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CAPA

BRASIL NUCLEAR, ANO 11, NÚMERO 27, SET/OUT - 2004

Brasil Nuclear 10 Anos

De repente, passaram-se dez anos. O primeiro exemplar de Brasil Nuclear, em formato newsletter, duas cores e oito páginas, lançado no início de 1994, dizia a que vinha: tentar desmistificar e desfazer preconceitos sobre a energia nuclear. Voltada para o público leigo, Brasil Nuclear declarou sua proposta de "democratizar a informação nesta área onde o povo brasileiro tem quase nenhum acesso" e assumiu para si a missão de "levar aos seus leitores informações verdadeiras e objetivas".

A partir do número cinco, o formato mudou para o de uma revista a cores, com o triplo de páginas, pelo menos. Na época, a nova publicação agradou tanto que recebeu elogios de fontes tão diversas quanto a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e a Escola Superior de Guerra. Aos poucos, a revista foi ganhando espaço e repercussão, e sua tiragem passou de 5 mil para 12 mil exemplares.

No Brasil, a política de energia nuclear sempre fora um espaço pouco transparente, restrito aos meios técnicos e estratégicos, principalmente durante o regime militar. Com a redemocratização, grupos de pressão anti-nuclear conseguiram espaço junto aos meios de comunicação, sendo praticamente a única fonte de informações sobre o assunto para a opinião pública. Em campanhas, livros didáticos e outras publicações, os adversários da energia nuclear chegaram perto de obter da sociedade um consenso anti-nuclear, por meio da unilateralidade do debate. Brasil Nuclear contribuiu para alterar esse quadro, dando voz ao lado não ouvido da discussão.

Objetivos alcançados

Esta era mesmo a intenção de Guilherme Camargo, Everton de Carvalho e outros profissionais - que compunham o núcleo dirigente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) - quando decidiram criar o Programa de Aceitação Pública (ver entrevista Guilherme Camargo, na página 26) e, dentro dele, um veículo que abrisse um canal de comunicação com a sociedade, principalmente os "formadores de opinião": técnicos, políticos, pesquisadores, estudantes, jornalistas, militares.

O objetivo mais imediato do Programa, a conclusão de Angra 2, foi atingido logo no primeiro ano, com a liberação de recursos para a obra, um dos últimos atos do presidente Itamar Franco. A entrada em operação da usina, em julho de 2000, mereceu uma edição especial de comemoração. A inauguração de Angra 2 foi celebrada no editorial como se cumprindo "a essência do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha", por significar o fim da dependência nacional para tecnologia eletronuclear. Junto com o domínio do ciclo do combustível e a geração de know-how ("patrimônio humano") no setor, a abertura da segunda Central Nuclear brasileira garantia a nossa soberania tecnológica neste tipo de energia.

Saindo na frente

Ao longo desses dez anos, Brasil Nuclear adiantou para o público muitos assuntos que seriam destaque na grande mídia só mais tarde. Foi o caso, por exemplo, do colapso do sistema energético, que gerou "alertas" em várias edições antes do "apagão" de 2001. Na capa do número 11 (de 1996), o risco era explicitado: o crescimento industrial do país exigia investimentos urgentes em energia.

Na época, o então diretor de Produção de Furnas, Pedro Figueiredo, alertou para a possibilidade de não se conseguir atender à demanda de energia elétrica a partir de 1999 - situação que pioraria sem Angra 2. Também se chamou a atenção para o esgotamento das fontes hidrelétricas, previsto para a década de 2010/2020. Figueiredo defendeu a energia nuclear como solução complementar para o problema de geração de energia, junto com outras fontes, como o gás importado da Bolívia. O professor Carlos Lessa, hoje presidente do BNDES, foi ainda mais enfático: "O país não pode prescindir da energia nuclear" (nº24). Apesar dos alertas, os investimentos no setor não foram suficientes, e em maio de 2001 o governo federal se viu forçado a decretar o racionamento de energia elétrica.

O perigo da escassez de água foi outro importante tema antecipado em Brasil Nuclear. As diversas aplicações da tecnologia nuclear para despoluir rios e lagoas foram matérias recorrentes na revista. Como na edição 24 (janeiro-março/2002), dedicada especialmente ao problema, ou na 15, falando das técnicas de identificação de contaminação por mercúrio em áreas de mineração na Amazônia. Outros usos possíveis da energia nuclear para os recursos hídricos são os reatores que dessalinizam e as unidades de radiação para esterilizar água poluída e tratar esgoto. A revista sempre chamou a atenção para o papel estratégico do país na geopolítica dos recursos hídricos. Quase um quarto de toda a água potável do mundo está sobre ou sob território brasileiro. Por isso vem alertando os leitores sobre a necessidade de se encontrar soluções para a escassez iminente de água. Brasil Nuclear saiu à frente da discussão e proclamou no editorial: "Esta solução passa necessariamente pelo uso da energia nuclear".

Outro tema que agora está em evidência e que já tinha sido extensivamente tratado nas matérias de Brasil Nuclear é a soberania nacional sobre o ciclo do combustível nuclear. Uma descrição detalhada do processo, desde a mineração até a aplicação na usina, foi publicada na edição 21 (abril-junho/2000). A revista apresentou, pela primeira vez, a tecnologia de ultracentrifugação, desenvolvida pela Marinha a partir da pesquisa alemã, que foi tema de capa do número 7 (dezembro/1995).

Nuclear muito mais que energia

Inúmeros outros usos das tecnologias nucleares ainda não foram expostos para o grande público e, por enquanto, marcam a exclusividade do pioneirismo de Brasil Nuclear. Embora a medicina nuclear seja a ponta mais conhecida deste imenso iceberg tecnológico, a revista tem o mérito de ter já mostrado inovações nucleares que ainda chegariam ao Brasil. É o caso dos inúmeros usos medicinais, industriais e agrícolas nos quais a energia do átomo pode ser empregada.

Das primeiras edições para cá, ficaram bem claros os benefícios nucleares para a saúde. Pesquisa e produção de radioisótopos para diagnósticos e tratamentos de doenças graves, aplicações médicas do laser produzido a partir de elementos radioativos, esterilização de produtos médico-cirúrgicos, hormese radioativa, todos foram assuntos pouco conhecidos cuja importância Brasil Nuclear ajudou a divulgar.

A edição 13 (abril-junho/1997) revelou como a técnica da hormese pode inovar tratamentos médicos, administrando radioatividade em "doses homeopáticas". A matéria listou pesquisas que indicam efeitos benéficos da exposição paulatina à radiação. Em 1987, por exemplo, foi concluído um estudo constatando que a mortalidade entre trabalhadores expostos a radioatividade foi em média 24% menor do que os não-expostos, ao longo de duas décadas. "Se a hormese se tornar conhecida e popular, o medo da radioatividade irá diminuir, e muito", previa o professor Hervásio de Carvalho.

Já o número 23 explicou como técnicas de radiação podem ser úteis para esterilização de medicamentos fitoterápicos. Estes produtos, muito sensíveis à contaminação, são normalmente esterilizados por calor, o que pode alterar sua eficácia terapêutica. Mas, recentemente, o processo de irradiação tem se tornado mais competitivo, sendo cada vez mais empregado pela indústria especializada.

A revista acompanhou a expansão do emprego dos radiofármacos e outros produtos radioativos na medicina e o crescimento da capacidade de produção dessas substâncias pelos institutos de pesquisa Ipen, em São Paulo, e o IEN, no Rio. A maior parte dessa produção (cerca de 80%) é encaminhada à rede pública de saúde.

Há cerca de um ano, o Brasil passou a contar com o que existe de mais novo em tecnologia de diagnóstico por imagem: o tomógrafo PET, um aparelho de alta precisão para diagnosticar enfermidades graves, como câncer e males de Parkinson e Alzheimer. Brasil Nuclear acompanhou não só o processo de chegada do sofisticado equipamento ao país como também os esforços dos institutos de pesquisa para produzir os radioisótopos empregados nos exames de diagnósticos que são nele realizados.

Átomos para a produção

Brasil Nuclear mostrou que a indústria é uma das maiores usuárias das técnicas nucleares, que são empregadas, principalmente, para a melhoria da qualidade dos processos e contribuir para a competitividade das empresas. Este é o caso da multinacional Johnson&Johnson em sua fábrica de São José dos Campos (SP), mostrado na edição 17. A empresa utiliza a irradiação para descontaminar seus produtos da área de higiene e cuidados medicinais. A tecnologia, da própria Johnson&Johnson, agiliza e barateia a produção, garantindo maior competitividade da filial brasileira ao exportar para América Latina, África e Europa.

A edição 25 mostra que a Petrobrás, uma das maiores empresas do Brasil, é uma grande usuária das técnicas nucleares, algumas desenvolvidas em seu próprio centro de pesquisa (Cenpes), no Rio. Um exemplo é o uso de fontes radioativas para prospecção de petróleo em águas profundas e medição sismográfica (abalos e movimentos geológicos).

O trabalho da Nuclep, fábrica estatal criada para fornecer equipamentos pesados às usinas de Angra, foi abordado primeiro nas edições 8 (fevereiro/1996) e 26 (dezembro/2003). Neste intervalo de tempo, a empresa promoveu algumas modificações, mas a situação geral permaneceu a mesma: uma enorme instalação fabril, sub-aproveitada e capacitada para muito mais demanda do que de fato atende. Hoje, considerada um "capital estratégico" para a indústria pesada nacional, a Nuclep espera que a construção de Angra 3 possa retomar sua atividade produtiva a todo vapor.

A revista informou como a radioatividade também pode ser aplicada na indústria mineral para tornar mais coloridas e valiosas as gemas brasileiras. Segundo o Ipen, comerciantes brasileiros pagam muito caro por este serviço feito no exterior, que poderia ser feito no país.

Energia Nuclear na agricultura

Brasil Nuclear acompanha cotidianamente os avanços da agroindústria brasileira. Publicou várias reportagens sobre irradiação de alimentos, um dos processos mais avançados para a melhoria e preservação dos produtos agrícolas. O processo, que submete os alimentos já embalados a fontes de radiação (Cobalto-60, raio X ou feixe de elétrons), esteriliza, adia o amadurecimento e por isso é especialmente útil para a exportação.

No início de 2000, foi realizada uma experiência de grande escala em Piracicaba (SP). Tratava-se de soltar milhões de moscas sobre as plantações da região. Os insetos machos, previamente esterilizados por irradiação, iriam acasalar mas não fecundar as suas fêmeas, o que a curto prazo iria interromper de vez a reprodução da espécie no local. A experiência, desenvolvida pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), foi um sucesso, e abriu caminho para exportar a tecnologia (desenvolvida na Embrapa) para outros países, como a França. Outras técnicas nucleares na agricultura incluem os traçadores radioativos (para inúmeros tipos de análises de movimentos, desde animais até abalos sísmicos), a tomografia de solos (processos utilizados para analisar solos e fertilizantes) e o melhoramento de espécies (modificação genética obtida por radiação).

Na edição 25, Brasil Nuclear mostra que a área nuclear colabora para expandir a fronteira agrícola brasileira e aumentar a produtividade rural. Estas novas tecnologias já permitem plantar em solos que antes eram considerados inadequados, como o cerrado. Por conseqüência, o Brasil foi o primeiro país a cultivar soja em áreas tropicais.

Guerra à poluição

Mas a relação entre energia nuclear e natureza não se limita à agricultura. Existem inúmeras técnicas, como Brasil Nuclear mostrou, que podem ser usadas para beneficiar a própria natureza, inclusive quando ela é prejudicada por outras fontes de energia menos limpas. É o caso da ecotoxicologia, área que utiliza tecnologias nucleares no combate à poluição. Com radioisótopos e outros elementos, é possível realizar identificação, medição e dispersão de poluentes. Com a espuma de poliuretano (EPU), por exemplo, é possível construir barreiras de proteção em águas contaminadas, no caso de vazamento de óleo e metais pesados.

O Laboratório de Monitoramento Ambiental da Eletronuclear, em Mambucaba (Angra dos Reis), desenvolve um trabalho fundamental para garantir a segurança da natureza na região e evidencia a preocupação ecológica das instalações nucleares brasileiras. A unidade busca permanentemente detectar alterações e anormalidades nos habitats de Angra e Paraty. Os pesquisadores recolhem amostras de formas de vida, águas, ar, areia e outros elementos naturais da região, analisam a sua composição química e realizam medições de radioatividade. Os equipamentos são tão precisos que podem alertar mudanças mesmo em níveis insignificantes para a saúde humana.

A Favor da História e Contra o Terrorismo

No início do ano 2000, quando se comemorou os 500 anos do Descobrimento, Brasil Nuclear ressaltou a importância da radioatividade para a datação arqueológica e, conseqüentemente, para precisar a idade verdadeira do país. A utilização do Carbono-14 para datar artefatos encontrados em sítios arqueológicos como o da Serra da Capivara, no Piauí, prova que o verdadeiro início do Brasil era muito anterior aos últimos cinco séculos. Segundo o Instituto de Física da USP, que analisou amostras de pinturas rupestres daquele sítio, elas têm pelo menos 40 mil anos.

A mesma edição trazia uma matéria com as tecnologias de neutrongrafia. Essa espécie de "radiografia à base de nêutrons" permite a identificação de explosivos plásticos escondidos em bagagens, por causa da alta concentração de nitrogênio nessas substâncias. Com aparelhos instalados em portos, aeroportos e estações, a neutrongrafia é muito útil em operações de segurança e combate ao terrorismo internacional.

Alm. Othon Luiz Pereira da Silva
Empresário e ex-condutor do Programa Nuclear da Marinha
Existem poucas revistas especializadas na área de engenharia e a Brasil Nuclear ocupa um lugar importante, noticiando e analisando os temas relevantes para os profissionais da área.

Ronaldo Fabrício
Secretário-Executivo da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares - Abdan
Esta revista é extremamente positiva, porque é a única nessa área da geração nuclear, que é a geração do futuro. Isso ficou bem evidente agora mesmo na visita do presidente Lula à China. Brasil Nuclear, na medida em que divulga a expansão da geração nuclear no mundo, ouve profissionais do setor e presta esclarecimentos, ela informa o público leigo no assunto para que tomem conhecimento sobre problemas e soluções da energia nuclear.

Marcelo Damy
Pesquisador do Ipen e ex-diretor da Cnen
A Brasil Nuclear progrediu muito nestes dez anos. É uma revista importante, que todo professor universitário e cientista deveria ler. Há algum tempo, ela vem preenchendo um vácuo no setor na área de comunicação. Está de parabéns, pois tem servido para aumentar o conhecimento e a troca de idéias no meio científico.

Rex Nazaré
Ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), professor da Engenharia Nuclear do Instituto Militar de Engenharia (IME) e assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República
A Brasil Nuclear representa para a comunidade nuclear uma fonte de informação. Ao mesmo tempo, propicia aos leigos, através da linguagem acessível, informações corretas sobre a energia nuclear. Uma grande demonstração da sua importância aconteceu em março deste ano, quando o professor Martin Oberhoffer, especialista de renome internacional na área de radioproteção, esteve no Brasil. Ao tomar conhecimento da revista, quis saber imediatamente como poderia recebê-la na Itália, onde trabalha e reside. Mostra que até mesmo cientistas experientes do exterior, que conhecem inúmeras publicações da área, valorizam uma iniciativa como esta. A revista também permitiu que as esferas de tomada de decisão de nosso país pudessem compreender melhor o largo espectro de atividades do setor, ao tratar de assuntos ligados não só à geração energética, mas também à saúde, indústria e agricultura. Espero que a revista consiga se manter ao longo do tempo.

Maria Helena Sampa
Pesquisadora do Ipen e ex-presidente da Aben
Na última década, o setor nuclear cresceu e evoluiu bastante, principalmente na área de aplicações. A Brasil Nuclear fez com que muitas pessoas descobrissem o amplo leque de utilizações da energia nuclear. A maior qualidade da revista é que ela enfoca temas de interesse do momento e abrange todo o setor. Isto faz com que haja uma aceitação pública cada vez maior em relação à tecnologia nuclear.

Ela também ajuda a divulgar as atividades do setor nuclear internamente. Percebemos que tem um grande impacto porque as pessoas nos procuram para comentar as reportagens e para saber mais sobre os assuntos abordados. A revista tem um alcance e uma capacidade de divulgação que os institutos e empresas não têm. Há necessidade de uma união do setor em torno da Brasil Nuclear, mesmo que cada instituição tenha seu próprio órgão de divulgação. A BN tem mais liberdade de atuação e de opinião, pelo fato da Aben ser uma organização não-governamental.

Cláudio Rodrigues
Superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - Ipen
A Brasil Nuclear foi criada num momento crítico do setor nuclear brasileiro. Havíamos chegado ao final dos anos 80 com ótimos resultados no desenvolvimento da tecnologia nuclear, com destaque para a produção de radioisótopos e radiofármacos, a construção, no Ipen, do primeiro reator de pesquisa em solo brasileiro e o domínio do enriquecimento de urânio. Porém, naquele momento, tivemos a interrupção dessa trajetória e ficamos órfãos, inclusive de um veículo que externasse nossas angústias e mostrasse à sociedade o real valor das tecnologias nucleares, tanto na geração energética, quanto na área de aplicações. Então surgiu a Brasil Nuclear, que passou a ser uma espécie de porta-voz da energia nuclear em nosso país.

Nestes dez anos, a revista cumpriu muito bem seu papel. Temas emblemáticos foram abordados durante este período, que marcaram a trajetória do setor. Não só o texto é de grande qualidade, como sempre foi muito honesto em relação à energia nuclear. A Brasil Nuclear continua a ser extremamente relevante, principalmente agora que a energia nuclear assume um papel de importância cada vez maior, tanto na geração energética, como na saúde, na indústria e na preservação do meio ambiente, entre outras áreas.

Márcia Flores
Diretora da Aben e Funcionária da Eletronuclear
Deixando de lado a "corujice" por ter sido parte do grupo que criou a Brasil Nuclear, a revista foi pioneira não só no setor nuclear, ao publicar matérias com linguagem clara e simples sobre assuntos técnicos e controvertidos, mas também na sociedade como um todo, por ajudar a desmistificar esse tema tão polêmico. Com coragem, determinação e sem preconceitos, a Brasil Nuclear derrubou estigmas e informações incorretas que eram tidos como verdades. Ao longo desses dez anos, a revista ganhou credibilidade nos mais diversos segmentos da sociedade e fomentou uma demanda por informações e esclarecimentos sobre a área nuclear que é atendida pela Aben.

Luiz Soares
Diretor Técnico da Eletronuclear
Poucas publicações no Brasil conseguem durar 10 anos, mantendo regularidade e qualidade de conteúdo. A revista Brasil Nuclear, além de conseguir esta importante marca, realizou a tarefa de ampliar a informação e promover um efetivo debate sobre o uso pacífico da energia nuclear. Tenho orgulho de ser um dos fundadores da revista, concebida no contexto de uma ação institucional mais ampla envolvendo as diferentes entidades e empresas do setor.

Pedro Figueiredo
Diretor de Operação e Comercialização da Eletronuclear
A Brasil Nuclear é a única revista que trata do assunto e o faz de maneira profissional, sempre trazendo temas atuais. É uma publicação de boa qualidade que mantém os profissionais do setor atualizados com relação às atividades nucleares no Brasil. A revista teve sua parcela de contribuição para o desenvolvimento do setor ao cumprir bem o papel de divulgação do processo.

Maria Aparecida da Silva
Gerente de Comunicação da NuclepL
Dirigida ao esclarecimento da opinião pública em geral sobre as controvérsias que ainda envolvem a questão nuclear, a Brasil Nuclear vem demonstrando, com sucesso, que é possível romper as barreiras do pré-conceito baseado, via de regra, em informações equivocadas, destituídas de veracidade científica, oferecendo, em contrapartida, matérias que expõem a diversidade das aplicações nucleares e a qualidade da ciência produzida em nosso país.

Ao veicular artigos, cujos conteúdos proporcionam ao leitor não iniciado conhecimentos sobre a política nuclear brasileira em suas várias vertentes e dimensões, a Brasil Nuclear cumpre, com independência, o seu papel social, garantindo a universalização do acesso democrático e plural à informação.

Everton Carvalho
Ex-presidente da Aben
Há dez anos houve um grande impulso de renovação no setor nuclear. Houve sinergia dentro da Aben, que formou uma parceria com Furnas, a INB e outras instituições da área nuclear. Conseguimos viabilizar Angra 2, que é a maior conquista do setor até hoje. A Brasil Nuclear foi um dos instrumentos catalisadores deste processo. A revista teve uma função educativa, sendo distribuída para formadores de opinião. Trata-se de uma das principais conquistas da Aben, de cuja concepção tive o orgulho de participar.

Marcos Dantas
Secretário de Educação à Distância do MEC e primeiro editor da Brasil Nuclear
A Brasil Nuclear era mais uma tentativa de criar no país uma imprensa comprometida com as causas nacionais. A Aben, na época, era uma ilha de racionalismo e nacionalismo em meio a um oceano neoliberal e entreguista. Era também uma possibilidade de eu poder tocar um projeto profissional coerente com a minha visão de progresso científico e desenvolvimento nacional. A revista se consolidou, atingiu e continua atingindo seus objetivos e deu, sem dúvida, uma importante contribuição à mudança da imagem do setor nuclear no Brasil.

Wagner Victer
Secretário Extraordinário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro
A Brasil Nuclear é, hoje, o veículo mais sério para a divulgação das atividades da indústria nuclear do ponto de vista de seu desenvolvimento tecnológico, do seu trabalho e da valorização profissional. É um veículo com seriedade e credibilidade na questão da formação do conceito positivo contra o preconceito existente e um veículo fundamental para que os formadores de opinião estejam atualizados sobre o que tem acontecido no setor da energia nuclear no Brasil e no mundo.

"Estamos legando um futuro melhor para as próximas gerações"

Guilherme Camargo sempre foi um nacionalista. Esta postura se reflete em seus ícones e referências, todos com uma característica em comum: são indivíduos que, de uma forma ou de outra, tiveram importante papel na vida política do país. Personalidades que, de acordo com Camargo, "são ainda mencionadas na escola, mas das quais, cada vez mais, a cultura e a mídia se afastam". A lista começa com Felipe Camarão, Henrique Dias, Frei Caneca, Tiradentes e todos os heróis da Conjuração Mineira. Inclui ainda José Bonifácio, Vieira Souto, Siqueira Campos, Getúlio Vargas, Paulo de Frontin e André Rebouças - "talvez o mais importante engenheiro brasileiro". Em anos mais recentes, Camargo aponta Barbosa Lima Sobrinho, com quem teve contato pessoal e que exerceu grande influência sobre ele. Na área nuclear, Camargo também tem grandes mestres, com os quais nunca teve a oportunidade de trabalhar ou ter aulas, mas que, segundo ele, o ensinam pela sua trajetória e experiência. Nesta categoria, estão incluídos o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, Marcello Damy de Souza Santos e Rex Nazaré Alves. Acima de todos, porém, ele cita o ex-ministro Renato Archer, com quem teve várias e instigantes conversas matinais em sua casa no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. A trajetória de Guilherme Camargo sempre foi associada à energia nuclear. Antes de se formar no curso de engenharia da PUC-RJ, em 1976, fez, por opção, estágio no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) no Rio de Janeiro. Após a formatura, optou por trabalhar no setor nuclear, onde ingressou por concurso na Nuclebrás, em 1977, mesmo tendo diversas ofertas de emprego em outras áreas. Camargo também foi presidente da Aben de 1988 a 1990 e coordenador editorial da Brasil Nuclear desde sua concepção, em 1994, até 2002. O que atraiu o jovem engenheiro à área nuclear foi o fascínio por uma atividade inteiramente nova, que tinha o potencial de revolucionar a vida tecnológica, econômica e mesmo política do Brasil. Este entusiasmo se mantém até hoje. "Cada dia meu é diferente do anterior. Sempre há coisas novas, maravilhosas, projetos fantásticos que podem ser realizados", afirma em entrevista a Vera Dantas e Fábio Aranha, da Brasil Nuclear.

Quais são as experiências mais importantes que você vivenciou nesses 27 anos no setor nuclear?

Eu tenho a honra de ter participado de alguns eventos muito importantes da história nuclear brasileira. Foi um privilégio participar de toda a construção de Angra 2, desde o início do projeto até sua entrada em operação. Como superintendente de Licenciamento, fui um dos seis ou sete brasileiros que estavam presentes na sala de controle da usina quando o reator atingiu a primeira criticalidade em 2000. Ao meu lado, além dos técnicos alemães, estavam o diretor técnico da Eletronuclear, Evaldo Césari de Oliveira, e o chefe da usina, Dráusio Lima Atalla.

Você se considera um estudioso da história da energia nuclear no Brasil?

Eu me considero, realmente, um estudioso da história da energia nuclear. Existem muito poucos livros sobre a história da energia nuclear no mundo - embora alguns sejam de grande relevância - e, em nosso país, não há praticamente nada. Me dediquei ao estudo da energia nuclear para que eu pudesse entender a essência daquilo com que estava trabalhando e, principalmente, para ter embasamento para ingressar nas batalhas que viria a travar futuramente.

Por que o interesse pela história da energia nuclear?

No início da minha carreira, em 1979, com 25 anos, eu trabalhava na Alemanha. Naquela época, já havia lá um forte movimento de oposição às usinas nucleares, capitaneado pelos ecologistas. Isso me fez perceber que eu estava trabalhando numa área complexa e, ao mesmo tempo, me levou a questionar a ética do meu trabalho. Pensava: "será que estou trabalhando na contramão da história?" Esta foi uma pergunta que eu fiz a mim mesmo naquele momento. Eu jamais poderia trabalhar em alguma coisa que não considerasse ética. Nesse processo de questionamento da verdade sobre a energia nuclear, comecei a estudar sua história e seus fundamentos básicos, além dos argumentos usados por seus opositores, de forma a saber o bastante sobre a questão para poder enfrentar discussões e debates.

Qual foi a sua conclusão?

A primeira é que havia - e ainda há - um movimento forte e globalmente estruturado de oposição à energia nuclear. Eu descobri que, no início do século XX, antes mesmo da descoberta da fissão, as grandes potências já sabiam que esta seria uma tecnologia importante para o futuro e que poderia ser usada tanto para o bem, quanto para o mal. Acredito que o manto do segredo científico tenha começado a baixar já na década de 1920 sobre as aplicações civis e militares da energia nuclear, num movimento que, na ocasião, era inusitado, mas que se mantém até os dias atuais. Hoje, ninguém divulga informações sobre qualquer tecnologia considerada sensível, ou seja, que possa ser usada para fins militares. Acontece que, basicamente, todas as tecnologias podem ser usadas para fins militares ou pacíficos. Portanto, ninguém divulga mais nada. Isto começou com a energia nuclear. Esta campanha, que começou no início do século XX, está cada vez mais estruturada, alicerçada na grande imprensa, em organizações não-governamentais, institutos pseudo-independentes etc. A questão crucial é o fato de que não se pode tapar o sol com a peneira. Um país que está qualificado para ter um programa nuclear para fins pacíficos está obviamente mais qualificado - se houver uma decisão política - para desenvolver um programa nuclear para fins militares.

Que impacto estas conclusões tiveram em você como profissional?

Ao mesmo tempo em que me dedicava aos estudos da história, aos estudos estratégicos, da origem do debate nuclear, e às verdadeiras razões que estão por trás das campanhas antinucleares, eu optei também por usar o conhecimento técnico que havia adquirido na realização de grandes projetos nucleares, dos quais o mais importante foi Angra 2. Não basta ser acadêmico. O debate no campo das idéias é importante, mas também é preciso ser um realizador de obras. O Brasil urge por resultados. Acho que deixamos um legado importante com a conclusão de Angra 2 e outros projetos que continuamos a desenvolver na indústria nuclear brasileira.

Como surgiu o Programa de Aceitação Pública da Aben?

Este programa foi concebido em 1993, que foi um ano sintomático por vários aspectos. Em primeiro lugar, o governo Collor acabara e entrava o governo do presidente Itamar Franco. Por razões históricas e políticas de sua trajetória pessoal, ele tinha restrições à energia nuclear. Ele ficou muito marcado por ter sido relator da CPI nuclear de 1978, que, de certa forma, caracterizou o início de uma campanha antinuclear no Brasil. Por quê? Porque estávamos no auge do governo militar, onde havia censura. O MDB, do qual Itamar fazia parte, tinha dificuldade em exercitar oposição política ao governo. A CPI acabou por convalidar a necessidade e a importância do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. Ela certificou que as ações técnicas, políticas e estratégicas tinham sido feitas de forma correta, mas também deu uma espécie de palanque para que a oposição se manifestasse contra certos aspectos do governo. O assunto era tratado como uma questão técnica, quando, na realidade, era totalmente política. Pois bem, em 1993, o Greenpeace se estabeleceu no país e começou uma agressiva campanha antinuclear, que tinha por objetivo fechar a usina Angra 1 e impedir a conclusão de Angra 2. Neste mesmo momento, não por acaso - nós temos evidências concretas de que o Greenpeace atuava em conjunto com alguns segmentos da mídia -, foi lançado o livro "Brasil, a Bomba Oculta", da jornalista Tânia Malheiros.

Era uma situação pouco confortável...

Era desesperadora, na verdade. O programa nuclear estava prestes a acabar. Não havia nenhuma definição em relação à retomada das obras de Angra 2, o presidente não era favorável, havia um ataque maciço na mídia, com editoriais virulentos. Enfim, um desalento total. Mas, por entender que era preciso reagir a este ataque, nós já vínhamos concebendo, há algum tempo, um programa de informação ao público sobre a energia nuclear. E, na minha visão, uma associação técnico-científico-profissional, como a Aben, seria o fórum adequado para lançar essa campanha. A idéia se materializou nesse momento de imobilismo do setor e quando o Greenpeace, que já tinha sido recebido pelo Presidente Itamar Franco, estava amealhando assinaturas em um abaixo-assinado para o fechamento de Angra 1 e a não-conclusão de Angra 2. Então, eu, Luiz Soares e Everton Carvalho procuramos algumas pessoas-chave do setor nuclear, a quem convidamos a participar do programa. Lá estavam Luiz Soares, Carvalho, Márcia Flores, Alfredo Tranjan, Evaldo Césari de Oliveira, Ronaldo Fabrício e Maria Aparecida da Silva, entre outros. O programa nunca foi corporativo, nem "chapa-branca", e sim totalmente independente. Por isso, ele sempre teve, e tem até hoje, uma grande credibilidade junto à mídia.

Quais foram as primeiras ações do programa?

O programa começou em 1994, em uma reunião na qual estavam presentes, além do pessoal do setor, os jornalistas Marcos Dantas e Vera Dantas, editores da Brasil Nuclear, e Hermínia Brandão, assessora de imprensa da Aben. A primeira ação foi uma ofensiva política contra a ratificação do acordo quadripartite de salvaguardas, assinado pelo governo Collor. É importante lembrar que boa parte dos parlamentares que davam sustentação ao governo defendia a ratificação. Nós discutimos o assunto no Congresso Nacional e conseguimos retardar a ratificação desses acordos por três anos, enquanto que o parlamento argentino aprovou o acordo em um mês. Essa foi uma das nossas grandes vitórias no campo político. A Aben era contra os acordos por uma questão de princípio e de soberania. Nós não acreditávamos, como não acreditamos hoje, que o mundo pode ser dividido em nações responsáveis e irresponsáveis. Nações responsáveis são aquelas do chamado clube atômico, às quais é permitido possuir artefatos e bombas nucleares cada vez mais sofisticados, como as mini-bombas existentes hoje, que podem ser usadas em campo de batalha. Enquanto isso, países que pretendiam se desenvolver nos usos pacíficos da energia nuclear eram obrigados a se submeter a inspeções intrusivas que serviam, inclusive, para devassar o seu nível de desenvolvimento tecnológico. Esta oposição nós fizemos entre 1991 e 1994. O Tratado de Não-Proliferacão de Armas Nucleares (TNP) só foi assinado em 1998, sem maior oposição, porque se tornara apenas uma questão simbólica, não significava mais nada. Era a última entrega dos pontos. As inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já estavam aqui dentro por força do acordo quadripartite entre Brasil, Argentina, a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc) e a AIEA, que já vigorava desde 1994.

E como surgiu a Brasil Nuclear?

A Brasil Nuclear foi criada em 1994, no formato newsletter. Nosso objetivo foi fazer uma revista para os formadores de opinião, tomadores de decisão e o público em geral e não para a comunidade nuclear. Ela é uma oferta da comunidade nuclear ao povo brasileiro. Trata-se de uma revista democrática: basta enviar um fax ou e-mail que a pessoa passa a recebê-la. A revista sempre teve um caráter educativo. E hoje eu vejo com satisfação que alguns grandes jornalistas reconhecem a Brasil Nuclear como um veículo de comunicação extremamente moderno e eficaz. Além disso, ela ajudou a comunidade nuclear, que é tão dividida, a moldar uma imagem de si própria, uma consciência da sua importância estratégica. Os técnicos do setor deixaram de se perguntar, como eu fiz na década de 1980, se estavam na contramão da história. Como disse Platão, "o presente pertence àqueles que remam comodamente a favor da corrente, mas o futuro pertencerá àqueles que remam contra". Essa foi a síntese da criação do Programa de Informação ao Público sobre Energia Nuclear e da revista Brasil Nuclear.

Quais foram as principais vitórias do programa?

A vitória principal foi angariar credibilidade junto à grande imprensa. Essa credibilidade foi atingida através do nosso embate com o Greenpeace, demonstrando as intenções falaciosas e a origem e motivação exógenas ao país dos ataques ao setor nuclear e à conclusão de Angra 2. Este fato ficou cabalmete comprovado em matéria publicada em janeiro passado pela Folha de São Paulo, que mostra que o Greenpeace era fonte dos serviços de informação do Departamento de Estado norte-americano. O embate nos deu crédito para colocar uma agenda nuclear positiva na discussão com os jornalistas. Foi possível demonstrar a eles que havia em curso uma campanha antinuclear. Mais importante ainda foi conseguir demonstrar a existência desta campanha para a própria comunidade nuclear. Entretanto, nós sabemos que essas forças nunca cessam, apenas mudam de forma. No momento, elas atuam contra a retomada de Angra 3. Uma outra vitória extremamente importante foi termos conseguido unificar o setor nuclear brasileiro. Eu tenho certeza de que nós contribuímos enormemente para mostrar à comunidade nuclear brasileira que, se ela permanecesse dividida, ninguém sobreviveria.

E as principais vitórias da Brasil Nuclear?

A principal vitória da Brasil Nuclear foi estabelecer um canal direto de comunicação, sem intermediários, com cerca de 12 mil leitores, incluídos os principais formadores de opinião do país. A nossa teoria era de que se pudéssemos falar com os 170 milhões de brasileiros, diretamente, este seria o caminho ideal. A questão nuclear é tão importante e complexa que demanda uma comunicação direta. Quando a revista chega às pessoas que a recebem, cria amarras que são eternas. Como muitos dos assinantes são formadores de opinião, as informações se propagam de uma maneira muito forte, quase indelével. Aí está a principal vantagem. Isto se manifesta de uma forma singela através das cartas dos leitores que recebemos. São um elemento gratificante, nos dão a certeza de que estamos no caminho certo. Um dos melhores exemplos foi uma carta enviada pela dra. Anneliese Fischer Thom, da medicina nuclear do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, publicada na edição no. 21, comentando a edição anterior, dedicada à medicina nuclear. Ela diz o seguinte: "Parabenizo-os pela excelente revista Brasil Nuclear. Os seus artigos e a forma como a energia nuclear é abordada contribuirão muito para afastar o pânico que os pacientes freqüentemente experimentam por terem que ser submetidos à administração de substâncias radioativas". Só o fato de conseguirmos produzir esse efeito na cabeça das pessoas que estão doentes ou fragilizadas - e que têm medo da energia nuclear - já justificaria o trabalho feito. Esta carta, para mim, é uma das maiores vitórias que nós obtivemos.

Dez anos depois, qual é o seu balanço do programa de informação ao público? E qual a sua previsão para o futuro próximo?

O trabalho de divulgação e informação tem que ser permanente, expandido e crescente, porque a oposição à energia nuclear continuará. Eu não tenho dúvidas de que Angra 3 vai sair, mas não será sem luta. Esta é a sina dos que trabalham, dos que militam, dos denodados e abnegados trabalhadores do setor nuclear, no Brasil e no mundo. Nada neste campo é conquistado sem luta. Muitos avanços foram alcançados. Muitos progressos e vitórias foram obtidos. Mas muito mais será necessário. No dia em que se discutir com seriedade e honestidade a questão nuclear, terei a certeza de que o nosso país será verdadeiramente soberano. Porque energia nuclear e soberania andam intimamente ligadas. Eu não tenho dúvidas em dizer que a descoberta científica mais importante do século XX, e que perdurará possivelmente por boa parte do século XXI, é o advento da energia nuclear em todas as suas formas e aplicações. Nós estamos no caminho certo, o caminho do bem. Estamos legando um futuro melhor para as próximas gerações.

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