Publicações : Revista Brasil Nuclear | Fonte Nuclear voltar

ANO 11 - NO. 06 - 27 DE ABRIL DE 2006

Ambientalista defende uso da energia nuclear para combater efeito estufa

Em artigo no jornal Washington Post, co-fundador do Greenpeace critica oposição do movimento verde à geração nuclear

A energia nuclear é a única fonte de larga escala capaz de reduzir a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa e, ao mesmo tempo, suprir a crescente demanda por energia elétrica do mundo. Quem afirma não é um defensor histórico do setor nuclear, como poderia se esperar, mas Patrick Moore, um dos fundadores do Greenpeace, uma das entidades mais conhecidas do movimento verde. Em artigo publicado no jornal americano Washington Post no dia 16/04, o ecologista afirma que a energia nuclear é segura, eficiente e, acima de tudo, necessária para o futuro da Terra.

O ambientalista afirma que mudou seu ponto de vista de 30 anos atrás, quando ajudou a fundar o Greenpeace e acreditava que a energia nuclear era sinônimo de holocausto nuclear. Hoje, ele se convenceu que essa "talvez seja a fonte energética que poderá salvar nosso planeta de outro desastre possível: uma mudança climática catastrófica" e afirma que o movimento verde precisa fazer o mesmo.

Moore - que foi presidente do Greenpeace do Canadá por nove anos e diretor do Greenpeace Internacional por sete - acaba de fundar nos Estados Unidos a Coalizão de Energia Limpa e Segura. A entidade pretende obter apoio para que a energia nuclear seja uma parte importante de um plano de diversificação energética para o país. Ele ressalta que hoje nos EUA existem mais de 600 usinas a carvão que produzem 36% das emissões de dióxido de carbono (CO2) - principal gás responsável pelo efeito estufa - do país. Este total representa 10% de todo o CO2 emitido no mundo. Em sua opinião, a energia nuclear é capaz de reduzir essas emissões de forma segura. As 103 usinas nucleares americanas evitam a emissão de 700 milhões de toneladas de CO2 por ano.

O ambientalista afirma que, apesar de haver o perigo da tecnologia nuclear cair nas mãos de Estados que não seguem as leis internacionais, não se pode banir toda tecnologia que apresentar riscos. Ele acrescenta que esta foi a mentalidade de "tudo ou nada" do auge da Guerra Fria, quando qualquer atividade nuclear parecia representar o fim da humanidade e do meio ambiente. Mas Moore diz que hoje o cenário é outro. Pesquisas mostram que 80% das pessoas que moram a menos de 10 milhas dos reatores nucleares americanos aprovam sua existência e operação.

Patrick Moore não é o único ambientalista que acredita na energia nuclear como solução para os problemas causados pelos combustíveis fósseis. O cientista britânico James Lovelock, criador da Teoria de Gaia, e Stewart Brand, criador do Whole Earth Catalog - publicação pioneira na disseminação dos ideais ambientalistas nas décadas de 60 e 70 -, se uniram ao coro daqueles que defendem a energia nuclear devido a seus benefícios na luta contra o efeito estufa.

Energia nuclear é melhor opção de geração energética

Em sua opinião, a geração nuclear é a melhor opção de geração energética por eliminação. As energias solar e eólica têm sua importância, mas são intermitentes e imprevisíveis e, por isso, não podem substituir as usinas de geração de base atuais. O gás natural - que é um combustível fóssil e contribui para o efeito estufa - já é bastante caro e seu preço é volátil demais para se arriscar a construção de grandes usinas de base. A energia hidráulica já é explorada ao limite na maioria dos países. Desta forma, resta a energia nuclear.

Ele enfatiza também que as usinas nucleares são seguras. O acidente de Chernobyl, ressalta, aconteceu devido à falta de um prédio de contenção em torno do reator, ao projeto falho da usina e à falta de preparo dos operadores, problemas que nunca existiram no Ocidente. Mesmo as 56 mortes resultantes do desastre (de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, que prevê que o acidente causará cerca de 4 mil mortes no total) não se comparam às mais de 5 mil mortes anuais relacionadas à mineração de carvão em todo o mundo. Quanto aos rejeitos radioativos, ele afirma que 95% do que é produzido ainda podem ser reprocessados, diminuindo significativamente a quantidade de resíduos que precisarão de tratamento e deposição. Moore rebate ainda a afirmação de que as usinas nucleares são vulneráveis a ataques terroristas. As paredes destas instalações são construídas para resistir à colisão de um avião sem causar danos ao reator. Ele diz que existem outros tipos de instalações muito mais vulneráveis que as centrais nucleares, como plantas químicas e de gás natural, além de alvos políticos. Para o ecologista, o argumento de que o combustível nuclear pode ser desviado para se fazer armas nucleares também não é razão para proibir seu uso. O que precisa ser feito é tornar a questão prioridade na agenda internacional.

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