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ANO 11 - NO. 04 - 31 DE MARÇO DE 2006

Eletronuclear afirma que tarifa de Angra 3 será competitiva

Angra 3 será uma usina competitiva com tarifa próxima às praticadas pelas outras fontes de geração energética. Este foi o recado dado por Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear, em palestra no 1º Seminário sobre o Setor Elétrico para Jornalistas, realizado na sede de Furnas Centrais Elétricas, no Rio, na quarta-feira. Guimarães ressaltou ainda que o Brasil precisa aproveitar todas as fontes de geração que estiverem disponíveis, incluindo a nuclear, que representa quase 20% da produção total de energia do mundo.

De acordo com o palestrante, a tarifa de equilíbrio calculada pelo Ministério de Minas e Energia para Angra 3 é de R$ 136,48 por megawatt-hora (MWh), compatível com as tarifas obtidas no último leilão de energia nova realizado em dezembro de 2005, em que as usinas térmicas predominaram. Na ocasião, as tarifas para 2008 alcançaram R$ 132,26 por MWh.

Guimarães afirmou que o Brasil precisa adicionar cerca de 3 mil MW de potência instalada por ano para fazer frente à demanda energética. Ele lembrou que o consumo per capita de energia no país é muito baixo, sendo metade do de Portugal e apenas um décimo do registrado no Canadá.

Em sua opinião, Angra 3 é importante também para diversificar o sistema elétrico, o que diminui sua vulnerabilidade. "Não existe competição entre as fontes de geração e, sim, complementaridade. É como uma carteira de ações. Você precisa montar um portfólio e não apostar todas as suas fichas em uma única opção. Uma não elimina a outra", comparou. Angra 3 foi incluída no Plano Decenal 2006-2015 e levará seis anos e meio para ser construída. Quando entrar em operação, acrescentará 1.350 MW ao sistema elétrico. Já foram adquiridos US$ 750 milhões em equipamentos mecânicos cuja tecnologia, segundo Guimarães, não mudou durante o tempo. Os componentes de controle serão todos de última geração, o que tornará a usina moderna. A Eletronuclear gasta anualmente US$ 20 milhões para a preservação dos equipamentos estocados, com seguro e garantia técnica. Serão necessários R$ 7,2 bilhões para completar o empreendimento.

Brasil precisa de política para urânio

Leonam Guimarães disse também que o Brasil precisa de uma política para o aproveitamento do urânio, que inclua a retomada da prospecção. Nosso país detém hoje a 6ª maior reserva do mineiro no mundo com 309,4 mil toneladas. Esse montante corresponde às minas de Lagoa Real, na Bahia, e Santa Quitéria, no Ceará, e representa 5,9% das reservas mundiais. Os líderes do ranking são a Austrália, com 24,6% do total, e o Cazaquistão, com 14,4%.

Entretanto, somente 30% do território nacional foram prospectados e apenas até 100 metros de profundidade. Normalmente, a maior parte do urânio de uma jazida se concentra abaixo disso. Guimarães afirmou que as reservas brasileiras podem chegar a mais de 800 mil toneladas, o que levaria o país à 2ª ou 3ª posição no mundo.

Leonam Guimarães destacou ainda que até 2011 será construído um depósito definitivo para armazenar os rejeitos de baixa e média radioatividade do país. Hoje, estes rejeitos são armazenados de acordo com normas internacionais em depósitos iniciais localizados em Angra 1 e 2 e nas unidades da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). A Cnen, com apoio da Eletronuclear, estuda os possíveis locais que podem abrigar o repositório.

Quanto aos combustíveis queimados das usinas de Angra, Guimarães afirmou que ainda não há necessidade de se preocupar em construir um depósito final, pois ele só será necessário daqui a trinta anos. "O problema da deposição definitiva se coloca quando você tem uma quantidade de rejeitos muito grande que não consegue armazenar dentro das próprias usinas. Este não é o nosso caso", comentou.

O primeiro país a enfrentar esse problema foi os Estados Unidos, que constrói um depósito em Yucca Mountain, no estado de Nevada. No Brasil, o combustível usado é armazenado em piscinas dentro das centrais nucleares Angra 1 e 2. "Não faz sentido nos preocuparmos com isso agora. As soluções propostas hoje certamente são piores do que as que vão estar disponíveis em trinta anos", concluiu.

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