto.
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