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ÁTOMOS

BRASIL NUCLEAR, ANO 11, NÚMERO 27, SET/OUT - 2004

Geração nuclear mundial crescerá em 20% até 2025

Relatório divulgado pela Administração de Informação Energética (EIA) prevê que deve aumentar em 20% a produção de energia nuclear no mundo, até 2025. A EIA, agência do governo norte-americano, estima que a geração nuclear global deve passar dos 2.521 Terawatt-horas (TWh), registrados em 2001, para 3.032 TWh em 2020, caindo um pouco em 2025 para 2.906 TWh. Em países do primeiro mundo, principalmente, algumas usinas estão ganhando aumento de potência, enquanto outras, que seriam desligadas em breve, estão tendo sua desativação adiada para aumentar sua vida útil. Só nos Estados Unidos, 25 centrais nucleares ganharam licença renovada por mais vinte anos, aumentando de 40 para 60 anos seu tempo de atividade. Outras 17 também pediram renovação, e mais 21 anunciaram que pretendem fazer o mesmo até 2007. Outro fator é que a exaustão de reservas minerais deve aumentar os preços do petróleo e do gás nos EUA, reforçando a necessidade de usinas nucleares. As atuais 103 centrais dos EUA respondem por cerca de um quinto do sistema elétrico, com 97.452 MW de capacidade (mais que toda a geração de energia elétrica do Brasil). De acordo com o estudo, o maior aumento na produção de energia nuclear virá dos países em desenvolvimento, onde o aumento do consumo nucleoelétrico será da ordem de 4,1% por ano entre 2001 e 2025. Grande parte deste crescimento acontecerá nos países emergentes da Ásia. Apesar do aumento da capacidade, a participação nuclear na geração total de energia deverá cair de 16% em 2001 para 12% em 2025, pois o aumento de 54% previsto para o consumo deve ser suprido pelas fontes energéticas convencionais - petróleo, gás natural e carvão.

O texto integral do relatório está disponível pela Internet, no endereço www.eia.doe.gov/oiaf/ieo/n27.htmll

Usinas nucleares alemãs aumentam produção

Apesar do compromisso do governo alemão em abandonar a energia nuclear - uma exigência do Partido Verde para manter o apoio político ao governo - as usinas nucleares apresentaram crescimento na produção de energia em 2003. O total de energia elétrica gerada pelas 19 centrais alemãs foi de 165,1 Terawatt-horas (TWh), contra 164,8 TWh produzidos em 2002. A eletricidade de fonte nuclear corresponde a um terço do sistema elétrico do país, fração que deve ser mantida este ano. Os dados são do DAtF (Fórum Atômico Alemão).

A variação foi especialmente significativa num ano em que a Europa foi assolada por uma onda de calor que elevou a demanda energética. Durante agosto de 2003, o mês mais quente do fenômeno, as usinas alemãs geraram 10% a mais de eletricidade do que no mesmo mês do ano anterior. Também aumentou o fator de disponibilidade das usinas nucleares alemãs, passando de 86% em 2002 para 87,7% em 2003, embora a maior parte das unidades tenha registrado fator superior a 90%.

O presidente do DAtF, Gert Maichel, interpretou os números como reiteração da importância da energia nuclear para a produção doméstica de eletricidade no país. Na Alemanha, onde está previsto em lei o abandono gradual desta forma de energia, o governo age contra o setor porque depende do apoio político do Partido Verde.

União Européia recomenda energia
nuclear para o continente

O Comitê Econômico e Social da União Européia adotou como posição oficial um estudo que ressalta a importância da energia nuclear como fonte energética para o continente. Analistas consideram que a decisão é um sinal importante enviado para os políticos e tomadores de decisão europeus. O relatório defende a energia nuclear como componente de uma matriz energética diversificada, equilibrada e sustentável para a Europa unificada. E lembra que é uma fonte de energia que, diferente do petróleo, por exemplo, não depende de suprimento externo. Representantes do setor no continente afirmam que o abandono da energia nuclear faria subir o preço da eletricidade para os consumidores e forçaria mudanças radicais para os cidadãos europeus. Para Claude Cambus, representante francês no comitê, a energia nuclear é a única forma realista de satisfazer as necessidades energéticas da Europa.

Mais um depósito de resíduos para Angra 1 e 2

Já está sendo preparada a construção de um terceiro depósito de resíduos radioativos para as usinas de Angra. O novo depósito vai armazenar rejeitos de baixa e média radioatividade produzidos por Angra 1 e 2. A Eletronuclear, empresa que administra o complexo, pretende ainda ampliar, com um módulo adicional, um dos dois outros depósitos que recebem os tambores de resíduos radioativos.

A nova unidade de armazenamento terá várias vantagens sobre as anteriores, a começar pelo tamanho. Será a maior das três, com uma área de aproximadamente 1.000 m2 e capacidade para 5.928 recipientes, entre tambores, embalados e caixas de rejeitos. A estrutura do depósito terá ainda paredes mais espessas, que funcionam como blindagem e impedem vazamento de radiação.

De acordo com Magno José de Oliveira, chefe de proteção radiológica da Eletronuclear, existe um controle rigoroso sobre todo o conteúdo e movimentação dos depósitos. "Somos capazes de dizer qual seu conteúdo, todos os dados radiológicos referentes, a data em que foi gerado, em que depósito se encontra e sua posição dentro do recinto. É como se cada tambor tivesse uma carteira de identidade", compara. As informações ficam disponíveis por meios eletrônicos na rede interna da empresa.

Entretanto, as novas instalações serão ainda uma solução temporária para o destino dos resíduos de Angra, pois o depósito definitivo ainda será construído e só deve ficar pronto em 2009. Quando isto ocorrer, todo o conteúdo guardado nos três depósitos temporário será transferido para o armazenamento final. A previsão para a entrada em operação do terceiro depósito é em 2005, mas a data depende do licenciamento ambiental concedido pelo Ibama. O relatório de impacto ambiental, que já foi enviado a este órgão, considerou desprezíveis os riscos da instalação.

Nuclep construirá casco da
plataforma P-51 da Petrobras

A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, assinou o decreto que concede incentivos fiscais à Petrobras para a construção da plataforma P-51 no Estado. O governo fluminense isentou de ICMS a obra, que está orçada em US$ 800 milhões. Com a medida, a plataforma pode ter o casco fabricado pela Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep). O custo do casco significa um oitavo do total da plataforma.

Na cerimônia de assinatura, realizada no Palácio Guanabara, Rosinha Matheus afirmou que a renúncia fiscal, que chega a US$ 150 milhões, será compensada para o Estado em geração de emprego, renda e desenvolvimento. O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio, Wagner Victer, afirma que agora o Brasil entra no grupo seleto de países que produzem uma plataforma completa. A P-51 vai operar na exploração do campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos, litoral nordeste do Estado. A nova plataforma terá capacidade de produção superior a 180 mil barris de petróleo por dia. A Petrobras encomendaria a obra de construção em Singapura, mas a pressão dos governos estadual e federal fez a empresa transferí-la para o Rio.

A obra deve fazer cair de 80% para 20% a ociosidade do parque produtivo da Nuclep. A empresa estatal, instalada em Itaguaí (RJ), tem capacidade para muito mais atividade do que de fato usa. Parte dessa ociosidade foi compensada com cascos de submarinos construídos para a Marinha, mas a enorme infraestrutura da fábrica ainda é sub-aproveitada. Como afirmou o então ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, no número 26 de Brasil Nuclear, "a Nuclep não precisa de investimentos e, sim, de encomenda". O secretário Wagner Victer concorda, ressaltando que a empresa "tem capacidade tecnológica superior às concorrentes estrangeiras". Com a obra, devem ser criados 7,5 mil empregos diretos e 22 mil indiretos.

Segundo o presidente Jaime Cardoso, a participação na construção da P-51 abre perspectivas para que a Nuclep participe da construção de novas plataformas da Petrobras e de outras empresas, inclusive fora do Brasil. "A Nuclep agora entrou no jogo. Uma vez cumprido este desafio com êxito, nós asseguraremos que novas plataformas possam ser construídas com um conteúdo nacional ainda maior", ressaltou.

Governo vai concluir centro nuclear em Recife

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) anunciou que irá liberar R$ 10 milhões, até o fim do ano, para concluir a construção do Centro Regional de Ciências Nucleares (CRCN), em Recife (PE). Com a garantia de recursos, prevê-se a inauguração do Centro para outubro.

O CRCN atenderá a região Nordeste na produção de radioisótopos, além de produzir pesquisa científica e fiscalizar os seus usuários na medicina e na indústria, entre outros setores. Para Alfredo Tranjan Filho, diretor de pesquisa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o centro servirá também como incentivo às universidades locais, e provocará aumento da capacitação tecnológica do Nordeste.

Neste ano, serão inaugurados um laboratório de metrologia e dois de radioproteção, além de prédios auxiliares, como oficinas, manutenção, almoxarifado, banco e restaurante. Na segunda etapa, será instalado um laboratório para detecção de traços e subtraços químicos, para controle de poluição ambiental. Também se prevê a instalação de um cíclotron, para produzir radioisótopos de meia-vida curta e curtíssima, especialmente o flúor-18. Os laboratórios serão utilizados para conferir a calibração dos equipamentos radiológicos e de medicina nuclear empregados na região.

A Cnen - à qual o CRCN é ligado - também estuda a possibilidade de instalar um centro de irradiação de alimentos no Vale do São Francisco, para beneficiar produtos agrícolas de exportação, principalmente manga.

Aben elege nova Diretoria

A Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) tem nova Diretoria, eleita para o biênio 2004-2006. A entidade será presidida por Edson Kuramoto (Eletronuclear) e terá como vice-presidentes Antonio Teixeira e Silva (Ipen) e Gunter de Moura Angelkorte (Eletronuclear). Integram, ainda, a Diretoria: Roberto Cardoso de Andrade Travassos (Eletronuclear), José Carlos Castro (INB), João Manoel Losada Moreira (CTMSP), Lourença Francisca da Silva (Cnen/ANP), José Lúcio Terra (CDTN), Luis Hiroshi Sakamoto (Cnen) e Alfredo Tranjan Filho (Cnen).

O conselho fiscal é composto por Alzira Abrantes Madeira (Cnen), Francisco Rondinelli Júnior (Cnen), Maria Aparecida da Silva (Nuclep), Carlos Alberto Brayner de Oliveira Lira (DEN/UFPE), Lamartine Nogueira Frutuoso Guimarães (CTA/IEAv), Paulo Afonso Barbosa da Silva (CTMSP), Sérgio de Oliveira Vellozo (IPD/CTEx) e Leonardo Gondim de Andrade e Silva (Ipen).

China quadruplicará parque nuclear até 2020

A República Popular da China planeja aumentar em mais de quatro vezes a sua geração de energia nuclear nas próximas duas décadas. Até 2020, a estatal nuclear chinesa CNNC espera passar a produção de 8.500 MW para 36.000 MW, e pelo menos quatro usinas devem começar a ser construídas ainda este ano.

No país que mais cresce no mundo, o consumo elétrico deve subir 12% só este ano, contra 9% de aumento na capacidade geradora. Sua matriz energética baseia-se principalmente no carvão e nas hidrelétricas, além de depender da importação de petróleo e gás natural. Por isso, o governo chinês enxerga a expansão do parque nuclear como a forma mais rápida, econômica e sustentável de reduzir a dependência e atender à demanda.

No ano passado, houve blecautes em mais de vinte províncias chinesas e milhares de fábricas foram forçadas a interromper sua produção. Os danos atingem mais a região leste, a de maior atividade econômica, que fica mais longe das minas de carvão e das hidrelétricas. E a escassez de energia elétrica deve continuar em 2004: dados da agência reguladora do setor indicam que a produção será 20 milhões de KWh a menos do que o necessário.

Existem, hoje, oito usinas nucleares em operação na China, e mais três devem começar a funcionar até 2006.

Ipen inauguranovo irradiador

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, inaugurou um irradiador multipropósito, que será utilizado, principalmente, em pesquisas para o tratamento de alimentos e a esterilização de materiais cirúrgicos e descartáveis. Com o novo equipamento, o instituto pretende apoiar o desenvolvimento de produtos em escala industrial e difundir a tecnologia de irradiação pelo país.

O irradiador permitirá que o Ipen trabalhe em parceria com a indústria e pesquisadores que queiram fazer testes-piloto ou testes de colocação no mercado de novos produtos. O instituto também prestará assistência técnica no desenvolvimento e instalação de irradiadores. Segundo Paulo Rela, pesquisador do Ipen e coordenador do projeto de desenvolvimento do irradiador, há um grande potencial para a tecnologia de irradiação no Brasil, especialmente nas áreas enfocadas pelo instituto no uso da nova planta de irradiação: as indústrias de alimentos e de materiais médicos e descartáveis.

Na área de alimentos, já existe um bom mercado no Brasil para a irradiação de especiarias, frutas desidratadas e fitoterápicos, que o Ipen pretende priorizar. Comenta Paulo Rela, que o grande mercado que pode se abrir para a irradiação de alimentos no Brasil é o do agribusiness. Há uma infinidade de produtos que podem utilizar a tecnologia, incluindo frutas, grãos, carnes, legumes, verduras, entre muitos outros. Ele informa que está sendo negociado um protocolo de exportação de produtos irradiados entre Brasil e Estados Unidos que permitirá a comercialização em larga escala entre os dois países, especialmente de frutas irradiadas.

Além das áreas de alimentos e materiais médicos e descartáveis, o Ipen quer estabelecer parcerias em outras áreas de aplicação da irradiação. Um exemplo é o Banco de Tecidos, projeto que o instituto mantém com o Hospital das Clínicas de São Paulo. O banco armazena tecidos - como pele para pacientes queimados, tendões, ossos e cartilagens - que são utilizados em transplantes no hospital. Estes tecidos são enviados ao Ipen, que os irradia para evitar qualquer tipo de contaminação. O novo equipamento será utilizado para aumentar o volume de material irradiado.


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